terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pirassununga - Agradecimentos e Relato



Olá a todos, 

Mais um ano se passa e a tradicional prova do Long Distance de Pirassununga acabou de acontecer. Como sempre, aquela prova dura, porém bem atípica.

Vou dividir este post em duas partes. Uma de agradecimento e outra de um relato deste final de semana de Long Distance!






Agradecimentos:

- Aos meus pais que mais uma vez estiveram presentes. Incentivo e conselhos não faltam destes dois em todos os sentidos. No triathlon, não seria diferente. Meu pai ainda viajou de madrugada com minha avó para coneguir chegar a tempo de ver a prova!
- À minha namorada Kika que curte e vibra cada passo meu neste esporte. Sem ela, perderia boa parte de minha inspiração. Te amo!
- Aos meus apoiadores no esporte 2XU Brasil, Nutricius e NEAF por acreditarem no meu potencial.
- Um agradecimento especial aos meus apoiadores, incentivadores e amigos Arthur Vianna e Marcelo Espinha, donos do melhor restaurante da região de Atibaia, o Santa Pimenta! O Arthur fez a primeira prova de triathlon da vida no sábado, o Short Distance. Algo me diz que o bicho do triathlon vai picá-lo e aí, meu chapa, prepare-se para o maior vício de sua vida!
- Ao meu camarada joselito (rsrsrsrs) Marcos Faria pelas infinitas trocas de experiências e treinos conjuntos. Vamo que vamo nesta toada cara!
- A todos os meus amigos/irmãos e familiares que sempre vibram, presencialmente ou remotamente, com minhas provas. Estas conquistas são para vocês também!
- A todos os amigos e conhecidos que sempre estão presentes nas provas incentivando e torcendo. Só quem está no campo sabe o quanto isto faz uma diferença.
- Aos meus amigos atletas veganos e vegetarianos da comunidade "Força Vegana" do Facebook. Muita experiência ali que me foram de extrema utilidade.
- A todos os atletas no campo no último domingo por tornarem esta prova uma das mais legais do Brasil!


Relato:

Quinta-feira, zarpamos para Pirassununga. Antes da prova, queria passar um tempo tranquilo com minha namorada e minha mãe. Ficamos, como de costume, em Porto Ferreira. Pela primeira vez, passei pelo processo de "carbo load", isto é, os três dias que antecedem a prova consumindo boa quantidade de carboidratos e sem fibras, sendo vegano. Posso falar que não foi fácil, já que TODAS as massas que encontramos em restaurantes tem ovos, então, foi à base de macarrão de sêmola branco sem ovos (já preparado antes da viagem), bananas, pão branco, bananinhas, rapadura e melado de cana. Alguma coisa de proteína e gorduras com amêndoas e castanhas.

A previsão do tempo já anunciava o impensável em Pirassununga. Chuva de manhã, à tarde e a noite com temperatura máxima de 26o. Esta prova é famosa pelo calor inuportável e pela umidade. Muita gente vem treinada para este tipo de prova. Eu mesmo treinei bastante no calor e esta notícia me causou tanto uma decepção como outras preocupações. Como seria a minha estratégia nesta prova? Como seria meu tão precioso ciclismo, parte da prova que geralmente é o meu diferencial, sob aquelas condições? Não tinha muito o que fazer a não ser encarar, mas confesso que aquilo me atormentou durante os três próximos dias.

