terça-feira, 6 de março de 2012

A pilantragem no Ironman Brasil



Talvez tenha chegado o momento de levantar essa lebre novamente.

Quando fiz meu primeiro Ironman em 2009, eu nem se quer havia assistido um Ironman. Meu objetivo era ver se eu chegava vivo e cheguei. Não estava proecupado com nada a não ser isso. Chegar, ver minha família e amigos e ver se eu conseguia completar um Ironman.

Em 2010, fui mais treinado, mais confiante, com pensamentos de tempo mais ousados. Tinha aquele pensamento do "será que é possível pegar a vaga para o mundial?", mas eu sabia que seria muito complicado. O objetivo era fazer um bom tempo, apenas isso. Não estava muito preocupado com quem estava na frente ou quem estava atrás. Estava preocupado com meu relógio.

Em 2011, não fiz o Ironman, mas, fui assistir com um monte de amigos. A estada em Floripa foi ótima, mas a minha decepção ao assistir aquela prova foi muita. A visão de quem assiste é muito diferente de quem está lá dentro. Uma não necessariamente mais privilegiada do que outra, mas é um ângulo diferente.




Como o objetivo da imensa maioria dos triatletas que largam é concluir a prova, melhorar o tempo pessoal e passar poir um grande dia bacana, muitos detalhes não são percebidos. Nem pelos atletas, nem pelos familiares e amigos que vão assistir. É um monte de gente pedalando, correndo e, do outro lado, incentivando os atletas. Um clima bacana no ar e um dia maravilhoso que vai se mostrando. No entanto, para quem tem o objetivo de um dia pegar a vaga para um mundial, esses detalhes não passam desapercebidos. Me refiro aqui especificamente à questão do vácuo no ciclismo.

O número de atletas que chegaram na famosa faixa "abaixo das 10 horas" de prova foi enorme. Tempos que garantiriam algum lugar entre os 50 melhores da prova, agora estavam com posições superiores a 100. Tempos de ciclismo abaixo de 5 horas, que antes dessa prova tinham uma dificuldade enorme de serem conseguidos, viraram carne de vaca. Pelotões de atletas pedalando eram comuns.

Alguém poderia alegar que o nível dos atletas brasileiros amadores vem crescendo muito, por isso daqueles tempos estarem daquele jeito. Sim, existe esta questão também, mas no caso do Ironman, eu diria que foi parte dessa melhora e uma parte considerada do vácuo. Falo isso abertamente aqui no Blog sem medo de errar e de estar sendo injusto. Esta certeza aumentou ainda mais quando vídeos, fotos, depoimentos sobre o vácuo abarrotaram os fóruns e redes sociais.

Aquilo tudo foi como um banho de água fria para mim. Comecei a questionar se todo o empenho de se tentar uma vaga para um mundial fazia sentido naquele contexto. Primeiro porque, para quem não pega vácuo, a possibilidade de se pegar uma vaga para mundial seriam mínimas. É impossível competir com um atleta treinado que utiliza o vácuo como forma de se dar bem. Segundo porque comecei a questiona o valor deste "campeonato mundial". "Que melhores do mundo esse campeonato está atraindo afinal?". Era a pergunta que não queria calar na minha cabeça.

Fazer ou não fazer o Ironman 2012? Dúvidas e mais dúvidas. Acabei fazendo a inscrição para poder garantir minha vaga, afinal, o que havia sobrado para triatletas de longa distância no Brasil? Em setembro, veio o Ironman 70.3 de Penha e aquilo foi um show de horror. Era uma prova que eu iria fazer e ainda bem que não fiz. Iria ficar depressivo tal foi o nível do vácuo não fiscalizado na prova.

Discussões mil pelos fóruns todos, tentativas frustradas de conversar com a Latin Sports, opiniões diversas de todo tipo, mas o problema estava lançado: será que o Ironman Brasil 2012 será a mesma palhaçada que foi em 2011? Pelo que já percebi, não há muito o que fazer a não ser treinar muito, chegar bem no dia e rezar para que a organização tenha montado um esquema melhor de fiscalização do vácuo. Uma sensação ridícula para o atleta que treina para uma prova dessa dimensão. 

Alguém aqui conhece algum campeonato importante de algum esporte que o atleta treina pensando "tomara que a fiscalização seja adequada, senão, nada adiantará"?. É ridículo, ao meu ver.

Enquanto os atletas honestos estão treinando com esta "pulga atrás da orelha" e este desconforto, os espertinhos estão treinando e bolando sua estratégia ilícita tranquilos. A Latin Sports, na qualidade de organizadora da prova, poderia lançar um pronunciamento de conforto aos atletas honestos, dizendo quais serão as providências que serão tomadas. 

Mas, acho que chega a ser uma ingenuidade da minha parte esperar por isso...

Keep going...

6 comentários:

  1. Cara, me dá vergonha alheia (e raiva tb) ver os espertinhos tentando se dar bem nas provas! Isso tenho certeza que eles levam para outros aspectos de suas vidas. To fodido de grana, to arrastando na bike e na corrida, mas minha consciência tá tranquila... para mim (e sei que para outros), isso não tem preço! Ainda acredito que somos feitos por nossas ações, não sou um anjo, erro, faço merda, etc... mas nada arquitetado, e se descubro, tento corrigir. Precisamos buscar um caminho alternativo para que viver em sociedade não se torne uma luta de espertezas, apadrinhamentos, jeitinhos, etc!

    Abs

    Guto

    ResponderExcluir
  2. Olá Ulisses,
    Já pensou em buscar a vaga num IM que tenha uma fiscalização de qualidade??? Questões de custo a parte, tente pesquisar qual dos IM ao longo do mundo possui essa qualidade.
    No nível que vc está consegue brigar de igual com os gringos amadores.
    Pense nisso!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O problema é a questão do "custo a parte" rsrsrsrrsrs

      Excluir
  3. É isso ai Ulisses, continua treinando cara, porque se um dia a organização (desorganizada) conseguir uma fiscalização ativa, você estará muito à frente dos que utilizam de recursos para terem algum sucesso. Orgulho de ter te conhecido e como ja te disse antes, você acaba incentivando mesmo que indiretamente outros amigos.
    Abraços...

    ResponderExcluir
  4. Cara, infelizmente a parad é treinar o psicológico pra não ficar muito puto com os fdp dos vaqueiros ... na moral, esse ano com mais atletas q ano passado o vácuo vai ser pior ... já desiti de acreditar que esses organizadores estão preocupados em coibir o vácuo. Ano q vem devo fazer o IMBR mesmo ... mas já vou preparado pra assistir o retrato da malandragem do Brasil ...

    Abraço
    victor cortez

    ResponderExcluir