terça-feira, 3 de abril de 2012

Business esportivo: vilão ou mocinho?




Olá a todos, 

Hoje em dia, falar de qualquer atividade humana e não falar do "business", do negócio que está por trás é praticamente impossível. No caso do esporte, não é diferente. 

Todo esporte teve algum início ou na competição humana propriamente dita - aquela do "vamos ver quem corre mais rápido" ou "vamos ver quem levanta mais peso" - ou na diversão em grupo, como o futebol, basquete, etc. 

A partir do momento que entramos nos últimos anos do século XX e neste início do século XXI, e os respectivos esportes começaram a ter mais praticantes, mais torcedores e mais amantes das modalidades, acabou por despertar o espírito empreendedor dos "caçadores de oportunidade". Sinceramente, não vejo isso como um erro, afinal, é disso que o sistema capitalista é formado: de geração e exploração das diversas oportunidades (sejam elas morais ou não). 

Entretanto, até que ponto é útil para nossa sociedade esportiva essa influência do mundo do "Business"? Um esporte que não atrai adeptos, não atrai mídia. Sem atrair mídia, não atrai investidores e patrocinadores. O esporte não cresce para nenhum lado. Nem na promoção dos mais variados eventos relacionados, nem em estudos acadêmicos científicos. Ele tende a morrer. Entretanto, existe o outro lado da moeda, isto é, o excesso da influência do "Business" e de todos os seus interesses. 

O exemplo mais clássico é, obviamente, o futebol. O jogo, o esporte em si, é bem legal, mas cá entre nós, essa super influência do "Business" bilionário que permeia o esporte realmente trouxe benefícios? Ou só apresentou jogadores mascarados, oportunistas, bem como dirigentes corruptos que ainda não entendem nada de esporte? 

Se vamos abrir um restaurante, na minha opinião, não basta sermos empresários, temos que entender de comida e de restaurantes. Se não conhecemos, fazemos sociedade ou contratamos quem conhece. Da mesma forma, eu acredito que o "Business" do esporte deva ser conduzido por atletas ou amantes daquele esporte. O que mais vemos hoje são empresários que nada entendem de esporte conduzindo as rédeas da modalidade. Seus objetivos e compromissos? Nada mais do que o lucro no negócio. Tanto faz o lucro vir de uma padaria, de um restaurante, de um posto de gasolina ou de uma prova de triathlon ou corrida. O que importa é o lucro. Esta mentalidade trás algo positivo para o esporte e para a modalidade específica? Sinceramente, não acredito. 

Sim, vemos muitos empresários e “cartolas” do esporte que são ex-atletas, ou ao menos, ex-praticantes, mas por alguma razão, aquele amor inicial à modalidade não existe mais e o espírito do “empresário” tomou conta. 

Em grande parte das vezes, da mesma forma, vejo donos de academia que mais entendem de gestão de negócio e fluxo de caixa do que de esporte. Empresas de marketing esportivo sendo dirigidas por empreendedores adeptos das baladas e do whisky. Enfim, acho que o bom leitor já entendeu o meu ponto. 

Que bom seria se as pessoas que estão por trás de nossos eventos esportivos fossem atletas, não? Que bom seria se donos de academias conhecessem os talentos que treinam nas dependências de seus estabelecimentos ou se os donos de empresas de marketing esportivo sentissem na pele os problemas que estão nas competições que promovem, não é mesmo? Os empresários que estão ligados a algum esporte entendem de tudo, menos do esporte que estão, em tese, promovendo. 

Um exemplo mais próximo meu que posso dar são dos donos do restaurante Santa Pimenta que me apoia aqui em Atibaia. O restaurante tem um conceito de comida de qualidade, muito voltada ao público esportivo. Quem mais são formadores de opinião do que os próprios atletas, não é mesmo? Como amantes e praticantes de esporte, os donos simplesmente entendem que apoiar atletas locais é uma forma de vincular o nome do restaurante à vida saudável e à comida de qualidade. E conseguem, acreditem. Eles jamais teriam essa mentalidade se fossem apenas empresários e conhecedores de processos de negócio. A mesma coisa com a 2XU aqui no Brasil, cujos donos são triatletas e apaixonados pela modalidade.

Acredito que deva existir um ponto de equilíbrio entre o pensamento empreendedor, pela busca da oportunidade certa e da lucratividade, e o amor à prática esportiva propriamente dita. Como um empresário terá um relacionamento sem fronteiras com o seu público se ele não entende nada do que estão falando? (ou não se interessa). Não há canal de comunicação possível entre a empresa e o público dessa forma. 

Por mais que uma característica da boa gestão seja termos inúmeros processos e mecanismos para aproximar seu público da empresa, existem algumas características que devem se aproximar mais da vontade humana do que manobras corporativas. Um gestor que ama, conhece e se envolve com aquela determinada atividade, está no mesmo nível de entendimento e discurso e não precisa lançar mão de tantas cartilhas de gestão. É uma aproximação natural.

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