Sábado, pegar o kit e assitir o Short Triathlon, afinal, alguns amigos meus estariam ali presentes como o Leandro Ferreira, da Medley, no time de revezamento, o Chris Kittler, o Arthur do Santa Pimenta e meu mais novo "pupilo", o Paulo Arneiro, em sua segunda prova. Antes, passamos em um restaurante para saudar uma galerinha do Ironbrothers. Wlad, Fábio Russomano, Guto e o amazonense Dalton Cabral. 
Prova embaixo de chuva, torcida embaixo de chuva. Encontro como sempre uma galera amiga do triathlon. Aquele clima de prova e encontro que todo mundo conhece. Por incrível que pareça, não vi o Paulo na prova, mas consegui acompanhar a prova inteira do Arthur. Tenho que confessar que foi muito divertido, principalmente a T1, quando ele havia acabado de sair da água pálido, com cara de pânico, colocando o capacete antes da camiseta rsrsrsrrsrs. Encontro o Marcos Faria que estava indo nadar com a Antonella, sua namorada, e combinamos de fazer uma corridinha na sequência. Lá fui eu para o ginásio pegar meu kit, encontro o Cris Kittler e fico ali trocando uma idéia. Encontro o Wagner Spadotto e fico ali trocando uma idéia. Encontro o Fernando Quirino e fico ali trocando uma idéia. Encontro a Gilda, a Simone e a Glaucia e fico ali trocando uma idéia rsrsrsr. Precisava agilizar a vida! Afinal, dia seguinte era dia de Long Distance!!!!

Chamo o Marcos Faria que eu havia encontrado antes e vamos dar uma corrida leve de vinte minutos no sentido oposto à corrida do short triathlon para ver se encontrávamos o Arthur fechando a prova para acompanhá-lo. Eu estava calculando mais ou menos o tempo das parciais dele, mas, calculei mal rsrsrs. Quando estávamos voltando, o encontramos junto ao Gustavo, outro amigo aqui de Atibaia. Ele já havia concluído a prova e estava com o sorriso de orelha a orelha. O momento mais hilário quando ele me confessa: "cara, antes da primeira bóia eu pensei seriamente em chamar o salva-vidas, pensei que fosse morrer!" rsrsrsrrsrsrs. Foi risada garantida!



Vamos embora para descansar porque o dia seguinte o bicho iria pegar. Nunca gostei de ficar fazendo hora no sábado antes do Long Distance para não me cansar. Mas confesso que naquelas circunstâncias chuvosas, eu um tanto depressivo, aquela estada lá me deu uma injeção de ânimo e confiança.

Ainda naquela noite, jantamos em um restaurante em Porto Ferreira com o Julio Dotti e seu time da Limite Assessoria. Julio, está me devendo uma conversa sobre técnica de corrida com Newton! rsrsrs.

Passei a noite em claro, como de costume, e agora com um agravante: a chuva. "Acordei" cinco da matina, olhei na janela e chovendo. Não acreditei. Tomei meu café no quarto, coloquei um tênis e fui dar um trote de quinze minutos para que meu intestino agilizasse o processo rsrsrs. Técnica sabiamente aprendida com o Marquito. Durante este trote embaixo de chuva, de noite ainda, eu pensava "é do jeito difícil? então assim que vai ser". Já preparava meu psicológico para o máximo de sofrimento que estaria por vir. Seis da manhã, o café do hotel posto, minha mãe e a Kika ali comigo. Eu tomo apenas um café e mais alguma hidratação. Vamos para a Academia da Força Aérea!

Ao chegar à AFA, ao mesmo tempo estaciona um carro do nosso lado. Era a Deise Jancar com uma amiga. De repente, escutamos um barulho estranho. Ficamos em silêncio e era um gato miando muito. Pasmem, mas tinha um gato dentro do motor do carro delas! Ele havia vindo ali, encolhido, por toda a estrada, o coitado! Já pensamos no pior, mas ainda bem, o pobre bichano estava lá em um canto apenas assustado. Virou história para escrever aqui no blog apenas rsrsrs.

Coloco a bike no cavalete, ajustes finais de transição, memorizo meu lugar, pego minha touca e meu óculos e vamos nadar para aquecer. A chuva havia dado uma trégua e, como estava adiantado, aproveitei o tempo para encontrar os amigos e conversar. Encontrei finalmente o Paulo Arneiro! rsrsrs. o Rodrigo Massoni, Aline Carvalho a Cris da Medley. Depois do aquecimento, me despeço de minha mãe e de longe, mando um beijo para a Kika. Não a encontrava de jeito nenhum antes! Encontro o Fábio Russomano e me posiciono atrás dele. Era óbvio que eu não conseguiria ficar no pé dele nem por três minutos, mas se ele me economizasse trinta segundos já estaria bom rsrsrsr.

