quinta-feira, 31 de maio de 2012

O paradoxo da inscrição para o Ironman



Amanhã abrem-se as inscrições para o Ironman Brasil 2013. Tudo indica, assim como foi em 2012, que as inscrições se esgotarão em poucos minutos. Estamos falando de uma prova que, até bem pouco tempo atrás, era perfeitamente viável decidir nos inscrever no final do ano anterior. Hoje, esta "folga" não existe mais.

Tudo tem o lado bom e o lado ruim, obviamente. O lado bom desta "corrida pelo ouro" é a prova inequívoca de que o esporte está crescendo. Não o triathlon propriamente dito, mas ao menos a sua versão mais "insana", o Ironman. Com este crescimento, provavelmente ganhará mais notoriedade na mídia, mais adeptos no futuro, mais pesquisas científicas em cima do esporte, enfim, a máquina gira. 

O lado ruim, entretanto, é a antipatia desta obrigatoriedade para se tomar esta decisão com esta antecedência absurda. Atrelado a isso, temos a questão do custo. O preço da inscrição do Ironman está crescendo exponencialmente a cada ano. Lei da oferta e procura? Sim, possivelmente. Com a modalidade crescendo e um número de vagas limitadas, a única coisa que justifica estes aumentos muito além da inflação e dos custos operacionais todos é a lei da oferta e procura. Estão, a cada ano, testando até que ponto os triatletas são capazes de desembolsar dinheiro.

domingo, 27 de maio de 2012

Aprendendo com a frustração



Hoje, possivelmente, foi o dia mais frustrante da minha vida.
Nunca coloquei tanto empenho, sem um retorno à altura, como este Ironman 2012.
Dada a largada, estranha este ano, por sinal, com certa antecedência e sem aquela contagem e palavras que a antecedem costumeiramente, saí para nadar no famigerado liquidificador humano e fiz uma natação como o esperado. Errando algumas coisas em navegação, mas menos do que normalmente. Saí da água para cravados 1:00h e fiz uma transição de 3:30m, já poupando 4 preciosos minutos em relação ao meu melhor Ironman em 2010.
Saí para pedalar feliz da vida, forte, me sentindo ótimo, sem aquele frio costumeiro em cima da bike, comum nesta etapa.

Ultrapassando os primeiros atletas, com 3km de ciclismo, pego um olho de gato enorme que quase me derruba e escuto meu pneu dianteiro explodir. Só podia ser um pesadelo. Comecei a gritar "não! Não! Não!". Rapidamente, peguei o "pitstop", coloquei no pneu e ele começou a inflar, desinflando logo em seguida. Quando eu olho, um talho no pneu saindo a espuma do pitstop. Um talho!
Não podia estar acontecendo aquilo.
Outro pitstop e a mesma coisa...
Mais um CO2 e nada...
Mais outro CO2 e nada...

Não levei pneu sobressalente. Fiz uma estratégia, que muitos podem achar suicida, mas a de nadar como tivesse que nadar, fazer o pedal mais forte que conseguisse, ficando entre os melhores pedais da prova, e fazer uma maratona consistente. Eu estaria com 2 anos a mais de treino, uma periodiação insana de pedal que eu fiz, e 7kg a menos para arrastar, afinal, eram 4kg a menos de peso corporal e 3kg a menos na bike entre caramanholas e assessórios. Esta estratégia não só me garantiria uma vaga para Kona, mas uma colocação entre os melhores amadores da prova, o que seria dois sonhos em um único dia.

A cada escolha, uma renúncia.

Sem levar o pneu extra, entrei em pânico. Parou um fiscal e ele me perguntava: "e aí amigo? Quer que eu chame o mecânico?". "quanto tempo ele demora?". "uma meia hora, 40 minutos". Sentei no chão e chorei...aquilo não pderia estar acontecendo...

Esperei 2 longos minutos, analisei a situação de forma mais fria e concluí: não era para acontecer. Resolvi desistir, por mais que aquilo me doesse.

A única coisa que eu queria naquele momento era ver minha família e ficar o mais longe possível daquele ambiente triatlético. Uma van veio me buscar, me levou até a transição e eu não pude fazer meu check-out, o que vai me obrigar a sair aqui de Canasvieiras e voltar para lá para isso. Uma solução um tanto draconiana da organização, ao meu ver, visto que eu estava identificado, com chip e disposto a fazer qualquer procedimento.

