quarta-feira, 2 de maio de 2012

Resultado da enquete: Recordes Pessoais



Olá a todos,

Gostaria de agradecer aos 39 triatletas que responderam a enquete. As respostas são anônimas, não tenho como saber quem as respondeu, apenas servem para base estatística.

Gostaria de esclarecer que esta análise é pessoal. Não me baseei em nenhuma metodologia específica, apenas observação, algum conhecimento e bom senso. Sempre tive alguma curiosidade sobre este tema e queria informações reais, ao invés de apenas suposições. Talvez sirva como parâmetro para alguns, ou, para outros, uma idiotice completa.

Não levei em consideração situações da vida do atleta, problemas que possivelmente enfrentaram em provas, como pneu furado, lesões ou outras que entram em caráter de exceção. Trata-se apenas de uma análise pontual, de acordo com as respostas que foram dadas no site.

Para cada tipo de prova de triathlon, short, olímpico, longa distância (70.3) ou Ironman, foram atribuídos cinco intervalos de tempo, referindo-se aos melhores tempos, ou recordes pessoais, de cada atleta em cada distância, conforme a tabela abaixo:








Para cada uma dessas "linhas" da tabela acima, foram atribuídos números de 1 a 5, apenas para conseguir criar um gráfico compreensível pelo Excel, conforme a tabela abaixo:








A teoria que defendo é a de que existe uma certa lógica entre estes tempos nas diferentes distâncias e, caso esta lógica não aconteça, alguma coisa pode estar errada em algum aspecto. Tentarei explicar mais abaixo estes pontos.

Criei um modelo de gráfico que possa ser analisado de forma mais clara. Apenas para exemplificar, imaginem um mundo perfeito, com cinco atletas perfeitamente homogêneos, isto é, possuem tempos em provas curtas, médias e longas coerentes entre si. O tal gráfico ficaria representado da seguinte forma:



Neste exemplo, o atleta mais rápido, em todas as distâncias, é representado pelo menor losango simétrico (Atleta 1) e o mais lento pelo maior (Atleta 5). Na verdade, o losango perfeitamente simétrico no gráfico acima é um quadrado. 

No mundo real, isso nem sempre acontece. Temos os atletas que se dão melhor em uma ou outra distância de prova e seu gráfico, seu losango, não seria simétrico. Ainda a título de exemplo, um atleta melhor em provas curtas (Short e Olímpico) do que em provas longas (70.3 e Ironman), teriam um gráfico como segue:



Visto todo este cenário, segue o gráfico dos 39 atletas:


Aqui, apesar de muitas linhas e da confusão do gráfico, dá para reparar que a realidade não é tão homogênea.

Considerando apenas os atletas que responderam no mínimo três recordes pessoais nas distâncias, dos 39 atletas, 12 considerei homogêneos, isto é, podem não ter todos os valores idênticos, mas possuem uma linha de homogenidade, com apenas uma resposta um ponto acima, ou abaixo. Apenas 3 atletas, no entanto, com losangos perfeitamente simétricos. 14 destes atletas considerei melhores em provas curtas do que em provas longas, isto é, com losângo maior para baixo e para esquerda, e apenas dois atletas considerei melhores em provas longas do que curtas, isto é, com losângo maior para cima e para a direita. Sinceramente, não me espantei com o resultado. Ficaram dentro do que eu imaginava de acordo com o que percebo nas conversas e observações.

Os outros atletas restantes, responderam menos de três itens e fiquei sem critério de comparação. Um deles oscilou tanto nos três itens, que eu não soube como classificá-lo. Provavelmente, situações de provas completamente atípicas o surpreenderam nas provas.

Vou tentar colocar agora, o que eu penso de cada cenário desse.

Atletas homogêneos: Atletas cujo losango é simétrico, ou quadrado, ou muito próximo do simétrico. Este, na minha opinião, é o ideal que todos nós deveríamos atingir, independentemente de performance, independentemente se o losângo é pequeno ou grande, apenas respeitando a sua simetria. Provavelmente são atletas mais experientes, com uma boa percepção de esforço, começaram pelo caminho tradicional, isto é, primeiramente pelas provas curtas, para depois evoluirem nas longas. Sabem treinar para as mais variadas situações e distâncias. Provavelmente, também, possuem boa nutrição para conseguirem desempenhar nas provas longas do mesmo jeito que desempenham nas curtas, apenas com as devidas diferenças naturais de "pacings".

Atletas melhores em provas longas que curtas, ou com losângo maior para cima e para direita:
Na minha opinião, estes atletas, possivelmente:
- Optaram pelo caminho inverso da recomendação de se começar pelas provas curtas antes de partirem para as longas. Não vejo isso como um erro, na verdade, mas uma característica;
- Encontraram mais prazer em treinar para provas longas, talvez por não gostarem tanto de treinos diários em alta intensidade, podendo intercalá-los com treinos mais leves, moderados e longos;
- Possuem uma adaptação natural psicológica ao tédio de muitas horas de treino sem muitas variações e séries;
- Possuem um interesse especial por nutrição;
- Estão em uma faixa etária mais alta, possivelmente acima dos 35 anos;
- Sentem muito desgaste físico e psicológico ao se submeterem a treinos diários de alta intensidade, prejudicando a recuperação;
- São mais despreocupados com tempos de tiros e intervalos;
- São mais preocupados com sua rotina semanal, de forma a equilibrar o desgaste entre exercícios longos e exercícios intensos;
- Muito mais atentos à economia de energia no movimento do que à intensidade;


Atletas melhores em provas curtas que longas, ou, com losângo maior para baixo e para a esquerda:
Na minha opinião, estes atletas, possivelmente:
- Adoram treinar sempre em intensidades altas;
- Não lidam muito bem com o psicológico necessário para o tédio dos treinos de muitas horas em intensidades mais baixas que de costume;
- Não é difícil "apostarem corrida" nos treinos, não permitindo que os benefícios fisiológicos dos treinos em baixa intensidade sejam alcançados;
- Tem um interesse básico sobre nutrição, não vão a fundo na questão, o que pode ser um grande limitador para provas longas;
- São fanáticos por tempos de tiros e intervalos nos treinos como modo de mensurar e observar suas melhoras;
- Possuem um componente genético que propicia mais velocidade, possivelmente relação maior de fibras rápidas;
- Estão em uma faixa etária mais baixa, possivelmente abaixo dos 35 anos;
- É possível que treinem para as provas longas da mesma forma que para as curtas, acrescentando apenas o fator "longo semanal";
- Muito mais atentos à intensidade do que à economia de energia do movimento;

Novamente, tudo isto é muito especulativo, muita opinião pessoal e o objetivo é realmente despertar as diversas opiniões. A idéia é sempre aprendermos.

Não deixem de responder a próxima enquete:
Dias de descanso semanais (ou OFFs)

Valeu!
Ulisses

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