segunda-feira, 14 de maio de 2012

Nutrição dos nossos pais



Olá a todos,

Hoje, não tive como não escrever sobre este tema aqui no Blog. Duas coisas me aconteceram em dois dias que mereceram este post.

Ontem foi dia das mães. Fomos para casa da minha mãe eu, meu pai e minha avó para um agradável dia. Minha mãe havia preparado uma comida de primeira qualidade, tanto no capricho do sabor, quanto na qualidade nutricional: um tabule de quinoa, almôndegas de soja ao molho de tomate, arroz, grão-de-bico e salada de rúcula e alface. Uma delícia tudo realmente.

Tanto meu pai quanto minha mãe possuem uma alimentação relativamente boa, pois não tem dificuldades em comer verduras, frutas e legumes, mas estão longe de terem uma alimentação funcional que seria importantíssima para suas idades. Ambos estão com problemas de colesterol alto e ambos ouviram de seus médicos que dieta e atividades físicas não conseguem baixar estes níveis. Lamentável ouvir isso de um profissional que deveria ser mais do que um sistema automatizado de receitar fórmulas alopáticas.

Ao terminar o almoço eu disse algo como: "Nossa, é uma bênção ter uma comida como esta enquanto quase todo mundo hoje está comendo carne, fritura e gordura" e eles concordaram. 

Minha alegria não durou muito...rs.

Minha mãe trouxe um pudim de leite condensado que ela havia feito. Ok, um docinho para quem gosta, depois de uma ceia dessa e não está preocupado com performance em provas de triathlon, sem problemas! Se não fosse o fato deles três terem comido o pudim todo! Não sei se o pior foi comer o pudim todo em três pessoas ou achar isso normal depois que falei um monte (rs).

Quem me conhece sabe que eu sou meio mala quanto a isso, mas procuro me policiar para não ser um chato ao lado das pessoas à mesa para não estragar-lhes a refeição. No entanto, são meus pais e ambos com colesterol alto. Meu pai, inclusive, com aquele sobrepeso perigoso a esta idade. Não tenho como não ser chato. Nestas circunstâncias, sob a minha ótica, não ser chato é uma prova inequívoca de desamor e conivência.

No café da tarde, minha mãe colocou à mesa pães, margarina, requeijão light, leite desnatado, café, peito de peru, geleia, enfim, uma mesa bacaninha de café. O pão integral ali, bonitinho, pronto para ser atacado por mim obviamente, mas, os três atacaram o pão branco. Até aí, sem muitos problemas, até ver meu pai acabar com 1/3 do pote de requeijão. Com colher! E o pior, mais uma vez achou que era exagero meu ao criticá-lo (rs). Afinal, o que pode prejudicar umas 10g de gordura saturada nas veias de uma pessoa com colesterol alto? Nada! rsrsrs.

O assunto "nutrição" tomou boa parte do fim de tarde e da noite. Eu tentando direcioná-los da melhor forma, tentando convencê-los de que quando o assunto é nutrição, um esforço grande representa um benefício pequeno, por isso é que os médicos não investem nisso, pois a probabilidade de êxito com pacientes dessa idade com esta metodologia é mínima e, por isso, preferem prescrever remédios. São mais imediatos, são mais próximos das fórmulas prontas e da facilidade, inerente ao que a sociedade hoje busca: resultados sem esforço.

Ao chegar em casa, aconteceu o segundo momento que me trouxe a luz para escrever este post. Entrei no Facebook e um amigo meu o George, que mora fora do país, publicou esta foto que coloquei logo no início do texto. Trata-se de uma propaganda dos anos 50, provavelmente, que incentiva, não só o consumo, como o exagero na utilização de manteiga, alegando que ela lubrifica as veias! Meu pai mesmo, em outras conversas, já havia me falado como o apelo para o consumo de produtos lácteos e de origem animal era grande. Mas ver esta propaganda simplesmente me fez cair na real de quão grave o problema é para esta geração dos meus pais. 

Para quem é da minha faixa etária, é só lembrar quantos produtos lácteos foram e são consumidos normalmente por nossos pais, tios, pais de amigos, tios de amigos, sogros, sogras, etc. Depois de ver esta propaganda, é fácil entender porque existiu toda uma geração com problemas cardíacos. Não posso negar que por mais bizarrices alimentares que eu tome conhecimento o tempo todo, esta propaganda realmente me chocou. Fico imaginando que tinham outras similares quando o assunto era consumo de carne! Pelo menos quanto a esta última, meus pais não precisam se preocupar.