Duas coisas me deixam feliz: cresci absurdamente como atleta nesses meses de treinamento. Este lastro esportivo, sem lesões, estará comigo para sempre. A outra coisa é meu amigo Marcos Faria, que eu, daqui de Canasvieiras, não conseguia parar de pensar "agora o Marquinhos está em tal lugar", " agora ele está em tal lugar". Exatamente as 16:15 eu disse à minha família. "O Marquinhos chegou agora". Impressionantemente, ele me liga agora a noite dizendo que fez 9h15, ficou em 22o geral da prova e certamente pegará a vaga para o Havaí. Quando a gente conversa, compete e treina muito com um amigo atleta, sabemos do que ele é capaz. Este cara merece.

Vou repensar muitas coisas em minha vida esportiva depois desse fato frustrante, mas de um valor de aprendizado sem paralelo.

Agradeço aqui imensamente a minha namorada, kika, que amo muito e que está aqui comigo agora e durante este treinamento; à minha mãe, meu pai e a minha família que transformaram um dia catastrófico em uma tarde mais amena e compreensiva; aos meus apoiadores que acreditaram em mim, principalmente o Santa Pimenta e a 2XU Brasil.

A cada um dos amigos que me desejaram sorte e sucesso, meus sinceros agradecimentos. O que seriam dos atletas sem estas pessoas ao nosso lado nos dando tanta força?

O esporte é isso. Agora, é repensar os objetivos todos...

sábado, 26 de maio de 2012

Sábado. Véspera de Ironman



11 horas de viagem na quinta-feira, sendo metade disso com chuva.
Cheguei em Canasvieiras e ainda dei um trotezinho na chuva, exatamente pelo circuito da prova...muitas lembranças de 2009 e 2010 vieram na cabeça, um nervosismo me abateu momentaneamente, mas logo se transformou em felicidade de estar ali.

Depois de muitas horas de sono, perdi propositalmente o café da manhã do hotel. Não como muito do que tem ali e sabia que o sono seria fundamental, já que na noite que antecede a prova nunca durmo. Uma chuva chatíssima caia e era quase inacreditável olhar a previsão de tempo dizendo que ia abrir sol.

Fomos nadar na chuva eu, Marquinhos Faria e Antonella. Em Canasvieiras mesmo. Não gosto de treinar na sexta que antecede a prova, mas seria uma oportunidade boa de testar o wetsuit em mar. Fiquei bem feliz principalmente por estar frio e eu não ter sentido, como costumava sentir nos anos anteriores com minha wetsuit cavada.

Fomos almoçar eu, eles dois, o Seu Faria, pai do Marquinhos, e um casal de amigo deles, no Ford Ka rsrsrsr. Este estava a mais de seis meses sem lavar rsrsr.
Restaurante é aquela coisa. Macarrão com manteiga, arroz com óleo, mas tinha uma cenoura ali que salvava. Depois tinha um doce de sagu. Me virei como deu. Salve o Santa Pimenta! Rs.

Naquela chuva, vamos pegar o Kit. Já estava enxarcado de tanto andar para lá e para cá. Podia acontecer tudo, menos ficar doente. Minha imunidade estava ótima, mas nunca se sabe. Frio e chuva ninguém merece.

Ao pegar o kit, tudo certo, mas só tinha camiseta "G". Ponto negativo para a oranização da prova. Com este nível e este preço, faltar camiseta "P" e "M", não dá. Economia de custos tem limites.

Fui para a feirinha. Encontro lá meus amigos no stand da 2XU. Encontro o Edu Mazza, que fazia tempos que não via, Julio Dotti e outros, mas eu não queria muito ficar ali. Pão duro do jeito que eu sou, não ia comprar mais nada rsrsr. Queria chegar logo no encontro do Ironbrothers que estava marcado para as 16hs no Spazzio.

Depois de pegar mais chuva e ficar mais enxarcado, chegamos ao local. Eu, Marquinhos e Antonella os primeiros a chegar. Depois vieram a Aline Carvalho com família, Fernando Cesário e Júlio Dotti. O restante da galera que combinou deu para trás, mas era previsível com aquela chuva. Depois de tempos vi que meu amigo Carlos Pocinho havia me ligado. O sinal do celular estava horrível, para não dizer que não existia. Queria vê-lo, mas não deu. As coisas não acontecem como prevemos. Conversamos muito, foi bacana e zarpamos. Passamos no mercado, comprei algumas guloseimas,já que não estava mais disposto a sair do quarto. Queria me esquentar, arrumar a logística da bike para o "check-in" no dia seguinte e ficar recolhido. Foi o que fiz. Nem saí para jantar e fiquei tranquilo.

