domingo, 24 de junho de 2012

A um passo do vegetarianismo



Já não é de hoje que eu penso em me tornar vegetariano.
Porquê?

Bem, as respostas são diversas. Variam desde questões estritamente ideológicas, passando por benefícios nutricionais e, por fim, desempenho esportivo. Isto mesmo, desempenho esportivo. Muitos mitos vêm à cabeça dos mais desinformados em relação à ingestão de proteína, mas esta, estou completamente convencido de que não é o problema. A proteína é encontrada de forma abundante no mundo vegetal. A ingestão de ferro e vitamina B12 realmente são os problemas que poderia enfrentar.

Existem aqueles vegetarianos que apenas não comem carnes, mas ainda comem os seus derivados, como leites, iogurtes e ovos, existem aqueles vegetarianos restritos, que não comem nada de origem animal e existem os veganos, que encaram esta questão toda como um hábito de vida quase espiritual de relação com a natureza, de forma a não utilizarem absolutamente nada de origem animal: couro, mel, produtos de seda, etc, bem como produtos que são manufaturados com força animal.


Sobre estar enquadrado neste lado mais extremo do veganismo, ainda não me considero preparado. Talvez, a um longo prazo. As questões são realmente muito mais filosóficas do que nutricionais e eu, particularmente, tenho muito que refletir ainda sobre este tema para tomar minhas decisões à respeito.

Tudo era para acontecer de forma paulatina. Carne vermelha já não como a algum tempo. Mesmo frango eu não sou de comer muito (a não ser peito de peru) e aos poucos retirar o peixe. Os derivados de leite desnatado, iogurtes, queijos e ovos iam ser mais difíceis de saírem do cardápio mas, aos poucos, em uma segunda etapa, sendo substituídos por produtos vegetais proteicos como grãos, leguminosas e sementes.

No entanto, lendo muito e constantemente sobre nutrição, conversando com outras pessoas, atletas e pessoas do ramo da nutrição, me deparo com esta questão de manter um corpo alcalino (em oposição ao ácido) para mantê-lo extremamente saudável. Estando nosso corpo o mais saudável possível, ele trará a máxima performance possível, da mesma forma. Esta minha "descoberta" está descrita neste post.

A outra questão que me deparava sempre era em relação à suplementação. Bem, eu não sou contra a suplementação, apenas sou contra a sua forma de ser encarada como insubstituível para termos performance esportiva. Meu pensamento é meio lógico: se estamos totalmente saudáveis e nutridos de forma natural, a suplementação não tem razão de existir. Caso precisemos de suplementos para alavancarmos um crescimento em performance mais avançado do que o nosso corpo está fisiologicamente preparado para ter, temos que nos questionar se aquele realmente é o caminho. É claro que atletas necessitam de muito mais antioxidantes, proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e sais minerais do que pessoas sedentárias e outros praticantes de atividades físicas mais moderadas. Neste sentido, entendo portanto, cabe uma análise. O quão mais eu realmente preciso que não posso encontrar na alimentação convencional?

A alguns meses retirei o whey protein de minha dieta de suplementos. Isso mesmo. O suplemento que virou uma religião, uma obrigação, um dogma da nutrição esportiva foi retirado. Treinei para o Long Distance de Pirassununga e para o Ironman deste ano completamente sem ele e, desde que minha ingestão proteica diária estivesse de acordo, não senti a menor diferença. Mantive, no entanto, BCAAs, glutamina, complexos vitamínicos e ômega 3.

Após ler mais sobre a questão do balanço de pH do nosso corpo, no entanto, foi como se tivesse tomado um tapa na cara. Lendo outros relatos e conversando com outros atletas que já estavam engajados neste contexto, comecei a reparar que eles se preocupavam menos com estas questões de recuperação, ingestão proteica, etc. O lema deles era: mantenha um corpo alcalino e automaticamente você formará um meio longe de doenças e inflamações, melhorando naturalmente sua recuperação e disposição.