À noite, ainda na casa da minha mãe, encontrei uma revista, dessas de boa saúde, e lá havia uma curta reportagem dando quatro dicas alimentares para baixarmos os níveis de colesterol. Aquele fato, por si só, já refutava o argumento de ambos os médicos, não é mesmo? Pedi um minuto de atenção dos dois e li o texto. Dicas como tomar suco de uva, comer oleaginosas (como pistache e amendoim) e ômega 3 de peixes. São dicas válidas? Claro! Eles davam, inclusive, justificativas científicas para cada dica. No entanto, enquanto eu lia aquela matéria eu já previa o que deveria estar se passando na cabeça de ambos: "Bom, portanto, será só seguir estas dicas e pronto!". 

Como disse anteriormente, quando o assunto é nutrição, um esforço grande representa um benefício não tão grande assim. Portanto, está na cara que para que os níveis de colesterol de ambos baixe, todo um contexto de mudança de hábitos, em relação à nutrição e às atividades físicas, deve ser alterado. Dentre eles, aquelas dicas da revista podem ser úteis, mas, apenas dentro deste contexto. Medidas pontuais, simplesmente, não surtirão efeito algum.

É por isto que gosto deste tema. Nutrição. Aqui, a natureza é implacável e não dá espaço para contextos sociais e fórmulas prontas. É como se existisse uma mão divina que, implacavelmente, nos dissesse: "Ou se esforça ou terá problemas!".

Mas como mudar a forma de pensar de pessoas na faixa dos 60 anos, que eram rodeados de informações como esta propaganda durante boa parte de suas vidas? Além disso, como eu, um caboclo qualquer aqui, triatleta esforçado, que tenta entender de nutrição, vai ganhar no argumento de um médico, mesmo que este último fale a pior das asneiras?

Não sei a resposta, mas uma coisa eu sei: o bem estar e a vida deles me parecem estar à mercê da minha chatice e insistência. E se tem uma coisa que eu sei fazer muito bem, é ser chato! rsrsrsr.

O meu pai foi professor de Português grande parte de sua vida. Ao ler este texto, ele provavelmente vai me ligar e discutir os erros de concordância e ortografia que cometi no post. Assim como escrever "post", uma palavra estrangeira, sem aspas duplas ou itálico rsrsrs. Mas vocês acham que ele vai falar de nutrição??? rsrsrsrrs

Ulisses

6 comentários:

  1. Grande Ulisses,
    Aos poucos a gente vai se reeducando! :)
    Meus pais estão bem, mas realmente é muito interessante como essas coisas vêm de geração pra geração... Lá em casa ninguém nunca foi muito doceiro e minha mãe sempre fez um rango saudável, como praticamente nada de óleo, muitas verduras e legumes e quase sempre peixe ou frango em vez de carne vermelha. Agora o grande vilão infiltrado na família, pasme, sempre foi o café da manhã, quem diria, sempre REGADO a salames e queijos... Ao menos no café ou chá não vai açúcar, rs!
    Abs

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    1. Bom saber de notícias de seus pais! De forma geral, ter uma alimentação saudável é bem diferente de ter uma alimentação de atleta. O fato de uma família comer saladas, verduras, frutas e deixar de lado coisas mais gordurosas, provavelmente teremos uma saúde equilibrada para uma qualidade de vida boa. Acredito que é o caso dos meus pais também. O problema é que existem alguns vilões que as pessoas não costumam relacionar com alguns males que as fazem ter que enfrentar períodos infindáveis em médicos e farmácias, principalmente quando a idade vai chegando. Normalmente, estes vilões estão associados às gorduras saturadas, açúcar refinado, etc.

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  2. Ulisses, belo texto.
    penso da mesma forma e me assusto mais com a alimentaçao das crianças.
    o negocio ta feio.
    Moleque de 12 anos gordo eh o q mais tem .
    e a minha irma q alimenta os filhos com arroz branco, batata palha e nuggets? O mais velho vai fazer 10 anos e ta com 190 de colesterol.
    muito foda isso.

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    1. Cara, quando assunto é alimentação das crianças, o buraco é muito mais embaixo realmente. Adultos tem acesso à informação e, de alguma forma, podem mudar suas vidas. Em última instância, se não quiserem mudar, é um direito de cada um levar a saúde que julgar melhor. Agora, criança é totalmente influenciada pelos hábitos alimentares da casa. Seus pais que definem como será o futuro alimentar delas. Sendo assim, ver crianças tratadas a doces, frituras, sem frutas, sem legumes, sem verduras, apenas com salgadinhos e outros cancerígenos, é uma prova de desamor sem tamanho ao meu ver, principalmente vinda de uma família de classe média/alta onde o acesso à informação e dinheiro para comprar comida não é o problema. Ouvi dizer que nos EUA estava tramitando uma lei que tirava a guarda dos filhos de pais que os alimentavam dessa forma. Óbvio que existem outras questões envolvidas, tão ou mais graves do que esta, eu mesmo não sei se concordo com isso, mas apenas para ilustrar a proporção do problema. Vc deixar uma criança comer uma merda de vez em quando, ir no Mc Donalds, sem crise, mas aquilo não pode ser o hábito alimentar diário dela. É como se estivéssemos os envenenando aos poucos. Os pais são extremamente culpados de uma situação como essa, sem dúvidas.