Dada a largada!

A pancadaria de sempre, mas nada que eu não esteja acostumado. Nem ligo mais para isso. Mantenho a calma e deixo o fôlego para nadar o melhor que posso. Antes da primeira bóia, uma surpresa. Uma dor de estômago, não muito forte, mas o suficiente para me deixar preocupado. Um certo desconforto. Tentei esquecê-la. Feita a primeira volta de 950m, olhei no relógio e uma surpresa: 14m40s! Foi o meu melhor tempo dessa primeira volta até então. Aquilo me animou muito. Esqueci ainda mais da dor de estômago e parti para a segunda volta. Tentei nadar o mais calmo e o mais reto possível, fazendo a força suficiente para não perder muita técnica. Incrivelmente, coloquei os pés no chão com 29m45s! Uma injeção de ânimo absurda. Pela primeira vez em cinco edições desta prova eu conseguia finalmente colocar os pés no chão em menos de 30 minutos. A água ali é pesada e sem roupa de borracha a história é outra. Vamos para o ciclismo.

Na T1, O Paulo, minha mãe e a Kika gitavam me incentivando. Eu grito de volta "agora, o bicho vai pegar!". Montei na magrela, calcei a sapatilha e, como de costume não sosseguei enquanto não vi 43km/h no cateye. Incrivelmente, cheguei a esta velocidade bem fácil e comecei a sustentar entre 42km/h e 46km/h com uma certa facilidade. Estranhei. Ou eu tinha feito um polimento muito bom e eu estava explodindo demais logo no começo adrenalizado ainda da natação ou tinha algum vento misterioso. Comecei como de costume a passar muitos atletas, mas, pela primeira vez na minha vida, alguns atletas estavam vindo de trás! Mesmo eu segurando acima de 42km/h! Pensei comigo "tem algo estranho aqui, ou eu nadei melhor do que imagino e saí com um grupo forte desta vez ou acho que estou voando mas o vento está ajudando". Na verdade, foi um pouco dos dois rsrsrsr. Estava muito fácil segurar aquela velocidade e eu realmente havia saído melhor da água do que em todas as outras edições desta prova. Fui percebendo isso aos poucos. Foi quando um atleta escrito "Falsarella" me passou na bike. Eu não conheço o Rafael Falsarella pessoalmente, mas sei que temos uma natação e um ciclismo muito similares. Todas as provas que estivemos juntos eu percebo que nossos tempos de ciclismo são muito próximos. Ele permaneceu uns 50m a minha frente e aquilo foi ótimo porque tirou todas as dúvidas da minha cabeça. Sabia que estava pedalando em um ritmo adequado. Trocamos de posições muitas vezes durante os 90km seguintes, mas basicamente o padrão era ele me passando nas descidas e eu o passando nas subidas. Abríamos razoavelmente um do outro a cada ultrapassagem. Jogo mais do que justo, sem vácuo. Aliás, com uma distância muito maior do que os 10m requeridos pelo regulamento, tanto de mim para ele, quanto dele para mim. Chegamos a trocar umas poucas idéias em uma destas ultrapassagens.

Ainda na primeira volta, quando estava voltando para a área de transição, logo depois do subidão da casa dos oficiais, comecei a perceber que aquela facilidade de manter a velocidade não existia mais. Para segurar 38/39km/h estava difícil. No retão principal, onde já cheguei a colocar mais de 45km/h em 2010 e 2011, não conseguia passar de 40km/h. Foi aí que percebi a lógica do vento daquele dia. Totalmente atípico do que eu já havia experienciado em Pirassununga. Onde era lento ficou rápido, onde era rápido ficou lento, só que a parte lenta devido ao vento era justamente a parte mais rápida da prova: o retão. Comecei a dar adeus a possíveis recordes de tempo na bike. Até porque também, estava chovendo e um risco de queda era iminente. Minha dor no estômago ainda estava ali mas diminuindo gradualmente para minha sorte.