Este ano, diferentemente dos anteriores, adotei mais a estartégia "keep it simple". Bike com apenas duas caramanholas de água. O restante eu pegaria na prova. Sem pneu reserva nem nada, apenas dois "pit stop" em uma bolsinha embaixo do selim. Era isso. Fiz alguns cálculos e minha bike sairia da T1 pelo menos 3kg a menos do que em 2010. Levando em conta que eu estou com quase 4kg a menos, estamos falando de "uma outra bike" a menos para arrastar durante 180km.

Não ia precisar de "special needs" na bike e na corrida só um tênis reserva com meia. Posso me arrepender depois dessa simplicidade, mas estou disposto a pagar o preço. Menos itens para lembrar, menos estresse, menos cortisol.

A chuva não parava...já começava a imaginar como seria fazer a prova naquelas condições...ia ser osso. A previsão estaria errada?

Acordo no sábado com o SOL na cara. Não acreditei. Fiquei muito feliz e os planos de "prova suicida" saíram da minha cabeça. Fui tomar o café da manhã do hotel, mas levei 90% do que eu ia comer rsrsrsrrrs. Encontrei os pais da Antonella e o Seu Faria. Logo depois, o Marquinhos e a Antonella. Fomos andar na praia. Eu e o Marquinhos conversando sobre estartégias de prova, rotina de treinos. Vou falar. Eu aprendo muito com ele e ele comigo, com certeza. Diferentemente da quantidade de chucrice que eu escuto no mundo esportivo a toda hora, faço questão de conversar com esse cara porque sei que dali sai coisa boa. Fora as risadas garantidas rsrsr.

Hora dos últimos ajustes da bike e de escrever para o blog no teclado do celular rs. Minha família vai chegar no aeroporto bem na hora que eu estiver no bike "check-in". Até a minha prima e o meu tio, que eu jamais imaginei que viriam um dia... :-) Estou ansioso por vê-los, apesar de achar que não vou conseguir dar muita atenção antes da prova. Saudades da minha namorada que teve, nesta situação, os chefes mais despreparados e vaidosos, para não dizer outra coisa. A ansiedade começa a falar mais alto agora. Ela aqui agora seria ótimo para me ajudar a dar uma desencanada... Mas, vamos esperar.

Quis fazer esse relato para lê-lo depois da prova. Indo bem ou indo mal, saber como estávamos algumas horas antes do evento é essencial para aprendermos conosco mesmo. Fazer uma mentalização. Lembrar dos treinos duros e solitários. Fazer novos prognósticos. Tem muita coisa em jogo em uma prova como esta. E´ impossível banalizá-la.

Agora, é cabeça no lugar, não esquecer de nada e baixar a ansiedade para estar 100% naquela largada.

Espero voltar a escrever com boas notícias e um sorriso de orelha a orelha.

Vamo que vamo!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O grupo IRONBROTHERS



Há quase um ano atrás, pela iniciativa do meu amigo Wladimir Azevedo e prontamente atendida por mim e pelo Vagner Bessa, foi criado um grupo no Facebook chamado Ironbrothers.

O objetivo inicial do grupo era simplesmente juntar alguns amigos em um local privado para discutirmos nossas experiências com o triathlon e outros esportes de endurance. O fato é que o "bicho picou" e um foi chamando outro, que foi chamando outro e mais outro. Ao longo destes últimos 11 meses, o grupo uniu atletas de todos os cantos do Brasil, com dezenas de interações diárias e informações super úteis. Sem contar as inúmeras vezes que dou muita risada por aqui (rs).

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A cada escolha, uma renúncia



Recentemente, li alguns textos que recriminavam a "nova" onda da saúde, da ditadura do culto ao corpo, que ridicularizavam quem se esforçava para manter hábitos saudáveis. Sempre regados daquele estilo "viemos aqui para curtir". É natural que em um país onde a obesidade, doenças cardiovasculares e relacionadas ao fumo cresçam assutadoramente como problema de saúde pública, campanhas do governo ou dos meios de comunicação todos comecem a aparecer. Afinal, onde estaremos como sociedade em cinquenta anos?
  
