terça-feira, 19 de junho de 2012

O pH do nosso corpo




Olá a todos, 

Como todo atleta, tenho aquele ímpeto de querer melhorar sempre. Melhorar, no sentido esportivo da palavra, significa ir mais rápido em provas de endurance. Sei que dezenas de controvérisas desta máxima aparecerão, pois, para muitos, os esportes de endurance são encarados como estilo de vida saudável apenas, o que não é errado, mas, para mim, a partir do momento que estamos em alguma prova, competição, campeonato ou qualquer outro nome que tenha alguma proximidade a estes, o melhorar é ir mais rápido.

O problema que para irmos mais rápido, vários fatores precisam estar alinhados. O "ir mais rápido", nada mais é do que uma consequência de melhoras fisiológicas e biomecânicas em nosso corpo ao longo do tempo. Tornamo-nos mais resistentes, mais fortes, mais velozes, mais eficientes e mais econômicos.



Sendo assim, é natural que questões fora treinamento estejam sempre na boca de atletas como sono, nutrição, recuperação, estresse, etc. Tudo que faz mal para um indivíduo qualquer, para um atleta, além de fazer mal, também prejudica de alguma forma a performance. Existe uma proximidade muito grande entre o que as pessoas em geral deveriam saber para evitar doenças com a performance atlética. 

Obviamente, atletas devem ir além do básico. Ter hábitos de vida saudáveis é o mínimo que um atleta precisa. Acredito que ele, se realmente busca desempenho, deve buscar um equilíbrio máximo da maioria destes fatores que impactam em nossa vida.


É nesse contexto que comecei a me interessar por mais este tema relacionado à acidez de nosso corpo. Por influência de um amigo, o Fernando Quirino, lá do grupo Ironbrothers, comecei e pesquisar sobre o assunto e confesso que não só descobri coisas novas, como tive que rever alguns paradigmas.

Nestas pesquisas, encontrei uma frase altamente impactante: "Não há doença alguma que se desenvolva em um meio alcalino, apenas em um meio ácido" (observem o desenho acima). Bom, como atleta, assim como disse anteriormente, a minha preocupação não é apenas não ficar doente. No entanto, se algo evita a manifestação de doenças, certamente possibilita um meio ideal para aumento de performance. Até meio óbvio isso. O que seria, portanto, ter um corpo ácido ou alcalino?

Bem, como vimos em Química em algum momento de nossa vida acadêmica, temos uma escala que vai de 0 (mais ácido) até 14 (mais alcalino) onde podemos definir o pH de uma solução aquosa. Como o corpo humano é formado de 70% de água, é natural que ele tenha um pH. O nosso sangue tem um pH. Nas minhas pesquisas descobri que o pH ideal para o nosso sangue é entre 7.35 e 7.45. Abaixo ou acima destes indicadores temos um quadro que vamos ter algum sintoma e possíveis doenças. Se para não atletas teremos doenças, imaginem para atletas. Além de doenças, teremos uma recuperação prejudicada, envelhecimento celular acelerado e, obviamente, perda de performance.

Observando a faixa entre de 7.35 até 7.45, constatamos que o corpo saudável é ligeiramente alcalino. O corpo humano tenta de todas as formas manter este nível de pH. Para isso, ele precisa lançar mão de alguns sais minerais alcalinos como sódio, potássio, magnésio e cálcio. Se o corpo estiver pobre nestes componentes, ele vai retirar de algum lugar, neste caso, de nossos ossos e órgãos. Tudo para manter o equilíbrio alcalino e não acontecer um mal pior. 

Vários são os fatores que podem deixar nosso corpo ácido como ansiedade, estresse e treinamentos duros, mas o que mais define este estado é a nossa dieta. Com a indústria de alimentos a todo vapor, alimentos processados e industrializados fazendo parte do cotidiano das famílias e o culto exagerado às carnes e derivados de animais todos, o ser humano moderno, hoje, nunca esteve tão ácido. Não é a toa que indústrias farmacêuticas estão cada vez mais gigantes e farmácias se tornaram um negócio da China, se ploriferando como nunca em cada esquina.

