quarta-feira, 18 de julho de 2012

SOLOMAN 2013 - A continuação de uma saga




Era uma sexta-feira de outubro de 1997, um dia antes da largada do lendário Ironman de Kona, no Havaí, quando nasceu uma lenda.

Marcelo Vallim, um triatleta brasileiro que sonhava em completar esta magnífica prova, resolveu não dar ouvidos à federações e à mídia. Da forma mais simples possível, como deveria ser, pensou: "Porque tenho que conquistar uma vaga para um mundial, gastar dinheiro com inscrições de provas e me submeter a todas as regras para nadar 3800m, pedalar 180km e correr 42.2km no Havaí?"

A solução do Marcelo Vallim foi a mais fantástica possível. Um dia antes do mundial, que ocorreria no sábado, com as bóias de natação já montadas pela organização e com algum planejamento anterior junto a alguns amigos para nutrição e hidratação, lá foi ele, largando para o primeiro SOLOMAN da história. Toda a história está descrita AQUI no blog do Ciro Violin.



Esta história, como não poderia deixar de ser, virou uma lenda entre os triatletas das antigas. Em 2003, dezesseis anos depois, um grupo de amigos do interior de São Paulo, inclusive o próprio Marcelo Vallim, resolveu realizar a segunda edição do SOLOMAN. A realidade na ocasião era outra. Já existia o Ironman de Florianópolis, IRONMAN e seu famoso símbolo "M DOT" haviam se transformado e se consolidado como uma marca forte, patenteada e coordenada por uma empresa chamada WTC e já estava na boca dos brasileiros.

Quinze atletas, nesta segunda edição, nutriam o mesmo sentimento, o de se perguntar: "Porque precisamos pagar e nos submeter às normas de uma marca e de uma empresa privada para nadar 3800m, pedalar 180km e correr 42.2km? Ela pode patentear o nome Ironman, mas não pode tomar posse das distâncias!"

Como um grupo de amigos que reune suas famílias para comemorar e vibrar pelo esporte de endurance, este segundo SOLOMAN teve um capricho único: Com pórtico, medalhas, camisetas de "finisher" e festa de encerramento junto aos familiares. Não existia uma organização, uma empresa ou uma instituição para fornecer o serviço "Prova de Triathlon". Era simplesmente um momento onde atletas fariam o que mais gostavam, nadar, pedalar e correr, juntamente com as pessoas que mais amavam. Um momento único longe dos holofotes, da mídia, do "glamour" do tradicional Ironman.

Dia 24 de maio de 2003, um domingo, no mesmo dia do Ironman Brasil, às 7hs da manhã, foi dada a largada do segundo SOLOMAN, em Limeira, São Paulo.




Dez anos depois, mas precisamente dia 26 de maio de 2013, novamente no mesmo dia do Ironman de Florianópolis, será dada a largada à terceira edição do SOLOMAN, no Broa Golf Resort em Itirapina, São Paulo.

Este triatleta que escreve estará lá!!! Entre àqueles bravos triatletas. Porque?

Tudo começou quando um amigo, Fernando Quirino, que participou do SOLMAN 2003, me contou sobre a história do Marcelo Vallim e seu feito no Havaí em 1997. Naquele dia eu percebi que realmente podemos nadar, pedalar e correr simplesmente pelo fato de que é isso que gostamos de fazer. 

Outras coisas já me atormentavam em relação ao Ironman convencional da mesma forma. Os preços abusivos, a formação de uma elite atlética, no sentido financeiro do termo, a gradual mutação da prova de símbolo de superação para símbolo de status, o empenho que empregamos para no fim, prestigiarmos uma marca de uma empresa privada, dentre outros fatores que me deixavam menos interessado na modalidade.

Menos interessado na marca "Ironman", mas não menos interessado no esporte! E é exatamente aí que está a questão.

Posso ser imensamente criticado por estar escrevendo estas coisas, afinal, estou cuspindo no prato que comi e, provavelmente, comerei novamente. Entretanto, realmente preciso fazer uma reavaliação sobre tudo isso e ver como a marca IRONMAN se encaixa no estilo de vida que escolhi para mim. Tento fazer de tudo para não ser um escravo moderno e a forma como enxergo o Ironman hoje está na contra-mão dos meus conceitos. Reflexão mais reflexão.

