quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Especificidade para o SOLOMAN




Olá,

Por três anos, dediquei os primeiros meses do ano para estar pronto na largada do Ironman Brasil. Este ano, será o quarto que enfrentarei este desafio. No entanto, a situação é pra lá de diferente.

O Ironman Brasil possui uma natação no mar, com anos difíceis e anos fáceis. Depende do "humor" da praia do Jurerê naquele último final de semana de maio.

No ciclismo, temos subidas, sim, é claro, mas a maior parte do circuito plana, porém, com vento que dificulta, principalmente na segunda volta.

Na corrida, temos o famoso "morro de Canasvieiras" que é pra lá de íngrime, porém, curto. O restante do circuito é plano com levíssimos aclives e declives.

Nos meus dois últimos períodos de treinamento para o Ironman Brasil, o período específico, que normalmente começa em meados de março, procurei realizar em circuitos que simulem o que iria enfrentar lá em Floripa. Acho que todo triatleta que tem um pouco mais de experiência faz isso. 

Ou seja: procurei pegar menos morros, mas colocar mais a cara no vento por longos períodos no ciclismo para treinar a cadência e o psicológico, procurei realizar corridas em alta cadência em locais planos ou com leves aclives e declives, com alguns treinos em subida apenas para fortalecimento, porque no "morro de Canavieiras", minha estratégia seria trotar ou andar mesmo, nadei com mais flutuador e mais palmar, já que a natação era com wetsuit e podemos bater perna mais moderadamente e aplicar mais força no braço.

Agora, o SOLOMAN...

Na natação, nada de novidade. Tudo indica que ela será mais fácil que a do Jurerê, já que será em uma represa com águas mais calmas e a temperatura deverá estar baixa, liberando-se o wetsuit.

Na hora que colocarmos os pés no chão novamente, uma prova completamente diferente teremos à frente.

No ciclismo teremos nada mais nada menos do que 2900m de inclinação acumulada nos 180km com ventos rudes. Isto é pior que o Ironman de Nice, na França. Na corrida, simplesmente não existe plano. Ou seja, simplesmente não há plano em nenhum momento da prova. A única coisa plana é a natação rsrsrs. Além disso, o interior de São Paulo costuma ser mais quente que Florianópolis. Apesar de maio ser um ano normalmente com temperaturas amenas, não duvido que o calor possa ser mais uma variável.

Sendo assim, como treinar para um negócio desses? Certamente, não é igual ao aos treinamentos dos outros Ironmans que fiz rsrsrsrs.

Mais uma variável: meu primeiro Ironman com ZERO de suplementos e vegano...

Obviamente, todas as expectativas de tempo estão simplesmente zeradas. O objetivo é realmente terminar a prova na velocidade mais rápida possível dentro daquelas circunstâncias. Mas, ainda assim, não quero que seja um "treinão", quero realmente cruzar a linha de chegada com a sensação de que mais nada poderia ter sido deixado no campo. Como treinar para isso?

Bem, cá nos meus pensamentos, acredito que o segredo está no período específico. No período mais de base, vou procurar treinar condições que não necessariamente utilizarei na prova, mas que me permitirão chegar ao período específico "afiado": velocidade, funcionais, musculação, muita força específica, tolerância a lactato e algum endurance. Não terei maiores problemas aqui. Não vejo muitas mudanças do que está no meu dia a dia de treinos.

O período específico. É aqui que está desafio. Como manter uma média de bike razoável com tantas subidas? Como conseguir isso sem não estar esmigalhado nos últimos 30 ou 40km? Como conseguir correr uma maratona, após este ciclismo, com uma altimetria maior do que o Ironman de Wisconsin, considerado o pior do circuito? Qual a cadência ideal a se imprimir na bike? Subir de forma conservadora e descer arregaçando ou subir forte e relaxar na descida? Se for para descer forte, qual cadência? volante 53x11 será suficiente? Como manter um pacing de corrida em um circuito como este? Subir com pacing ridiculamente baixo para soltar as pernas em descidas "recuperando" o pacing médio? Me parece uma estratégia acertada, no entanto, como conseguir concluir a maratona de 42km sem explodir os joelhos e quadris dessa forma?

Coloquei estas dúvidas todas aqui que perambularam minha cabeça nos últimos meses. Mas é claro que já tenho minhas estratégias definidas. No entanto, o maior desafio é como treinar para isso sem se explodir nos próprios treinos. É aí que estará a maior inteligência. Como dividir a semana de tal forma a chegar preparado, treinado, não chumbado e lesionado? 

Será algo totalmente diferente de tudo que já enfrentei no triathlon e, obviamente, serão requeridos conhecimentos diferentes daqueles que tive até então.

O fato é que após um treinamento como este, após passado o dia 26/05, se tudo der certo, cruzando a linha de chegada, o atleta que estará lá não será mais este que vos escreve, mas outro, muito mais forte e experiente.

SOLOMAN!!!

Ulisses


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