sábado, 8 de dezembro de 2012

Análise Evolutiva





O Long Distance de Pirassununga é a minha prova “termômetro”. É a prova onde avalio a minha evolução do ano. Foi minha primeira prova longa da vida e acabou virando emblemática. Todo ano, procuro fazer alguma coisa diferente para me melhorar, mas, é óbvio que com o tempo, tudo fica mais difícil. Este ano, no entanto, resolvi, além de me avaliar, me comparar com outros atletas que costumam figurar também entre os primeiros amadores. Até para ter uma noção do que significa realmente “melhorar”, afinal, se eu melhorei, mas outro atleta melhorou mais do que eu, quero saber o que ele está fazendo. Além disso, analisar apenas o tempo final de uma prova pode trazer uma noção distorcida desta melhora. 

Esta foi a minha quinta participação em Pirassununga. A primeira, em 2008, eu tinha pouco mais de seis meses de triathlon então ela não foi uma prova, mas praticamente uma luta de guerrilha rsrsrsrs. Consegui ainda completá-la em heroicos 4h58m e fiquei uma semana destruído. Fiquei em 106º na colocação geral e 31º na categoria. 

Nas outras três edições seguintes, 2009, 2010 e 2011, consegui melhorar muito a cada edição. Meu primeiro pódio no triathlon foi justamente em 2010, quando fiquei na 5ª colocação na categoria com 4h20m e a prova de 2011 considerei e melhor prova que tinha feito na vida até então, com 4h15min e a 2ª colocação na categoria, 10º geral da prova. Desde 2010, no entanto, comecei a enxergar o triathlon de forma diferente. De apenas completar uma prova, comecei a perceber que tinha condições de brigar pelas primeiras posições e comecei a reparar nos nomes de meus “concorrentes”. Odeio esta palavra, na verdade, pois ali, todo mundo é atleta, todo mundo está se superando, curtindo, fazendo o melhor e talvez esta palavra não defina o que cada um de nós representa para o outro. 

De 2008 para 2009, as principais mudanças foram o fato de ter começado a treinar com a metodologia do Ironguides e de estar com a alimentação acompanhada por nutricionista. A melhora foi expressiva demais e percebi que o caminho estava mais do que certo. (de 4h58 para 4h32)

De 2009 para 2010 a melhora, ao meu ver, foi ainda mais expressiva. O que foi alterado? Treinei e me alimentei da mesma forma, no entanto, saí do mundo corporativo e me mudei de São Paulo para uma vida mais qualitativa em Atibaia. Isto foi suficiente para que uma recuperação mais eficiente pudesse ocorrer. A outra mudança foi a bike. Pela primeira vez fazia Pirassununga com uma bike contra-relógio e rodas de competição. Comecei também a “me atrever” a alterar os treinos do Ironguides. Comecei a estudar fisiologia do exercício como louco e comecei a colocar em prática. Alterei muitos treinos, principalmente de natação e corrida. O resultado final foi muito positivo. Tirei 12 minutos do meu tempo e peguei meu primeiro pódio. 

De 2010 para 2011, a melhora veio, é claro, mas já não tão galopante. Melhorei a natação, com muito mais treinos técnicos do que de intensidade, e melhorei a corrida. A bike, apesar de ter mantido a mesma, como corri melhor, julgo que também estava pedalando melhor, afinal, saí mais inteiro. Cheguei nessa prova mais leve que na edição anterior também. O que mudei? Nada expressivo, a não ser na corrida onde comecei a explorar outros tipos de treinamentos e séries. 