A chuva começou a apertar, na segunda volta pego um buraco clipado e meu clipe direito solta. Isso havia me ocorrido também em 2011, mas eu conseguia colocá-lo no lugar com força e ele demorava a sair. Ficava razoavelmente firme. Antes desta prova, apertei muito o parafuso e tinha certeza que não aconteceria novamente. Aconteceu. Só que dessa vez, a chuva o amoleceu totalmente e eu pedalei os 65km restantes muito desposicionado na bike. Muitas vezes desclipado e o tempo todo ajustando o clipe que estava completamente solto. Tive que ligar meu instinto de sofrimento e fazer força daquele jeito mesmo.

Foi quando eu comecei a pensar: "Está chovendo, a bike está perigosa, meu clipe solto, estou bem treinado na corrida, saí bem da água, porque não arriscar uma estratégia diferente este ano?" É óbvio que mesmo tomando a decisão de se preservar mais no ciclismo, se quisermos um lugar no pódio em uma prova dessas, temos que fazer ainda uma força razoável, porém, menos "traumática". E foi o que fiz. Meu cateye estava marcando 40km/h de média cravados até então. Faltavam mais de 60km para o término do ciclismo. Ano passado eu havia cravado 40.8km/h de média, então, eu já sabia que recorde de bike ali seria impossível, mas teria que segurar ainda naquela faixa para sair para correr inteiro. Pensei "meu objetivo agora é terminar com 40km/h de média cravados".

No final da segunda volta começo a ultrapassar uns caras que estavam mais à frente na prova. Eu e o Falsarella, na verdade. Quando me dei conta, alguns "rallies" começaram a acontecer. O Falsarella me passava e uma meia dúzia de atletas me passavam junto na roda dele. Eu não acreditava. Eu me mantinha atrás e muitas vezes tinha que brecar para não entrar em zona de vácuo, principalmente nas curvas. Quando dava uma brecha eu gritava "esquerda" e passava o pelotinho, incluindo o Falsarella. Aproveitava as subidas e dava uma fuga. Abria uns 50m de todos. Quando a reta chegava o Falsarella me passava e alguns na roda dele. Começou essa troca. Eu passava o Falsarella e alguns vinham na minha roda, o Falsarella me passava e iam na roda dele. Fiquei irritadíssimo. Gritava como louco "essa prova não vale vácuo porra!" Um deles pegava roda do Falsarella de ficar 5cm de distância. A pena é que sou grosso para identificar atletas "mascarados", mas alguns eu sei quem são. Infelizmente, não dá para divulgar aqui porque vivemos em uma sociedade onde os que denunciam são os vilões.

Nesta circunstância, encontrei o Fábio Russomano, que foi o campeão da categoria 50-54 anos pedalando forte. Nos cumprimentamos, trocamos de posição algumas vezes, sempre de forma justa. Encontrei também o Ronaldo Fonseca pedalando forte. Ficamos juntos um tanto indignados com os pelotes que se formavam a nossa frente. No meio destes "grupos" fica nítido quem está querendo fazer uma prova justa e quem é pilantra. Os justos brecam, ficam na distância permitida, se existe uma impossibilidade devido a buracos ou mesmo posicionamento de outros atletas, vai para o outro lado da pista ficando com a cara no vento, enfim, fazendo de tudo para simular um contra-relógio individual REAL. Já os espertos, bem...são vaqueiros. Incrivelmente, alguns destes caras ainda correm mal depois. É de doer.

