terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Então, o que você come?





Olá,

Escuto de muita gente: "Mas então, o que você come?".

Muitos podem achar que escuto isso desde que sou vegano há poucos meses, ou mesmo quando virei triatleta e mudei muito minha alimentação, mas enganam-se. Escuto isso desde meus 22 anos quando simplesmente resolvi retirar de minha dieta itens gordurosos e açúcar em excesso. Como os "itens gordurosos", na minha concepção de nutrição da época, consistiam em frituras, carnes gordurosas, molhos e queijos gordurosos, tortas, etc, o que representa hoje a imensa maioria da dieta "normal" de uma pessoa, eu já escutava o famoso "Mas então, o que você come?". Na época, eu já era obrigado a comer em restaurantes self service, já não comia nada em festas e já era super restrito para comer na casa de outras pessoas e, principalmente, no ambiente de trabalho. Tudo isso simplesmente por fazer o básico do básico para uma nutrição menos destrutiva.

Quando comecei a fazer triathlon, as preocupações aumentaram Não era mais treinar para poder comer, mas sim, comer para poder treinar. Então, obviamente, além de ser obrigado a entender mais dos alimentos e suas propriedades, tive também que entender como funcionavam as quantidades e os momentos de consumi-los. Ou seja, não era mais uma questão de "o que", mas uma questão também de "quanto", "quando" e "como".

Não preciso nem dizer que a tal pergunta "mas então, o que você come?" começou a fazer parte do meu cotidiano no convívio social.

Há seis meses virei vegano, isto é, não consumo nada de origem animal. Normalmente quando falo isso as pessoas imaginam "o bife", mas eu repito, NADA DE ORIGEM ANIMAL. Bem, isto me torna um triatleta, com todas as restrições alimentares já inerentes, e ainda vegano.

O número de perguntas "mas então, o que você come?" aumentou em uma escala realmente assustadora rsrsrs. Afinal, a nossa dieta convencional hoje, aquela que encontramos normalmente em restaurantes e mercados, são em grande parte baseadas em carnes, víceras, tendões e secreções de origem animal. Simplesmente, as pessoas não conseguem se quer imaginar um prato de comida que não possua algo de origem animal. Chega a ser um exercício mental complexo conseguir imaginá-lo.

Por tudo isso, resolvi escrever um post sobre "o que" eu como. Não "quando", não "como", nem "quanto", afinal, isto é um trabalho de nutrição e auto-conhecimento difícil e é muito particular. Mas o "o que", acredito que é realmente muito mais genérico e se aplica a qualquer ser humano. Assim, todas as vezes que alguém me perguntar "mas então, o que você come?", eu vou poder responder "me passa o seu email que eu vou te mandar um link" rsrsrrsrs. 

Vou dividir os alimentos em quatro grupos:

- SEMPRE: Os de consumo diário, que procuro manter sempre perto no meu dia-a-dia. Não faltam em casa nunca.
- OCASIONALMENTE: Os de consumo ocasional, quando estou em lugares que não me permitem acesso aos meus alimentos diários ou quando são a opção disponível no momento.
- RARAMENTE: Os de consumo raro, quando não há outra opção e preciso ingerir alguma coisa. Quando ficar sem comer é pior do que ingeri-los.
- NUNCA: Os que eu só consumirei em caso de guerra civil ou guerras de proporções continentais rssrrsrs

Vamos lá.

ALIMENTOS CONSUMIDOS SEMPRE
  • Hortaliças: todas elas. Alface, rúcula, escarola, almeirão, espinafre, brócolis, agrião, salsinha, cebolinha, ervas todas.
  • Grãos e Leguminosas: feijões (carioca, branco, preto, azuki), grão-de-bico, lentilhas, arroz integral, arroz sete grãos, ervilhas, cevadinha.
  • Cereais: aveia, amaranto, quinoa, pães 100% integrais e macarrões integrais (de preferência orgânicos, sem conservantes, sem glúten e sem derivados de trigo).
  • Oleaginosas: amênodas, nozes, castanhas, amendoim, chia, linhaça, semente de girassol, semente de abóbora, gergelim (puro ou no Tahine)
  • Legumes e raízes: tomate, cebola, alho, beterraba, cenoura, beringela, batata-doce, pimentão, pimenta (MUITA pimenta rsrsrsrs)
  • Frutas: todas.
  • Fruras secas: damasco, figo turco, tâmaras. (A escolha destas especificamente não tem muito a ver com valores nutricionais, mas com praticidade na compra)
  • Açúcares: Apenas para aumentar o índice glicêmico para treinos: rapadura, melado de cana, malte de cereais, açúcar mascavo.
  • Outros: cogumelos (shitake, shimeji), levedura de cerveja, chlorella, chás verde e branco e café (sim, sim, acho que este é um dos meus piores males rsrs).



