domingo, 6 de maio de 2012

Triathlon Brasileiro: Evoluindo ou involuindo?




Hoje, no mesmo dia que recebo a grata notícia de que Pâmela Oliveira é prata na etapa da ITU de Huatulco no México, carimbando seu passaporte para a Olimpíada de Londres, escuto o podcast da entrevista do experiente técnico e ex-atleta de elite Carlos Eugênio Silva Ferraro. (clique aqui para ir à página da Mundotri onde está a entrevista).


Basicamente, ele falou que o nível do triathlon de alto rendimento brasileiro, a Elite A, os prós, os caras, está involuindo. Ele cita que nos jogos de 2002, o Brasil mandou seis atletas para as Olimpíadas e hoje, está bem difícil enviar três. (no momento, Reinaldo Colucci tem a vaga, Diego Sclebin está tentando garantir a segunda vaga e Pâmela, parece-me, que hoje carimbou o passaporte).

Carlos, que estava respondendo a entrevista do Wagner Araújo da Mundotri em Caiobá, provavelmente durante o tradicional Long Distance, ainda opinou sobre o nível da prova, já que contava com mais de 500 atletas, mas, segundo ele, o nível técnico muito mais baixo que há quatro ou cinco anos atrás. Ele estava, ao que parece no entanto, se referindo à elite, aos profissionais.

É bem verdade que não escuto isso apenas do Carlos Eugênio, mas de vários outros treinadores e atletas "das antigas". Eu, que não sou triatleta a tantos anos assim, não peguei essa época, então, mais escuto do que opino. Fico pensando até que ponto não é saudosismo da galera mais velha do triathlon ou se é um fato real e concreto.

O que eu vejo é que o triathlon está crescendo muito no Brasil do ponto de vista de praticantes e amantes. O próprio Carlos Eugênio falou isso na entrevista. Quanto à queda na qualidade técnica, ele, novamente, me pareceu se referir aos profissionais, de nível olímpico. Mas e os amadores?

Posso não ser "da velha guarda", mas ao que me consta, o nível do triathlon amador brasileiro está absurdamente maior que a alguns anos atrás. Eu, na minha eterna curiosidade sobre o esporte, já analisei vários resultados de vários anos e posso afirmar sem medo de errar que, pelo menos em provas de longa distância 70.3 e Ironmans, o tempo que os amadores brasileiros do passado faziam eram muito aquém do que hoje. Pódios eram conquistados no passado com tempos que hoje, talvez, nem ficassem entre os dez primeiros das categorias. Até a poucos anos atrás, pegar vaga para Kona próximo de 10 horas, era normal. Hoje, isso ficou só na lembrança.

Então, temos um paradoxo: o triathlon profissional de alto rendimento brasileiro, está decaindo em nível (pelo que escuto e analiso da entrevista do Carlos Eugênio). Por outro lado, o amador está crescendo seu nível técnico assustadoramente. Como pode acontecer tal fenômeno? O esporte é o mesmo, portanto, ele deveria crescer como um todo, não?

Justificar tudo isso alegando que os amadores estão se dopando? Sim, isso existe e muito pelo que escuto, mas isso está longe de explicar estes resultados todos. Eu nunca tomei porcaria nenhuma de bomba, e tenho bons resultados. Conheço vários outros atletas na mesma toada. Eu atribuiria tudo isso, da perspectiva amadora, ao crescimento do número de praticantes e ao entendimento fisiológico e nutricional para o triathlon, subsidiando treinadores e atletas de melhores metodologias de treinamento. Diria que os atletas e treinadores estão cada vez mais aprendendo a treinar e a ensinar. Mas porque cargas d'água tudo isso não ocorre no profissional? Ou será que ocorre, mas o nível dos atletas de outros países é que aumentou demasiadamente?

Fica aqui minha pergunta à vocês. Realmente, não sei responder.

Ulisses


3 comentários:

  1. Na verdde Ulisses, não tenho certeza se o nível amador está crescendo em provas de "olímpico" ... tb não tenho muit tempo de triathlon ...

    E como o nenem falou os amadores estão indo muito mais pra longa distancia (cada vez mais cedo) e fugindo das provas porcarias q algumas federações/organizadores fazem ...

    Abraço
    Victor Cortez

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  2. O nível do triathlon profissional do Brasil regrediu mesmo, é fato, em Atenas tínhamos 6 atletas, (3 femininos e 3 masculinos). Não fomos bem, é verdade, mas desde então não houve renovação.
    O amador evoluiu muito sim, mas nas distâncias mais longas. Vejo em provas Olímpicas e short tempos iguais ou piores do quem em 2003/2004, ao contrário do que acontece no 70.3 e Iron.
    Além disso, a busca pela distância longa a qualquer custo fez com que atletas usem as provas mais curtas para treinos e não como objetivo. Hoje o cara faz 1h10 (25/30) no short em Santos e pega pódium, em 2003 ficaria em 20º.

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  3. Sergets, não sei não...vc está se referindo muito ao TB e este, realmente, está ficando às moscas, mas não acredito que tenha nada a ver com o nível dos atletas. Outras provas de triathlon curtos, como as da série SESC tem feras competindo... Além do mais, esse argumento de que antigamente 6 atletas brasileiros foram para olimpíadas é meio falho, pois os tempos deles eram ridículos se comparados aos índices de hoje....o Juraci fez 2h02 na Olimpíada, para ter idéia, Leandro Macedo 1h57...esses tempos hoje os caras iriam ter problema até no amador... O próprio Juraci hoje está mandando 1h51 direto nas etapas de ITU, mesmo assim, dificilmente está entre os 10... Acho que o nível do esporte mundial evoluiu muito depois que ele virou Olímpico, em nível mundial, e no Brasil não foi diferente, mas, agora não tem mais espaço pro "jeitinho" ou pro "mais ou menos". Isto que estou escrevendo aqui é o que eu acho e muito "roubado" do que uns brotheres estão postando sobre o post em uma comunidade que participo...Vagner Bessa, Leopoldo Ribeiro, Ronaldo Aguiar e outros... e eu concordo com eles....acho que está havendo um certo saudosismo.... não sei não... precisamos saber diferenciar se é o nível dos atletas que está caindo ou se são as provas curtas, principalmente TB, que estão ficando uma merda, como disse o Victor aí em cima...

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