Em 2010, na T2, foi onde conheci o Marcos Faria. Saímos juntos da transição e dali nos conhecemos. Em 2011, o ultrapassei na bike a uns 300m da transição e mais uma vez saímos juntos para a corrida. Será que este ano eu não ia conseguir pegar o cara? Será que ele tinha saído para 24 ou 23 minutos da água? Será que eu tinha pedalado fraco demais? Saí de cima da bike, entrei na transição e quem estava lá colocando o tênis? O próprio rsrsrsrrs. Cheguei bufando e concentrado então nem falei nada. Nem sei se ele me viu. Ele saiu para a corrida e eu sai uns 40 ou 50 segundos atrás dele. Logo na saída da T2, vejo meu ex-treinador, o Ricardo Lino, me incentivando e falando "vai que você está em sétimo geral". Olhei para o relógio e vi 2h47m de prova. No ano anterior, nesta mesma posição, eu estava com 2h46m e me gritaram que eu estava em oitavo geral. Era difícil de acreditar que eu estava em sétimo, já que este ano haviam mais profissionais na prova e o nível do amador estava também bem alto, mas mais uma injeção de ânimo. Pensei: "bem, acho que todo mundo deu uma segurada no pedal".

Conseguia ver o Marquinhos bem à frente, mas ainda tinham 21km pela frente. Além disso, a minha disputa com ele é zero. Primeiro porque ele nào é da minha categoria, segundo porque perder para um atleta como ele não é desmérito algum. Terceiro, porque somos brothers. Vamos para a corrida.

Coloco sempre meu GPS na posição que marca a média de pacing de uma determinada "LAP", não em tempo real que oscila demais. No primeiro quilômetro, meu pacing estava na faixa de 3'50/km e era óbvio que aquilo me quebraria. Comecei a diminuir, diminuir, diminuir até que eu vi algo em torno de 4:05/km e mantive. Antes de ser ousado, eu sou realista. Eu não tenho como ter uma meia maratona pura para 1h20 (na casa de 3:49/km) e tentar segurar 4min/km em um meio Ironman. Então eu sabia que meu pacing deveria ser entre 4:05 e 4:20/km (que fica em uma zona específica de L3 para mim). Pensei "vou ficar no limiar da ousadia" rsrsrsr e sustentei na casa de 4:05/4:10min/km, oscilando nesta faixa, ora diminuindo, ora aumentando, dependendo do terreno, do posto de hidratação, etc. Nesta hora vejo o Kim da BK gritando e me incentivando também e falando "Vai que o Marquinhos está ali na frente!" rsrsrsr.

Na primeira volta da corrida, apenas os primeiros colocados estão com os pés no chão, então, dá para se ter uma boa idéia de quem está à frente ou atrás nos retornos, principalmente aquele do final do canavial. Antes de pegar a primeira pulseira, ultrapassei um atleta que eu não conhecia e cruzei o Marquinhos retornando. Extendi a mão e nos cumprimentamos. O tal atleta ficou no meu cangote muito tempo. Fizemos o retorno juntos, cruzei o Julio que estava logo atrás e o cumprimentei e o tal atleta veio seguindo meu pacing exato. Não me abalei. Pelo contrário, estava até gostando de um cara me marcando para não deixar o sofrimento me abater. Entramos na parte de terra e que lama! Que lama! Eu não estou tão acotumado a correr em terra batida, mas faço uns treinos e não corro tão mal, mas em lama? lameiro mesmo? O pacing despencou. A famigerada dificuldade do sol em Pirassununga havia sido substituída pela dificuldade da lama. Eu via longe o Marquinhos e o atleta que estava no meu cangote continuava ali, então, fiz o melhor que consegui, mas era naquela hora que o pacing começava a despencar. Pé no asfalto novamente e o cara ali, no meu cangote. Passamos pelo ginásio, estava ali minha família, a Antonella, a galera das assessorias empurrando e meu pai! Ele havia chegado! Estava sofrendo tanto que não consegui se quer cumprimentá-lo. E o tal atleta no meu cangote rsrsrs. Foi então que ele começou a me ultrapassar na entrada da segunda volta e eu vi "RODOLFO ALVES OLIVEIRA" escrito no macaquiho dele. Não o conhecia, mas uma coisa eu sabia, ele era bom. Eu tentei marcá-lo, mas o cara conseguiu segurar um pacing forte enquanto o meu diminuia aos poucos. Desencanei totalmente de ir atrás. Até ali, estava conseguindo sustentar abaixo de 4'10/km e estava muito satisfeito. Seria um recorde pessoal absoluto de qualquer forma se eu conseguisse segurar abaixo de 4'20/km. Obviamente que ultrapassei outros atletas neste inteirim, mas não houve nenhuma outra reação que me marcou. Pouco à frente, no entanto, sinto outro atleta no meu pacing atrás de mim. Ali ele também permaneceu uns 2km,. Chegamos ao retorno do canavial novamente e vejo que o Marquinhos está mais próximo. Eu havia tirado algun segundos dele.