ALIMENTOS CONSUMIDOS OCASIONALMENTE

  • Grãos: soja e derivados (tenho leite de soja Ades sempre, mas não é de uso diário. Tofu ocasionalmente tenho em casa também). Muitos veganos optam pela soja como principal fonte proteica. Eu prefiro outros grãos e oleaginosas. A maioria da soja é transgênica e possui o problema das isoflavonas que são compostos orgânicos estrogênicos, ou seja, possuem semelhança orgânica ao hormônio feminino estrógeno. Ou seja, me transformar em mulher, comer algo transgênicos duvidoso do ponto de vista de qualidade e ainda dar dinheiro para a Monsanto, rsrsrsrs, não é este estilo de vida que optei para mim.
  • Cereais: trigo e derivados (incluindo pães). O trigo já foi um bom alimento há alguns séculos atrás, hoje depois de tantas mutações genéticas e cruzamentos para aumentar a escala produtiva, há estudos que apontam o consumo de trigo como vilão para diabetes, obesidade e problemas cardíacos. Em mercados normais, simplesmente não existe nenhum tipo de pão que não seja derivado do trigo. Apelo para pães de lojas naturais feitos com outras farinhas e estou estudando a possibilidade de comprar uma máquina que faz pães.
  • Legumes e raízes: batata, mandioca, nhame. O Nhame não compro por uma questão de hábito mesmo, mas os outros não compro por possuirem muitas calorias provenientes de carboidratos e poucas propriedades nutricionais, diferentemente da cenoura e da beterraba. A batata-doce como com mais frequência pelo seu índice glicêmico mais baixo.
  • Oleaginosas: óleos em geral. Azeite, óleo de linhaça, óleo de girassol, etc. O consumo ocasional destes itens não está ligado à suas qualidades. Eles são gorduras insaturadas excelentes. No entanto, como busco o maior número de fontes proteicas possível, dou sempre preferência às oleaginosas em seu estado natural, ou seja, de sementes.
  • Outros: comidas preparadas fora da minha casa ou da minha mãe onde óleos (ainda que vegetais) são utilizados para cozinhar. Aquele famoso "fritar o alhinho antes com óleo para não grudar". Um mito que não mais deveria exisitir. Óleos, por melhor que sejam sua qualidade, depois que foram esquentados nas panelas, mais um pouco de gordura saturada em nossas veias. O leite ou óleo de coco também é algo que eu não tenho hábito de consumir por se tratar em grande parte de gordura saturada. O milho e derivados também como ocasionalmente. 
  • Algum leite de soja vegano e de preferência não transgênico.

ALIMENTOS CONSUMIDOS RARAMENTE

Aqui estão os brancos e refinados. Arroz branco, farinha branca, açúcar branco e todos os derivados destes três. No mundo de hoje é praticamente impossível encontrarmos alguma casa, restaurante ou mercado que não tenham estes itens em larga abundância. É o décimo terceiro trabalho de Hércules não consumí-los. Nas massas todas está sempre lá a farinha branca e nos sucos, cereais matinais, biscoitos, etc, está lá a farinha branca. O arroz branco está presente na mesa de milhões de brasileiros diariamente em suas casas e nos restaurantes. Simplesmente não consigo entender como itens tão nocivos se quer existam. No entanto, em algumas situações do convívio social é realmente muito difícil não lançar mão deles.
Até mesmo os ditos "pães integrais" que estão nos mercados, não são integrais. Possuem o tal ingrediente "farinha enriquecida com ácido fólico e ferro" que é farinha branca. Algumas marcas como a Panco possuem pães multigrãos 100% integrais, mas ainda assim, possuem conservantes e estabilizantes, além de ser feito com trigo. Outros pães são processados nas mesmas máquinas onde são processados derivados de leite e ovos, então, não são veganos. O melhor é encontrar uma casa de produtos naturais que possua algum pão com farinha que não seja de trigo, sem glúten, sem aditivos químicos e sem transgênicos. 


