segunda-feira, 21 de maio de 2012

A cada escolha, uma renúncia



Recentemente, li alguns textos que recriminavam a "nova" onda da saúde, da ditadura do culto ao corpo, que ridicularizavam quem se esforçava para manter hábitos saudáveis. Sempre regados daquele estilo "viemos aqui para curtir". É natural que em um país onde a obesidade, doenças cardiovasculares e relacionadas ao fumo cresçam assutadoramente como problema de saúde pública, campanhas do governo ou dos meios de comunicação todos comecem a aparecer. Afinal, onde estaremos como sociedade em cinquenta anos?
  
Bem, por algumas vezes me aparecem algumas críticas alegando que sou chato quando entramos no assunto de como conduzir a saúde, a alimentação e o estilo de vida em alguma conversa.


Gostaria de dizer que, por mais que eu tenha vontade (rsrsrs), tento não ser chato com o estilo de vida e opções que cada um escolheu para si. Quem sou eu para evangelizar, convencer ou doutrinar alguém, não é mesmo? Mesmo as pessoas que me conhecem de longa data, sabem que eu nem sempre fui esse atleta, com vida regrada, que não bebe e não sai à noite, então, não me considero com moral para tentar convencer ninguém do contrário.

Gostaria de deixar claro que a minha intenção NUNCA foi de tentar mudar a cabeça e os hábitos de ninguém. Como diz meu pai, eu não consigo convencer nem um cachorro abanar o rabo, quanto mais alguém de algo (rsrsrs). No entanto, tem realmente uma coisa que me causa certo desconforto quando entramos neste tipo de assunto: a imensa maioria das pessoas que querem o bônus, sem ônus.

Aí, me desculpem, mas não é mais uma questão de convencimento ou mesmo do mérito dos assuntos saúde e estilo de vida, e sim uma questão de tentarmos manter um assunto logicamente coerente. É o mínimo que peço a quem interage comigo em uma conversa. Sensatez e coerência lógica.

Eu optei em ser atleta, ter uma vida longe das baladas, do álcool, das drogas, das guloseimas, dos inúmeros eventos sociais, principalmente à mesa, que somos convidados o tempo todo. Opção minha. Não me critiquem que não tento convencê-los de nada. Mas eu SEI dos ônus e dos bônus desta minha decisão. Sei que perderei momentos bacanas com pessoas queridas, sei que perderei comidas gostosas, sei que me passarei por chato e antissocial em vários momentos. Mas sei, da mesma forma, que terei por muitos anos, a possibilidade de fazer um esporte difícil como o triathlon, sei que terei uma saúde que me permitirá não ter problemas, sei que só irei aos médicos para fazer exames de rotina, sei que só vou entrar na farmácia para comprar barras de proteína e pastilhas Valda, sei que com cinquenta anos de idade terei aparência de dez anos a menos e terei disposição e saúde melhores do que moleques de vinte e realizando as atividades que eu gosto, totalmente não relacionadas ao esporte, inclusive. Sei que antes dos oitenta e cinco anos não terei dificuldades em subir escadas ou andar por bastante tempo. Sei também dos riscos de meu esporte. Sei que é um esporte de limites, sei que em muitos momentos ele não é saudável e oferece riscos, tanto à saúde, como à integridade física ao pedalar nas estradas, por exemplo. Tudo isso, no entanto, é opção pura. Uma troca pura. Conheço os caminhos para conseguir e os pedregulhos que tenho que enfrentar.

Quando a pessoa opta por um caminho inverso ao meu, e com todo o direito do mundo de fazê-lo, ela provavelmente vai curtir as melhores bebidas, vai ter o prazer de degustar as comidas mais gostosas, vai ter o prazer de fumar seus cigarros e comer seus chocolates, suas picanhas e suas tortas sem culpa alguma, enfim, ela terá vários bônus desta sua opção. Entretanto, pelo amor de deus, não me venham querer ter a mesma saúde que eu, querer sair para correr comigo, reclamar que o médico mandou tomar um certo remédio, reclamar que tem dores de cabeça frequentes, reclamar que não conseguem realizar as tarefas diárias simples porque tem dores nas costas, dores nos joelhos ou indisposição,  reclamar porque o cabelo está caindo ou a unha está enfraquecida, reclamar porque é a terceira vez no ano que ficam gripadas, reclamar que seus índices de colesterol estão altos, ou, após os quarenta anos, querer ter uma aparência bacana quando vai à praia, enfim, como quis dizer no título do post, a cada escolha, temos uma renúncia.

Não reclamo nem recrimino sua opção de estilo de vida, mas não venha me querer empurrar goela abaixo que você também merece os bônus que eu tenho, porque não merece. Arque humildemente com as consequências de suas escolhas de conduta de vida. Assim como eu não posso ter os seus bônus, pois tenho todas as minhas resignações, você também não pode ter os meus. Esta é uma lei que não depende de nossas vontades porque é uma lei da Natureza e ela é uma ditadura, indiferente às nossas opiniões, porém extremamente justa. 

Caso queira mudar de hábitos e precisar de orientação, estou aqui para ajudar no que eu puder, mas sou o cara que acredita na inteligência e no esforço, não nas fórmulas prontas, na estupidez e no hedonismo. Se optou por uma vida oposta à minha, sem problema algum. Teremos bons papos e uma boa amizade. Mas se é do estilo que quer desfrutar de muitos dos meus bônus, sem as devidas renúncias, sinto muito, mas nosso papo nunca fluirá. O mundo não precisa de mais gente querendo ter o lado bom, sem ter o devido esforço. Já temos aos montes e não está dando muito certo.


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