De 2011 para 2012 é onde minha análise crítica acontece mais profundamente. Duas variáveis enormes à equação foram adicionadas: parei totalmente com todos os suplementos e me tornei vegano. Isto não significa que parei de tomar R4 Endurox, mas parei de tomar TODOS os suplementos processados: géis, maltodextrina, BCAA, whey, Glutamina, etc etc. NADA disso mais. O veganismo então, foi uma mudança mais do que radical. Não é apenas retirar o “bife”, mas retirar todos os derivados de animal. Queijos, iogurtes, pães que vão leite, massas que vão ovos, temperos à base de manteiga, enfim, TUDO que possui algum pedaço ou secreção animal. Aqui, o Santa Pimenta teve um papel fundamental. Outra mudança que eu fiz no treinamento foi criar blocos de periodização por esporte, ou seja, a cada quatro semanas, eu me concentrava mais na bike ou na corrida. Achei uma estratégia acertada. Outra: parei de fazer transições sistemáticas! Sempre vi triatletas treinando transições insistentemente. Eu mesmo treinava transições intensas duas vezes por semana. No entanto, comecei a reparar que por mais que eu as treinasse, eu sempre saía da bike com as pernas “duras” e os treinos de transição são sempre desgastantes, então, me questionei: “será que não seria melhor parar de fazer estas transições e colocar um dia a mais específico de corrida, onde melhoro algum componente biomecânico ou fisiológico?” Foi o que fiz. Comecei a fazer transições com apenas quatro semanas de antecedência da prova. Em compensação adquiri uma qualidade de corrida melhor resultante de um dia a mais de treinamento específico. Percebi que minha corrida melhorou muito assim. A partir de hoje, transição é só quando estou chegando perto da prova. Foco na corrida isolada. 

Concluída a prova e fazendo a famosa análise superficial, foi a primeira vez que o meu tempo dilatou ao invés de diminuir, no entanto as circunstâncias foram muito diferentes. Minha natação melhorou muito. Meu ciclismo na prova piorou, mas teve a adversidade da chuva e do meu clip que soltou. E minha corrida também melhorou bastante, mas a prova estava com 1km a mais do que os outros anos, fazendo com que esta melhora individual minha não fosse devidamente “computada” no resultado oficial da prova. Para mim, a prova estava mais difícil este ano, apesar de ter terminado muito mais inteiro e ter me recuperado muito mais rápido na semana seguinte. 

A “pulga atrás da orelha”, no entanto, estava lá. Afinal, melhorei, piorei ou estagnei? Estava também um tanto mal acostumado, já que minhas melhoras eram bem mais evidentes e expressivas e, neste ano, a dúvida ainda pairava. As mudanças, principalmente na dieta, foram demasiadamente expressivas e, para mim, saber se eu melhorei ou não seria de uma valia enorme. Neste contexto, comecei a analisar outros atletas. Nada melhor do que isso para responder a esta minha dúvida. 

Marcos Faria: meu chapa chegou novamente na minha frente esse ano, mas por 25 segundos desta vez. Diminui a diferença e levando em conta que ele certamente melhorou, vejo isso como um ponto positivo para mim. Além disso, ele teve um ano brilhante com um Ironman para 9h15, uma classificação para o Havaí e o primeiro lugar geral amador no GP Extreme em abril. Fiquei 25 segundos atrás dele e me sinto feliz por isso. 

Rangel Rodrigues: Ele pegou 2º na categoria 35-39 em 2010, foi o 7º geral amador e eu fui o 8º. Ele chegou 1’30min na minha frente naquele ano. Eu era ainda da 30-34. Ano passado eu ganhei dele, mas certamente foi um ano atípico. Ocorreu certamente algo com ele na prova em 2011 e não tem como servir de parâmetro. Neste ano, ele ganhou a categoria 35-39 e eu cheguei em segundo com 2min atrás. Encarei mais esta de forma positiva, já que ele também melhorou ao longo deste tempo e fez uma prova sensacional. 

Marco Gimines: O fato de eu ter ganhado do Marco Gimenes me permite afirmar que eu fiz uma excelente prova. Ele é um fera do triathlon de longa distância, com mais experiência que eu, portanto, foi um ponto muito positivo nesta minha percepção de melhora. 