Analisando todos os alimentos e seus níveis de acidez e alcalinidade, dá para ter uma noção do porquê destas pessoas possivelmente estarem certas. Uma dieta alcalina é basicamente formada de produtos que encontramos na feira e em casas de produtos orgânicos: frutas, legumes, verduras, grãos, sementes, frutas secas, oleaginosas, farelos, produtos integrais e produtos sem processamento industrial, orgânicos em geral. A pergunta que me vinha na cabeça era óbvia, portanto: será que com tanto alimento nutritivo, com tanta fartura em nutrientes, com tanta isenção de conservantes, das toxinas e acidez das carnes e processamentos industriais, o meu corpo não se transformaria automaticamente em uma máquina de fazer esporte e de se recuperar?

O fato é que a minha alimentação já era boa. Para muitos, excelente. Muitos destes alimentos eu já consumia bastante. No entanto, o foco havia sofrido uma alteração. Não estávamos mais falando agora de ingestão de macro e micronutrientes, mas de equilíbrio alcalino. Portanto, ainda que eu tivesse uma ingestão de muitos alimentos alcalinizantes, ainda tinha, para minha surpresa, a ingestão de MUITOS alimentos acidificantes.

Quais eram os alimentos acidificantes que eu consumia (como disse, para minha surpresa): peixes, derivados de leite desnatado (queijos, iogurtes, etc), ovos, massas brancas (pães e massas em geral), café e, até mesmo, os produtos INTEGRAIS! (isto mesmo, estes são pouco acidificantes, MAS SÃO!), vários produtos industrializados com conservantes, espassantes, estabilizantes e demais "antes" e, ainda por cima, os suplementos. Levando em conta que atividades físicas em excesso também acidificam o corpo, pronto, estava formada a pulga atrás da minha orelha: "estava construindo um corpo atlético, melhorando na perofmance, mas de vida curta e até mesmo, cancerígena".

Aquilo foi um choque para mim: "Será que eu, que sempre imaginei que tinha uma alimentação ultra balanceada e saudável, ainda estou a 50% disso? Será que, sob este novo prisma, eu tenho realmente uma nutrição alcalina? Levando em conta que como muitos alimentos alcalinizantes, mas, da mesma forma, um sem fim de alimentos acidificantes, tenho realmente a nutrição "perfeita" que acho que tenho?"

Tudo era especulação da minha cabeça doente rsrsrsr, mas, ninguém aqui pode negar que ela poderia ter um pingo de razão. E para mim, este pingo já é muito.

Todo este cenário estava montado. Tentar ficar cada vez mais natural e saudável, tendo uma dieta o mais alcalina possível. Para isto, ou eu precisaria ficar na eterna luta de compensações (comi "isso" acidificante então agora preciso comer "isso" alcalinizante) ou faria uma mudança radical garantindo com certeza absoluta que eu teria uma dieta altamente alcalinizante. Uma pessoa que é mais enjoada, que não consegue se privar de algumas coisas, etc, tudo isto fica mais difícil, precisa ser mais pensado. Mas, no meu caso, não conheço ninguém mais xiita do que eu (aliás, conheço apenas um, o Alê bodybuilder aqui de Atibaia rsrsrsr). Como até pé de mesa com parafusos enferrujados se eu souber que é saudável (sem sal ainda rsrsrs). Se eu falo que vou tirar da dieta, eu simplesmente tiro. Não tem essa de "nossa que vontade que dá". Tirei, tirei. Tchau. Minhas papilas gustativas não podem ser mais fortes do que meu cérebro! Rsrsrsrs. Me dedico para provas de ultra endurance, sofro, suporto dor, calor, chuva, fadiga, etc e não consgio controlar minhas malditas papilas gustativas? Rsrsrs.

Tudo acaba ficando relativamente mais fácil dessa forma. Nutricionistas me adoram rsrsr.

Obviamente, a ideia não seria acabar com os alimentos acidificantes. Até porque, não tem como. Algumas coisas bem saudáveis do ponto de vista nutricional, como integrais, algumas frutas, feijões, etc são ainda pouco acidificantes. A ideia é acabarmos com os alimentos mais acidificantes e ingerir uma maior quantidade de alcalinizantes.