Vi uma lista de problemas que estão diretamente ligados à acidose celular:

Dano cardiovascular. 
Ganho de peso, obesidade e diabetes.
Problemas da bexiga.
Pedras nos rins. 
Deficiencia imunológica.
Aceleração do dano por radicais livres.
Problemas hormonais.
Envelhecimento prematuro.
Osteoporose e dor nas juntas. 
Dores musculares e aumento do ácido lático. 
Baixa energia e fadiga crônica.
Digestão e eliminação lentas.
Aumento de fermentações e fungos.
Falta de energia, fadiga.
Baixa temperatura corporal.
Tendencia a contrair infecções.
Perda de iniciativa, prazer, e entusiasmo.
Tendencias depressivas.
Exaustão rápida.
Compleição pálida.
Dores de cabeca.
Inflammação da córnea e palpebras.
Amolecimento e dolorimento nos dentes.
Gengivas sensíveis, inflamadas.
Úlceras estomacais e da boca.
Fissuras no canto dos lábios.
Excesso de ácidos no estômago.
Gastrite.
Unhas finas e quebradicas.
Cabelos secos, quebradicos e queda.
Pele seca.
Irritação da pele.
Caimbras nas pernas.

Lembrem-se que "doenças não conseguem evoluir em um meio alcalino". Sendo assim, estes possivelmente são apenas alguns exemplos diretos e simples. Talvez podemos colocar nesse "balaio" até cânceres, provavelmente.

Quando comecei a ler tudo isso, achei bem curioso e pensei "legal, aprendi mais uma", mas jamais poderia imaginar que eu, com a nutrição tão balanceada que tenho, poderia não estar tão alcalino assim. Resolvi pesquisar quais eram os tipos de alimentos que tornavam nosso corpo mais ácido e quais o tornavam mais alcalino. Descobri que o próprio alimento ser ácido, não significa que ele tornará o seu corpo ácido. O que conta para saber se aquele alimento está contribuindo com a acidez ou alcalinidade do seu corpo são os processos químicos que agem em cima dele e seus substratos. Como exemplo podemos citar o limão. Ele é extremamente ácido, mas, o processo químico que o nosso corpo exerce sobre ele libera componentes altamente alcalinos. Se um alimento libera no processo substâncias inorgânicas como sódio, potássio e cálcio, ele é alcalino. Se libera mais enxofre, fosfato e cloro, ele é ácido.

Nesta investigação descobri que:
- Tudo que se mexe, tudo que é animal e de origem animal é acidificante. Carnes (todas), leite, manteiga, iogurtes e ovos. 
- Vegetais crus, de forma geral, são alcalinizantes. Alguns, cozidos, se tornam acidificantes.
- Frutas, temos as alcalinizantes e as acidificantes. A grande maioria é alcalinizante.
- Para minha tristeza, o café é altamente acidificante.
- Os "brancos" são acidificantes. Açúcar, farinhas, arroz, massas, etc.
- Para minha tristeza (e surpresa) grãos e cereais, bem como os compostos integrais, são acidificantes! Eles são pouco acidificantes em relação aos "brancos", mas são. Alguns são alcalinizantes.
- As oleaginosas (nozes, castanhas, avelãs, etc) tem as alcalinizantes e as acidificantes.
- Refrigerantes e bebidas alóolicas são altamente acidificantes. Chás naturais como chá verde e de ervas são alcalinizantes.
- De forma geral, produtos industrializados e processados são acidificantes. Os orgânicos são alcalinizantes.

É claro que, como tudo que se refere à saúde humana, muitos estudos científicos são baseados em uma amostra pequena de indivíduos, muitas vezes não conclusivos. Sempre aparecerão os que vão dizer que isso não tem o menor cabimento, enfim. E quem sou eu para dizer o contrário. Particularmente, apesar de eu não ter tubos de ensaio em um laboratório em casa, nem tão pouco ter reazliado estudos científicos em cima do tema, tudo isso me parece bem plausível. Quando descobri, ainda, que o leite materno (apesar de ser proteico e de orgiem animal), diferentemente dos outros leites de vaca, é levemente alcalino (que é exatamente como nosso corpo deve ser, segundo tudo que li até aqui), para mim, este argumento é mais do que um indicador de que tudo isto é bem aceitável e vai de acordo com a natureza humana.

Bem, isso muda MUITA coisa de como eu encaro minha nutrição. Principalmente em relação aos grãos e produtos derivados deles nas versões integrais como pães, arroz e massas. Sou um devorador destes itens! Alguns brancos como massas e pães eu como também em doses razoáveis. 

Vejam, isto é MUITO IMPORTANTE. Entendam que por si só os alimentos acidificantes não são malignos! Não é o caso de evitarmos ao máximo! O objetivo é pensar no equilíbrio! Sempre comeremos alimentos ácidos, no entanto, devemos ter em mente que temos que contrabalancear com alimentos alcalinos!

Pelo que li, uma dieta baseada em 60% de alimentos alcalinizantes e 40% acidificantes parece ser o ideal para termos um corpo onde doenças não seriam capazes de se desenvolver (e para atletas, um meio onde a recuperação celular seja muito mais propício).

