segunda-feira, 12 de março de 2012

A dor no esporte



Olá a todos,

O objetivo desse post é mais um alerta. As bizarrices no mundo do esporte são muitas, então criei até um "tag" chamado "bizarrices" para organizar os posts do blog, pois algo me diz que muitos outros virão rssrsrrs.

Eu escuto o tempo todo atletas falando que tomam antiinflamatório porque estão com alguma dor.


Mais uma vez. Não sou médico, bioquímico ou nutricionista, mas será que precisamos de quantas faculdades para, no mínimo, desconfiar, que esta prática tem algo errado?

Se você, atleta, está com alguma dor, isto é um sinal do seu corpo que algo está errado. Obviamente, esporte é dor, mas todo atleta deve aprender a perceber quando é uma dor ocasionada do treino intenso/longo, que certamente passará rapidamente, daquela dor que incomoda a semanas, não passa e provavelmente é relacionada à alguma lesão. 

Se você toma antiinflamatório para suportar aquela primeira dor, pare de praticar esporte. Seu negócio é jogar baralho. Aguentar a dor é o pré-requisito para ser atleta. Se você toma antinflamatório devido ao segundo tipo de dor, pare. A dor deve ser respeitada, ela é o "termômetro" para você analisar se algum tratamento que está fazendo ou alguma mudança postural ou fortalecimento está dando resultado. O antiinflamatório mascarará exatamente o que você precisa saber.

Se algum "especialista", ortopedista ou fisioterapeuta, te indicou um antiinflamatório como primeiro recurso a ser usado no tratamento, mude de profissional. Esse cara quer ser famoso por "curar" os pacientes mais rápido. Passando antiinflamatório, até eu "curo" alguém rápido. Nunca tomar antiinflamatórios? Acredito que algumas lesões mais graves, onde a dor chega a ser insuportável ou, por algum motivo clínico, a inflamação deva ser o mais rápido possível removida, ministrar o antiinflamatório deva ser estudado. Mas como primeira medida, sem o profissional nem tentar outras formas de analgesia e métodos antiinflamatórios? Sem nem começar um tratamento inicial para melhorar as causas da lesão? Este profissional comprou o diploma. Se eu sou este profissional, eu quero que o paciente sinta dor justamente para eu conseguir tratá-lo. Senão é muito difícil saber se o tratamento está sendo eficaz. O profissional da saúde tem que ser como o Dr. House! Uma medicina investigativa, não aquele profissional que vamos fazer uma consulta e temos a impressão que ele tem um botão de "eject" para nos expulsar logo dali e atender outro para fazer girar dinheiro.

Vejo o tempo todo atletas no ciclo sem fim: treinar, dor, lesão, antinflamatório, treinar, dor, lesão, antinflamatório... acho que uma pessoa que não tem muito amor à saúde deve agir assim realmente.

Agora, quanto ao uso dos antinflamatórios DURANTE as provas, o famoso Advil que muitos levam, para mim, esté é o cúmulo da bizarrice. Estes antiinflamatórios normalmente são a base de ibuprofeno e este está relacionado a sérios casos de insuficiência renal aguda durante esportes de ultraendurance. Não estou falando de um desconfortozinho, estou falando da chance de um rim seu parar de funcionar! Além disso, ela pode estar relacionada inclusive ao efeito inverso, de não recuperação muscular. Existem estudos que mostram que este composto prejudica a produção exatamente daquilo que recupera nossos músculos: o colágeno. Outros estudos ainda estão relacionados até mesmo a queda de performance/VO2máx. Além do óbvio que é levar o atleta ao limite maior do que ele aguenta, inibindo a dor, podendo agravar a situação.

Se você precisa MUITO do antinflamatório para fazer uma prova e é a primeira coisa que se lembra quando vai sair para a largada, sinto muito, mas você não está preparado para aquela prova. Treine, prepare-se e a encare a competição com dor, mas dor de esporte, não dor de lesão. Se você leva um Advil como um "Plano B" caso tudo dê errado em uma prova importante, saiba dos riscos que corre. Saiba quando parar é melhor do que se destruir. Se a dor for insuportável a ponto de fazê-lo tomar o antiinflamatório, talvez, desistir, seja o caminho para não se prejudicar mais. Esse papo de "não desistir nunca", "o segundo é o primeiro dos últimos", "no pain, no gain", etc é coisa do Karatê Kid e de uma cultura americana extremamente competitiva que o mundo está engolindo a todo tempo. Desistir, muitas vezes, é sinal de inteligência e auto-preservação, não de perdedor.

Ulisses

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