ALIMENTOS NÃO CONSUMIDOS NUNCA

- Carnes: de vaca, de frango, de peixe, de peru, de crustáceos, de moluscos, de jacaré, de javali, de porco....
- Embutidos: presunto, salame, peito de peru, etc.
- Derivados de leite: queijos, iogurtes, molhos, biscoitos, bolos, massas, etc.
- Derivados de ovos: bolos, massas, omeletes, etc.
- Produtos de apiário: qualquer produto que possua em sua composição produtos de apiário: mel, cera de abelha, pólen, geléia real, favo, etc
- Frituras: de nenhum tipo.
- Fast foods
- Qualquer alimento que eu não saiba como foi feito ou, no caso de industrializados, que não possua  lista de ingredientes.


Quanto à vida social? sim, ela vai bem rsrsrsrs....

Espero ter esclarecido que, apesar das restrições, as opções alimentares ainda são muitas (desde que na minha casa, na casa da minha mãe e que eu esteja com minha maleta de comida no carro rsrsrsrs). Por algum motivo, nossa sociedade optou pelos caminhos nutricionais errados. Cabe a você descobrir os porquês do certo ter virado exceção e da exceção ter virado a regra.

12 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Ulisses, juro que eu li salsicha em vez de salsinha...e pensei!! Porra o cara é vegano e come salsicha!!!

    Fail total hehe

    Obs...é tão parecido que me embananei no comentário anterior hehe

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    1. Comer salsicha não tem nem como ser vegano, nem atleta rsrsrsrrsr

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    1. Zero suplemento Fernando. Antes de virar vegano já vinha parando. Quando virei vegano, senti que a qualidade de minha alimenação evoluiu demais, então, não senti necessidade. Tenho um complexo vitamínico (Megaman) que tomo meia dose em épocas de pico de treino apenas, mas não por sentir que preciso, apenas por prevenção. Quando passo um final de semana longe de casa, comendo coisas que não estou acostumado (os itens do "ocasionalmente") também tomo por saber que naqueles dias minha nutrição não foi tão rica e sei que só sentirei alguns dias à frente.

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  4. ....muito bomm exemplo demais ...... ja esta imprimido e aos poucos vou me encaixando nessa qualidade de alimentacao.

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  5. sobre o mel, meu caro, qual a bronca? puramente ideológica ou há tb algo de podre sobre sua excelente reputação? mais um mito? abs

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    1. Fala George.
      O mel é puramente ideológica. Na verdade cara, ser vegano 100% é completamente ideológico. O Homem não é vegetarinao, mas onívoro. O problema é que aqueles 15% de consumo de calorias animal que deveriam ser se transformaram em mais de 50% e com isso uma indústria macabra por trás. Antibióticos, hormônios, sofrimento, maus tratos, modificações genéticas, efeito estufa, emissão de CO2 e metano, desmatamento, enfim, o rastro de destruição para chegar um bife no seu prato é absurdamente mais prejudicial do que seu carro.
      Agora, quanto ao mel, é bem simples a questão. O mel é o alimento das abelhas durante o inverno. Elas, coletando nectar das flores, polinizam imensas áreas. No inverno, como retiramos o mel, elas morrem. Simples assim, morrem e aí os produtores começam a "renovar" o estoque de abelhas. O que acontece com a polinização? Bem, acho que já entendeu...

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    2. Uau! Primeiro vegano que eu vejo que assume sua postura como 100% ideológica e assume nossa natureza onívora, muito diferente dos militantes fanáticos. Assim eu respeito. :)

      Enfim, eu não abro mão da minha dieta onívora (dieta quase páleo, não abro mão de alguns laticínios, hehehehe). Se fôssemos plantar os vegetais necessários para alimentar todo mundo no lugar das pastagens, apenas estaríamos mudando de tirano. Creio eu que agricultura em larga escala seja tão onerosa quanto criação de gado.

      Seria muito bom se pudéssemos voltar as origens, mantendo nossas conquistas tecnológicas. Mas botar alimento na mesa de 7 bilhões de pessoas não seria possível, tudo hoje precisa ser feito em nome da produtividade para atender a enorme demanda nesse mundo super-populoso. A menos que alguém descubra uma maneira de conciliar produção em larga escala com sustentabilidade.

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  6. Amigão, como você prepara o feijão e lentilhas?

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  7. Interessante. Pouco sabia sobre abelhas. Imagino que o tal mel orgânico não faça diferença no que diz respeito às abelhudas, confere?

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    1. Então cara, pelo que sei, mel orgânico é apenas uma forma de evitar antibióticos nas abelhas, bem como pesticidas nas platações de onde elas colhem o pólem. É apenas uma questão da qualidade do mel. Mas não desonera a questão sobre a exploração de um animal que nos trás tantos benefícios nem a questão da polinização.

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