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  3. Fala Ulisses, parabéns pelo blog, acompanho tudo e engraçado...eu me identifico pacas com seus pontos de vista. Até falam que eu sou chato rsrsrs...

    Meus pais são dessa leva que se acostumaram a comer manteiga aviação, frituras e outros venenos. Não se esqueça dos chocolates que em décadas passadas, faziam comerciais de tevê passando a idéia que chocolate era vitamina/energia/saudável para se crescer forte e feliz. Mais uma vez o Capitalismo fazendo suas vítimas a troco do consumo não?

    Fato é que nessa semana dormi no hospital com a minha mãe. Sim, eles vão envelhecendo e a saúde começa a apresentar a conta. Na idade deles é difícil retroceder e mudar hábitos de muitos anos. Mas aproveitei esse motivo negativo para forçar de vez uma mudança na dieta deles. De agora em diante minha mãe não cozinha mais. Adeus frituras (tempurás), missou-shiros (sopa de soja salgadíssima), arroz branco (gohan) e bolos de farinha branca. Hoje mesmo, eu que cozinhei e os fiz comer: arroz integral temperado com um fio de azeite, orégano e pitada de sal. Salada de folhas e legumes cozidos. Incrível, acharam deliciosa a comida que eu faço pra mim todo dia.

    Claro que fazê-los provar a minha comida foi só possível depois que um MÉDICO falou que deveriam mudar a dieta se quisessem viver por mais anos.

    Abração

    Paulo

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    1. Oi Paulo, bem legal o que escreveu...Você ainda mora com seus pais, pelo visto, e conseguiu realizar este procedimento. No meu caso, tenho que fazer algo meio remoto, mas é MUITO difícil. Minha mãe está com a alimentação melhor, baseada em integrais, pouca gordura, verduras, enfim. No entanto, ela é daquelas que o "de vez em quando" é uma certa frequência. Ela ainda não entendeu que para termos pequenos benefícios, a mudança deve ser GRANDE. Para quem precisa abaixar o colesterol sem tomar remédios, precisa realmente se dedicar. Atividades físicas diárias e alimentação saudável. Não adianta, no entanto, depois de um belo prato de comida saudável, enfiar um bolo ou um doce muito gorduroso para dentro, e em uma quantidade que dá para duas pessoas comerem. Uma comida não compensa a outra. No caso do meu pai, existem dois problemas: o primeiro é relacionado ao consumo de laticínios. Ele realmente tem essa cultura e mesmo já adaptado a esta questão do "desnatado", nós sabemos que leite e derivados, mesmo os desnatados e lights, devem ser consumidos com muita moderação, principalmente para quem tem colesterol alto e sobre peso. Temos a questão da lactose, do excesso de proteínas, as farinhas que eles adicionam aos produtos, enfim. O outro problema dele é aquela opinião, completamente cultural, de que "não dá para fazer tal coisa". Falar em levar algo para comer quando está na rua ou no trabalho, para não ficar refém de cantinas de escola e pizzarias à noite, um milhão de argumentos vem, daqueles que sabemos que a pessoa está dando uma aumentada para justificar o porquê de não conseguir. "Ahhh mas isso não dá!, como vou fazer para comer entre uma aula e outra?" (ele é professor), enfim, essas coisas. Nada disso me convence, pois eu fui tão ocupado quanto meu pai e fazia, portanto, é simplesmente hábito e nada me convence do contrário. O outro problema dele é ser formigão. Gostar de doces. Só que ele é daqueles que não coloca açúcar no café para ser "perdoado" ao comer um doce híper gorduroso, alegando que sua percentagem de açúcar ele come ali. Ele só esqueceu de ver que a gordura que tem naquele doce é suficiente para uma semana de minhas atividades triat;eticas rsrsrsr.

      Se eu falar da minha sogra, então, o buraco é muito mais embaixo. Além de tudo isso que tem meus pais, ela ainda come muito mal. Não come frutas, não come saladas, seu café da manhã é um café preto lotado de açúcar, fuma pra caramba, adora tudo que é frito, marrom e aamrelo.

      O maior problema é cultural realmente. Muito difícil entrar no tema sem sair de chato e esperar dar um treco forte para o médico proibir de algo, como aconteceu com sua mãe, é algo que as vezes até torcemos. Há males que vem para o bem.

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