Naquele momento, eu sabia que teria que aguentar o máximo de sofrimento para tentar ganhar alguma posição ou, pelo menos deixar de perder. Eu sabia que tinha o Rangel Rodrigues, o Maurício Letzow e o Marco Gimines na minha categoria e eu não tinha idéia se eles estavam à frente ou atrás de mim. Além do mais, sempre aparece um outro atleta de algum lugar muito forte que vem e azeda o molho. Eu sabia que se fosse o Gimenes ou o Maurício ali atrás de mim, o duelo no final seria feio, de quem teria realmente treinado mais. Mas era quase impossível ser o Maurício porque eu não o cruzei em nenhum momento na prova e a probabilidade dele estar atrás de mim era muito remota. Já o Gimenes, como nada pior do que eu, poderia sim estar me alcançando na corrida, mas, não era rsrsrsr. Para minha tristeza, era o Rangel Rodrigues. Ele me ultrapassou e eu não sei de onde tirei forças para grudar no cangote dele e ali ficar uns 2km. Consegui acompanhá-lo inclusive no barreiro, mas ele já começou a abrir e aí, não tive como segurar. O ritmo era forte demais pra mim. Colocamos o pé no asfalto e ele já havia aberto razoavelmente. O vi ultrapassando o Marquinhos que já estava mais próximo, a uns 50m. Nessa hora, segurar 4:25/km já estava heroísmo. A sensação era de que estava a 3'30/km, mas eu estava a 4'25/km. De qualquer forma, eu tinha segurado a imensa maioria da prova abaixo de 4'10, boa parte abaixo de 4'15, então, certamente bateria meu recorde pessoal ali da meia maratona que era de 1h28. Pira não tinha 21,1km, na verdade, mas 20,1km. Fiz a força que deu, foi impossível chegar no Marquinhos e ele chegou 25 segundos na minha frente. Só que, incrivelmente, fechei a meia maratona para 1h29!!! o que me fez não entender nada, já que uma média na casa dos 4'15/km me daria um tempo de sonhados 1h25 em Pirassuunga. Depois da prova, que fechei com 4h18, me falaram que a corrida estava com 1km a mais do que os outros anos, isto é, com 21,1km. Sendo assim, apesar de ter dilatado meu tempo, percebi que havia ido muito bem na prova e certamente teria um lugar no pódio.

Pouquíssimo tempo depois chega o Marco Gimenes e o Joachim (meu ídolo da categoria 55-59 no triathlon!!!!). Me apresento ao Gimenes que é uma figura conhecida no meio, mas ele nem sabia quem eu era rsrsrsr e levo o Joachim para conhecer meu pai rrsrsrrs: "Pai, sabe quando você fala que está ficando velho? então, esse cara aqui chegou quase junto comigo" rsrsrsrrs. Depois, fiquei sabendo que o Maurício Letzow havia abandonado a prova. Até agora, não sei o que houve com ele, mas certamente seria uma outra prova com ele no campo. Fica para a próxima!

Na chamada para o pódio, garanti o 2o lugar da categoria, perdendo para o Rangel Rodrigues, que fez uma prova excelente. Parabéns a ele!

Depois vou soltar outro post detalhando mais sobre as mudanças de minha preparação para esta prova e como encarei e avaliei este resultado. O que posso dizer é que estou muito feliz!

Agora, é recuperar.




Ulisses

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