quinta-feira, 31 de maio de 2012

O paradoxo da inscrição para o Ironman



Amanhã abrem-se as inscrições para o Ironman Brasil 2013. Tudo indica, assim como foi em 2012, que as inscrições se esgotarão em poucos minutos. Estamos falando de uma prova que, até bem pouco tempo atrás, era perfeitamente viável decidir nos inscrever no final do ano anterior. Hoje, esta "folga" não existe mais.

Tudo tem o lado bom e o lado ruim, obviamente. O lado bom desta "corrida pelo ouro" é a prova inequívoca de que o esporte está crescendo. Não o triathlon propriamente dito, mas ao menos a sua versão mais "insana", o Ironman. Com este crescimento, provavelmente ganhará mais notoriedade na mídia, mais adeptos no futuro, mais pesquisas científicas em cima do esporte, enfim, a máquina gira. 

O lado ruim, entretanto, é a antipatia desta obrigatoriedade para se tomar esta decisão com esta antecedência absurda. Atrelado a isso, temos a questão do custo. O preço da inscrição do Ironman está crescendo exponencialmente a cada ano. Lei da oferta e procura? Sim, possivelmente. Com a modalidade crescendo e um número de vagas limitadas, a única coisa que justifica estes aumentos muito além da inflação e dos custos operacionais todos é a lei da oferta e procura. Estão, a cada ano, testando até que ponto os triatletas são capazes de desembolsar dinheiro.
Isto por si só, é uma coisa antipática. Se algum empresário abre um negócio diferenciado, de extrema necessidade para um certo público, sem concorrentes, e cobra muito sobre aquele produto ou serviço, a situação é da mesma forma antipática, mas, normalmente, isso ocorre com algum item que realmente é extremamente necessário. No caso do Ironman, ele não é necessário, mas apenas uma prova de endurance. Muito legal, por sinal, mas não passa de uma prova de endurance. Torná-la uma obrigação anual? Uma espécie de peregrinação à Meca no final de maio de cada ano? Como sempre, a busca pelo lucro sem limites está transformando algo bacana em algo antipático. Com um preço acessível, o Ironman seria sim um evento obrigatório anual para mim, mas com este bingo que criaram, acaba desestimulando demais.

Sendo assim, chegamos a um paradoxo. Se analisarmos esta tendência a médio e longo prazos, podemos concluir que em algum ponto do futuro, teremos um esporte muito mais difundido, popularizado, conhecido e cientificamente mais estudado, mas com seu nível técnico centralizado cada vez mais para uma elite financeiramente privilegiada. Aparentemente, o nível do Ironman vem crescendo a cada ano, mas até quando? Além disso, quantos de nós, triatletas, já ouvimos histórias de excelentes atletas que simplesmente sumiram do circuito Ironman porque não queriam mais sentirem-se explorados?

Que o triathlon é um esporte caro e hoje só é praticado por uma parcela da população, no mínmo, de classe média, isto é sabido. Mas daí transformar o Ironman em uma iguaria de consumo, aí já está ficando demais.

O que estou notando, infelizmente, é que esta tendência de aumentos descabidos em preços de provas de triathlon é uma tendência aqui no Brasil. Não só no Ironman, mas em todas as outras distâncias. Quando aparece uma outra empresa internacional abrindo novos circuitos por aqui, acendendo a esperança de abrir uma concorrência e diminuir custos, o que ocorre é exatamente o contrário. Parece que balizam os preços por cima, afinal, diferentemente dos outros ramos de negócio onde os empresários precisam lutar para terem clientes, este é um ramo onde isto parece não acontecer. Os clientes simplesmente compram o "produto" até o fim do "estoque", sem questionar e sem analisar concorrência. É quórum certo sempre!

A questão é: onde vamos parar? Estão acabando com o verdadeiro espírito do esporte.

Certamente, farei outros Ironmans. Aqui no Brasil ou em outro lugar do mundo. Mas não quero entrar nesta máquina de caça-níqueis legalizada. Infelizmente, Ironman Brasil em 2013, não estou dentro.

3 comentários:

  1. Ulisses, 100% de acordo contigo.

    Até este ano, eu consegui bancar os custos. Mas acabei de voltar de floripa e na mesma semana tem a inscrição para 2013 com valor bem superior a deste ano.

    Eu gostaria MUITO de participar, mas não vou sacrificar as contas da casa por causa do IM.

    Farei sozinho, nos arredores daqui de casa se preciso for.

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  2. Eu tb nao vou fazer a inscrição! a nao ser que me caia no colo 1500 reais agora!!! Foda ne! em 2010 eu levei uma semana para decidir se eu ia ou nao....bora para outro desafio...

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  3. Querem acabar com os pipocas, mas com tanta exploração acredito que crescerão ainda mais.

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