Todas estas variáveis postas à mesa, esta vontade de virar vegetariano, esta questão do pH do nosso corpo, eu disposto a fazer uma readequação e  a época estando perfeita para isto, ou seja, sem competições a curto prazo, me pareceu o óbvio a se fazer: MÃOS A OBRA!

1.  BCAAs: adeus, companheiros de alguns poucos anos de triathlon. Espero não vê-los tão cedo.
2.  Carnes de peixe e frango: adeus! Sentirei saudades, mas é para um bem maior. Deixar de comer aqueles peixes que tem no Santa Pimenta, não vai ser fácil rsrs.
3.  Derivados de leite e ovos:  estou dando um "tchau", mas não ainda um adeus. Vou retirá-los por completo da dieta, mas lançarei mão deles caso eu perceba que algo vai mal nesta empreitada. Me darei um prazo para avaliar
4.  Café: meu amigo de muitos anos, não consigo ficar sem você (sim, sim, neste caso, 1 x 0 para minhas papilas gustativas rsrsrs). Portanto, terei que consumi-lo, mas diminuirei ao máximo. Sempre compensando com algo extremamente alcalinizante como chá verde com limão, por exemplo.
5.  Complexos vitamínicos e ômega 3: estes, manterei comigo ainda por via das dúvidas. Sei que terei um déficit em ferro e vitamina B12 com estas alterações, então, por enquanto, não quero me preocupar com tais variáveis.
6.  Balanceamento nutricional: ingestão calórica de proteínas e gorduras. Esta é uma questão delicada a ser planejada. A partir do momento que retiramos derivados de animais de nossa dieta, precisamos, de alguma forma, repor nossa ingestão proteica com outras fontes vegetais. No entanto, como consumia muitos derivados de leite desnatado, onde a porção proteica é generosa, mas a quantidade de gordura é zero, fiquei em um dilema, já que tudo quanto é fonte proteica vegetal vem atrelada a gordura. Gorduras boas, é verdade, mas são gorduras e, como atleta, preciso me preocupar com a ingestão calórica total (1g de gordura = 9Kcal). Sendo assim, o trabalho não é apenas encontrar substitutos proteicos, mas, montar um quebra-cabeças cujos substitutos forneçam a mesma quantidade proteica e a mesma quantidade de gorduras que consumia antes. Minha dieta era dividida, aproximadamente, em 70% carboidratos, 15% proteínas e 15% gorduras. Eu preciso conseguir encontrar tal equilíbrio novamente.
7.   No contexto acima, sejam bem-vindos: castanhas, amêndoas, Tahine, gérmen de trigo, levedura de cerveja, proteína de soja, sementes de abóbora.  Bem como substituir totalmente as massas brancas pelas integrais que são bem mais proteicas e mais alcalinas.
8.  Sejam bem vindos, também: batata doce, cenouras, mandiocas e demais raízes com carboidratos de alta qualidade.
9.  Sal: adeus! O marinho de vez em quando e pouco. Açúcar, já não comia, agora, rapadura, mascavo ou, de vez em quando, stevia.
10. Continuam meus amigos: quinoa, amaranto, granola, mel, damascos secos, figos secos, tâmaras secas.

Montado o novo cardápio. Para que tudo isso me indique que estou no caminho certo, preciso treinar forte. Não adianta eu treinar pouquinho e me sentir forte e saudável que posso ter uma falsa percepção. A ideia é avaliar se estas alterações estão me transformando em uma pessoa mais saudável e um atleta mais forte, ou, se vou sentir uma diferença muito grande e ter que voltar à prancheta.

Acredito que isto tudo é médio prazo. Provavelmente sentirei algumas reações iniciais à todas estas mudanças, mas, estou disposto a pagar o preço.

Aqui começa, uma nova etapa da minha vida....

Um comentário:

  1. Informaçào sobre o assunto:

    Link:

    http://www.youtube.com/watch?v=an82V3rv_hA

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