Joachim Doeding: Em 2010 este fera da categoria 55-59 (isto mesmo, ele tem 20 anos a mais do que eu!) chegou na minha frente por 1’30 de diferença. Virei fã do cara ali. Ano passado, ele não participou de Pirassununga, mas teve um ano brilhante em outras provas. Este ano cheguei na frente dele por 2min de diferença. Mais um ponto que me deixa feliz com a prova que fiz. 

Sebastian Castellano: Nunca consegui chegar na frente desse monstro da categoria 40-44. Este ano cheguei 4min na frente, mas não tenho a menor dúvida que foi uma prova atípica para ele. Ou algo ocorreu durante a prova ou foi um período conturbado de treinamento. Não acho que esta prova seja parâmetro para me comparar com ele. 

Arthur Ferraz: Apenas ganhei do Arthur uma vez em Pirassununga que foi ano passado quando ele passou mal. Em circunstâncias normais, eu realmente não consigo se quer vê-lo na prova. Ele sempre teve uma natação muito forte, um ciclismo insano e uma corrida boa, mas não tão expressiva. Mas era o suficiente para deixá-lo sempre bem posicionado no pódio. Ele já possui tempos na casa de 4h10m desde 2009. Este ano, no entanto, ele ganhou a categoria 30-34 com excelentes 4h09m (acho que foi o melhor tempo dele lá), sendo que a prova estava nestas circunstâncias difíceis (lembrando sempre do 1km a mais). Ele pedalou mais leve, assim como eu, e correu muito dessa vez. A melhora dele foi realmente muito expressiva. Acredito que tenha sido o treinamento do Ironman 2012 que ele fez para esse ano. Parabéns para ele. Se eu melhorei um pouquinho, ele melhorou absurdo! Mas o fato dele ter feito 4h09 e ter pego 1º da categoria 30-34 me faz perceber o quanto esta prova teve o tempo mais dilatado do que o comum. 

Paulo Sérgio Rosa Costa: Ele foi o 1º colocado da 40-44 com excelentes 4h12m. Ano passado eu ganhei dele por 1 segundo de diferença!!! Só que este ano, ele tirou seis minutos de mim. Fiquei cabreiríssimo! Não conseguia entender como alguém podia melhorar tanto. Foi quando dei uma pesquisada e vi que em 2008, no ano em que eu sobrevivi neste prova (rsrsrs), ele tinha ganho a categoria 35-39 com 4h13min! Ou seja, ele já era uma mega atleta quando eu estava ainda me matando no canavial rsrsrsrs. Então, certamente ele não pode ser utilizado como base de comparação para as minhas melhoras. 

Bruno Fregolente Lazaretti: Ano passado ele ganhou de mim por pouco mais de 2min. Este ano, ele simplesmente foi o melhor amador com 4h03m e venceu a 25-29! Não conheço a trajetória do Bruno, mas eu concluo aqui que ano passado ele quebrou na corrida e este ano ele emplacou. Pelo que vi, ele sempre nadou muito, sempre pedalou muito, mas dessa vez ele correu muito também! Realmente, queria muito saber da sua história e de seu treinamento. Simplesmente arrebentou. Indiscutivelmente, foi o atleta com o melhor índice de melhora no campo. Posso estar muito enganado, mas este deve ter sido o melhor resultado dele. Se eu não tivesse a base de comparação com outros atletas e me baseasse apenas por ele, estaria triste agora tentando imaginar o que havia feito de errado. Mas, eu não fui o errado, ele é que foi o certo demais. Parabéns a ele! 

Analisando-se tudo isso, entendo que melhorei, mas a melhora foi pequena. No entanto, levando em conta que fiz uma mudança alimentar drástica e ainda assim melhorei, estou encarando isso com muito otimismo. Se eu tinha dúvidas se seria possível se manter competitivo sendo vegano e sem suplementos, hoje, não tenho mais. No entanto, realmente ainda tenho muito que aprender. 





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