Bem, por algumas vezes me aparecem algumas críticas alegando que sou chato quando entramos no assunto de como conduzir a saúde, a alimentação e o estilo de vida em alguma conversa.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Nutrição dos nossos pais



Olá a todos,

Hoje, não tive como não escrever sobre este tema aqui no Blog. Duas coisas me aconteceram em dois dias que mereceram este post.

Ontem foi dia das mães. Fomos para casa da minha mãe eu, meu pai e minha avó para um agradável dia. Minha mãe havia preparado uma comida de primeira qualidade, tanto no capricho do sabor, quanto na qualidade nutricional: um tabule de quinoa, almôndegas de soja ao molho de tomate, arroz, grão-de-bico e salada de rúcula e alface. Uma delícia tudo realmente.

Tanto meu pai quanto minha mãe possuem uma alimentação relativamente boa, pois não tem dificuldades em comer verduras, frutas e legumes, mas estão longe de terem uma alimentação funcional que seria importantíssima para suas idades. Ambos estão com problemas de colesterol alto e ambos ouviram de seus médicos que dieta e atividades físicas não conseguem baixar estes níveis. Lamentável ouvir isso de um profissional que deveria ser mais do que um sistema automatizado de receitar fórmulas alopáticas.

sábado, 12 de maio de 2012

O que tinha que fazer, já foi feito...



Hoje, com o último treino de natação forte, chega ao fim o treinamento duro para o Ironman. 

Daqui para frente, é aquela época que todo atleta espera, mas na hora que está nela, sente falta "da porrada" do dia a dia: o polimento.

Agora, não adianta mais ler nada, estudar, nada, ouvir opinião de nada. Tudo vai servir apenas para colocar caraminholas na cabeça e pensar que fez algo errado.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Wetsuit 2XU - X:2 Project X




Estava ansioso para pegar essa roupa que vou fazer o Ironman.

Peguei no sábado e testei hoje na piscina, em um treino recuperativo. 

FANTÁSTICA!

Velocidade, flutuação, conforto. Não é à toa que é uma das melhores do mundo.

Na quarta-feira será a prova derradeira, quando nadarei mais forte. 

Semana que vem ainda vou tentar nadar na represa aqui de Nazaré Paulista com ela. Confesso que fiquei bem feliz. Estava preocupado em me adaptar, mas a preocupação foi tranformada em segurança completa.

domingo, 6 de maio de 2012

Triathlon Brasileiro: Evoluindo ou involuindo?




Hoje, no mesmo dia que recebo a grata notícia de que Pâmela Oliveira é prata na etapa da ITU de Huatulco no México, carimbando seu passaporte para a Olimpíada de Londres, escuto o podcast da entrevista do experiente técnico e ex-atleta de elite Carlos Eugênio Silva Ferraro. (clique aqui para ir à página da Mundotri onde está a entrevista).


Basicamente, ele falou que o nível do triathlon de alto rendimento brasileiro, a Elite A, os prós, os caras, está involuindo. Ele cita que nos jogos de 2002, o Brasil mandou seis atletas para as Olimpíadas e hoje, está bem difícil enviar três. (no momento, Reinaldo Colucci tem a vaga, Diego Sclebin está tentando garantir a segunda vaga e Pâmela, parece-me, que hoje carimbou o passaporte).

Carlos, que estava respondendo a entrevista do Wagner Araújo da Mundotri em Caiobá, provavelmente durante o tradicional Long Distance, ainda opinou sobre o nível da prova, já que contava com mais de 500 atletas, mas, segundo ele, o nível técnico muito mais baixo que há quatro ou cinco anos atrás. Ele estava, ao que parece no entanto, se referindo à elite, aos profissionais.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Resultado da enquete: Recordes Pessoais



Olá a todos,

Gostaria de agradecer aos 39 triatletas que responderam a enquete. As respostas são anônimas, não tenho como saber quem as respondeu, apenas servem para base estatística.

Gostaria de esclarecer que esta análise é pessoal. Não me baseei em nenhuma metodologia específica, apenas observação, algum conhecimento e bom senso. Sempre tive alguma curiosidade sobre este tema e queria informações reais, ao invés de apenas suposições. Talvez sirva como parâmetro para alguns, ou, para outros, uma idiotice completa.

Não levei em consideração situações da vida do atleta, problemas que possivelmente enfrentaram em provas, como pneu furado, lesões ou outras que entram em caráter de exceção. Trata-se apenas de uma análise pontual, de acordo com as respostas que foram dadas no site.