Este final de semana passado foi a primeira reunião e treino de reconhecimento do circuito. O Broa Golf Resort é um lugar perfeito para sediar este evento que contará com os atletas e suas famílias.

Eu, Fernando Quirino, Flavio Ayra e Rodrigo Massoni foram os desbravadores, mas esperamos contar com mais heróis nos próximos treinos de reconhecimento e reuniões.


Nossas respectivas e alguns pimpolhos também estavam presentes (rsrsrs) e tiveram a paciência de nos aguentar nesse processo. Só a mulher do Rodrigo que não apareceu. Está grávida de gêmeos e preferiu evitar a fadiga de acompanhar esse bando de malucos (rsrsrs).

Não tenho medo algum de afirmar que será uma das provas de triathlon, nas distâncias de 3800m de natação, 180km de ciclismo e 42.2km de corrida, mais difíceis do planeta. Poderíamos chamá-lo de SOLOMAN EXTREME! Ciclismo com altimetria mais elevada que o Ironman Lanzarote e França e corrida com altimetria insana da mesma forma. Achei que sabia pedalar e achei que o GP Extreme de São Carlos em 2011 seria a coisa mais tensa que eu iria fazer (rsrsrs). Sem contar o vento. Tudo, para compensar, em um circuito para lá de legal, visual sensacional e um asfalto perfeito.

O mais legal de tudo isso é que, aos moldes do que fez o Marcelo Vallim lá em 1997, esta prova não terá uma organização, não existem os "organizadores". O que existe é um grupo de amigos, com seus apoios, familiares e estratégias individuais. O que existe é apenas um grupo inicial de entusiastas que estão colocando seus esforços particulares para que o evento aconteça. 

Estou bem feliz de participar desse grupo!

Os "SOLOMANS" que irão participar ainda não estão definidos, mas já aviso: 
- Vocês serão responsáveis pela sua prova. O SOLOMAN não terá uma Organização que você paga para ter um serviço. Você é seu próprio prestador de serviços.
- TREINEM! O SOLOMAN não é treino para uma outra prova. Este não é o ideal sobre o qual o desafio foi moldado. Este será o Dia "D" para os atletas que lá estarão, não um dia de treinão.
- Querem outra razão para virem treinados e não encará-lo como um treinão qalquer? Simples. Se não treinarem e não chegarem polidos e aptos para o desafio, simplesmente não concluirão a prova. Aos atletas que estão acostumados a comparar tempos de Ironmans, esqueçam. Lá, todas estas métricas não servirão para nada (rsrsrs).
- Não existirão fiscais. No mundo SOLOMAN, o fiscal é o atleta e seu caráter. Sua punição em caso de picaretagem será o desprezo de seus colegas, verdadeiros SOLOMANS.

Gostaria de agradecer principalmente ao Rodrigo Massoni por ter nos recebido tão bem em sua cidade, Jaú, e em seu maravilhoso Hotel Vila Real. O final de semana foi fantástico. 

Valeu galera!


4 comentários:

  1. Cara, vai ser muito loco! Vamo embora!!!

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  2. Excelente Ulisses! Assino embaixo!!
    Tá nascendo algo novo e como toda novidade vai causar espanto, admiração e até mesmo desprezo de quem não conseguirá entender a coisa. Fico muito feliz também de estar participando disso... Foi muito legal conhecer vocês pessoalmente e sentir que tem gente que sente o mesmo que eu sinto a respeito desse esporte maravilhoso! Será um dia memorável!

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  3. Muito boa a iniciativa!! Mas é uma pena fazer no mesmo dia do Ironman de Floripa...ano que vem vou disputar meu primeiro 3.8/180/42.2km..iria com certeza no SOLOMAN.
    Se rolar outro no segundo semestre, to dentro!!! Parabéns!
    Eduardo

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    1. Gostaria de participar quais os requisitos tenho 4IM melhor tempo 10:46min 2010 participações (2007,2008,2010,2012)estou desmotivado com os valores e a situação que a prova virou estou disposto até conhecer o Longão cabra da Peste no Ceará tipo o soloman aguardo noticias se der certo estarei lá para largar.
      Luciano kidmlironman@gmail.com

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