terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Menu de Natal




Depois dos meus 36 anos de vida, mais de 60 dos meus pais e mais de 80 da minha avó, sentamos, em véspera de Natal, pela primeira vez, diante de uma mesa sem morte e sofrimento animal. Além de extremamente saudável, deliciosa e diferente de tudo que normalmente vemos nas ceias tradicionais. 

Costumo dizer que o vegano pode até sofrer todas as privações sociais e preconceitos do dia a dia, mas duas vantagens ele tem: a saúde inerente à dieta vegetal variada e a infinidade de sabores diferentes que irá experienciar em sua vida, sem depender da gordura saturada e do sódio para isso. 

Outro fato importante. Não trocamos presentes. Não compactuamos com os insistentes apelos sociais para comprarmos mais do que necessitamos nesta época de consumo desenfreado em nome da felicidade. 

O que, para o mais desavisado, uma ceia estritamente vegana, sem absolutamente nada de origem animal, tem afinal? Alface e tomate? Ou então aquela famosa: "Nem um peixinho?", como se existissem grupos distintos "dos animais" e "dos peixes". 


Bem, minha mãe ficou dois dias debruçada fazendo as mais gostosas guloseimas das quais vou compartilhar com vocês aqui neste post. Eu levei algumas outras poucas coisas. 


  • Bandeja de frutas secas e sementes: figo seco, abacaxi desidratado, damasco, ameixa, amêndoas, nozes, castanha-do-pará e castanhas portuguesas. 
  • Halawi. Um doce árabe à base de gergelim, glicose e açúcar. 
  • Homus. Pasta árabe à base de grão-de-bico, tahine (pasta de gergelim), limão e alho. A cozinha árabe, aliás, está sempre na mente do vegano... 
  • Antepasto de berinjela, pimentão vermelho, cebola, uva passa branca, canela e tomate cereja. 

  • Queijo de macadâmia: um queijo vegano à base de macadâmia, ágar-ágar (um substituto da gelatina à base de alga) e sal. Divino.... 
  • Purê de abóbora camboja com leite de soja e pimenta rosa. 
  • Brócolis e ervilha torta salteados no alho. 
  • Arroz cateto integral e espagueti integral sem ovo com molho de tomate (receita do restaurante Moinho de Pedra em São Paulo) 







  • Charuto de carne de soja com tomate seco e hortelã. Que ruim viu.... 










  • Torta à base de banana, ameixas e tofu. A massa tem farinha integral, aveia em flocos e linhaça. Affff, que delícia... 









Hoje, dia 25, ainda teremos um tabule de quinoa e grão-de-bico para completar o menu. 

Em toda esta ceia, não temos derivados de leite, ovos ou carnes (vaca, frango, peixe, porco, crustáceo, etc). Não temos farinha branca, apenas integral, não temos sal nem açúcar refinados, apenas o marinho e o mascavo. Não temos frituras e não temos temperos processados como caldos de legumes. O tal caldo foi feito em uma panela com legumes de verdade dentro. Este tipo de culinária dá muito mais trabalho do que temperar um bixo e colocar para assar ou fatiá-lo em formato de frios. Abrir um pote de leite, creme-de-leite ou leite condensado ou quebrar um ovo "para dar liga", mas, é uma culinária muito mais gostosa, saudável e sustentável. 

Um dia, esta culinária será a padrão. Seus itens não serão mais exclusividade de casas de produtos naturais com preços mais elevados. Um dia, olharemos para trás e teremos vergonha de como nos alimentávamos, assim como os alemães tem vergonha do Holocausto ou temos vergonha da época da escravidão. Um dia, da mesma forma, o consumismo será apenas uma infeliz lembrança de uma sociedade velha que acreditava ser nova. A época do desperdício de recursos naturais e intelecto humano para sustentar ego e vaidade estará nos livros de sociologia como modelo que faliu. Infelizmente, não estarei vivo para ver esta grande mudança, mas já estou plantando a semente e ajudando a cultivá-la para as próximas gerações. 

Felicidades à todos! 

Ulisses

domingo, 23 de dezembro de 2012

O Natal chegou!





Não vou dedicar um post desejando Feliz Natal, saúde e tudo mais que todos sempre fazem nesta data.

Costumo desejar o melhor para as pessoas que conheço durante o ano todo, não em uma data específica. Faz bastante tempo que acho esta uma data bem hipócrita, aliás. Pelo consumo aflorado, por não ser religioso, por venderem a imagem de  um messias, Jesus Cristo, no crediário das Casas Bahia, pois até ele "cabe no seu bolso".

Neste ano, encontrei um motivo a mais para achar esta uma data hipócrita: a celebração do "amor" e do nascimento do "salvador" regada de morte e sofrimento animais à mesa.

Bem, este ano, no entanto, a coisa será diferente! Pela primeira vez em 36 anos terei um Natal onde a troca de presentes será determinantemente proibida e teremos um cardápio 100% vegano!

Quem participará? Eu, minha mãe, meu pai e minha avó, que por razões de coerência, concordaram felizes com esta decisão. Só sentirei falta da minha namorada. :-(

No próximo post, colocarei o menu de Natal vegano que minha mãe está carpichando. Uma coisa mais gostosa que a outra!

Compartilho um texto que aborda o Natal sob a minha ótica.

Ulisses

sábado, 8 de dezembro de 2012

Análise Evolutiva





O Long Distance de Pirassununga é a minha prova “termômetro”. É a prova onde avalio a minha evolução do ano. Foi minha primeira prova longa da vida e acabou virando emblemática. Todo ano, procuro fazer alguma coisa diferente para me melhorar, mas, é óbvio que com o tempo, tudo fica mais difícil. Este ano, no entanto, resolvi, além de me avaliar, me comparar com outros atletas que costumam figurar também entre os primeiros amadores. Até para ter uma noção do que significa realmente “melhorar”, afinal, se eu melhorei, mas outro atleta melhorou mais do que eu, quero saber o que ele está fazendo. Além disso, analisar apenas o tempo final de uma prova pode trazer uma noção distorcida desta melhora. 

Esta foi a minha quinta participação em Pirassununga. A primeira, em 2008, eu tinha pouco mais de seis meses de triathlon então ela não foi uma prova, mas praticamente uma luta de guerrilha rsrsrsrs. Consegui ainda completá-la em heroicos 4h58m e fiquei uma semana destruído. Fiquei em 106º na colocação geral e 31º na categoria.