Bem, como atleta entendo que eu tenha que ter proporções adequadas de macronutrientes (craboidratos, gorduras e proteínas) e de micronutrientes (sais minerais e vitaminas). Com estas proporções já me preocupo a tempos e venho sempre tentando melhorar com um certo êxito. Mas, como nunca tinha pensado nesta questão da acidez ou alcalinidade, o desafio acaba se tornando maior! Principalmente quando falamos das proporções dos macronutrientes. 

Carboidratos? Claro! Sou atleta de endurance, mas, precisarei prestar mais atenção a esta questão daqui para frente. 

Gorduras boas? Claro! Todos nós precisamos. Mas, não dá simplesmente mais para escolhê-las apenas sem pensar em quais são mais alcalinizantes. 

Proteínas? Claro! Mas aqui temos um PROBLEMASSO! As proteínas de maior valor biológico são de origem animal. Não tenho um consumo tão grande de carnes, mas de derivados de leite desnatado e ovos, eu tenho. As de origem vegetal como quinoa, soja, amaranto, feijões, etc são excelentes, mas, pelo menos enquanto eu não virar vegetariano completo, preciso me preocupar com estas coisas. Além disso, alguns destes grãos são acidificantes.

Suplementos? Cada vez consumo menos. Eles são acidificantes ou alcalinizantes? Bem, não li nada a respeito. No entanto, levando em conta que são altamente industrializados e processados e os suplementos proteicos possuem whey protein, que é de origem animal, eu sou capaz de apostar que eles são altamente acidificantes.

Eu encontrei esta tabela de alimentos e seus respectivos pH. Ela está sendo bem útil. Já fui na Casa Natural aqui em Atibaia e já trouxe amaranto, amêndoas, tâmaras, figos secos, chá verde e macarrão integral. No mercado já comprei batata doce, toneladas de limão, mamão... Vou começar a me preocupar com mais esta questão e ver como isto impacta nos meus treinos, recuperação e performance. Podem me chamar de louco, mas isso tudo pra mim é um desafio :-)

É óbvio que comer em um restaurante como o Santa Pimenta, já tenho um bom caminho andado.



O meu amigo Hugo também mandou esse vídeo que vale muito à pena assistir. É impressionante.



5 comentários:

  1. http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-causa-prim%C3%A1ria-e-preven%C3%A7%C3%A3o-do-c%C3%A2ncer-por-otto-h-warburg-ganhador-do-pr%C3%AAmio-nobel

    esse link é interessante sobre o assunto..

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  2. Respostas
    1. Olá Glauco,
      Temos duas formas de olhar esta questão. Uma, é a nossa própria observação e entendimento de mundo. Aqui, realmente, não há nada de científico. Eu, particularmente, sabendo como o mundo funciona e como as grandes corporações vem, ao longo dos anos, massificando a nossa conduta, inclusive a alimentar, com um jogo de interesses enorme por trás, e entrando em um mercado e vendo a imensa maioria dos produtos industrializados com químicos tóxicos, não preciso de muitos tubos de ensaios e prêmios Nobels para saber que algo está errado. Mas, sinceramente, não quero que acredite na visão do triatleta aqui rsrsrs. Quem sou eu? Se você acredita que ter uma dieta proteica, baseada em derivados de animais e muitos produtos industrializados é um caminho natural de uma sociedade avançada, um caminho sem volta, e isto não tem nada que ver com interesses corporativos, etc, ok, é a sua visão e deve levar sua vida de acordo com ela. A vida é feita de escolhas, não é mesmo. A cada uma delas, temos uma renúncia.

      Agora, se você realmente precisa de comprovações científicas para enxergar o que deveria ser empírico do cotidiano, essa tese não precisa mais de comprovação, pelo que sei, pois o cientista Otto Warburg já ganhou o prêmio Nobel em 1931 com ela (http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1931/press.html), Referências a este estudo e continuidade por parte de outros pesquisadores ao redor do mundo sobre o tema é o que não faltam. É só procurar.

      Agora, se você me perguntar porque raios, em 80 anos depois desta descoberta, a cura do câncer ainda não foi lançada e a indústria de alimentos e farmacêutica ainda não mudaram seus hábitos de conduta e a forma de explorarem seus mercados, te respondo. Eu sei a resposta, mas você não vai querer saber a minha opinião rsrsrsrs....

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  3. Ulisses, como um bom gaúcho que sou, você tem alguma informação sobre o chimarrão ??? Abraços

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    1. Fala João,
      então...chimarrão é mate, certo? É erva! Ele deve ser alcalino...Nem sei como se compra isso, mas se for processado industrialmente, acreditaria que não presta. Tem que ser ou a granel ou de marcas de produtos naturais, sem processamento, conservantes, etc... Eu continuaria tomando numa boa...

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