sexta-feira, 22 de março de 2013

A saga dos pneus





Conforme relatei em meu POST sobre minha sina com pneus furados, venho fazendo a lição de casa.

O que entendo por esta lição? Bem, pneus infuráveis não existem. No entanto, existem formas de minimizarmos muito esta situação, tanto em treinos, como em provas.

Quando falamos de treinos, a performance é o que menos importa. Força é força, watts são watts e 4 horas de pedal são 4 horas de pedal, independentemente se está a 25km/h, 30km/h ou 45km/h. O objetivo é realmente termos o mínimo de pneus furados.

Já quando falamos de competição, a complexidade aumenta. Por mais que soe agradável ter uma tecnologia que praticamente te isenta de furos em provas, existe uma gangorra. Quanto mais proteção temos, mais lento vamos. Pelo menos é este o padrão que eu identifiquei lendo um monte de especificação de farbicantes. Um site legal que dá para coletarmos esta informação é o da Schwalbe. (http://www.schwalbe.com/gbl/en/produkte/race/produkt/?ID_Einsatzbereich=11&showAllProducts=true). O fabricante disponibilizou uma ferramenta de busca fantástica. Escolhemos a característica do pneu e ele vai "filtrando" o rsultado. Ali podemos identificar claramente este padrão "gangorra".


Em uma discussão no grupo Ironbrothers do Facebook, o Renato Fabri apresentou argumentos excelentes que realmente quebram alguns mitos. Ele ressaltou a idéia que, dependendo do pneu que escolhemos em uma prova, a resistência de rolagem pode ser tão alta, que o tempo perdido é maior do que a troca devido a um eventual furo. Principalmente em provas longas. No começo, desconfiei, mas fiz uma pesquisa e realmente ele tem razão. Impressionantemente, sempre vemos atletas preocupados com o perfil aerodinâmico da roda, com a geometria do quadro, etc, mas nunca vejo ninguém falar de pneus. Eu me incluo ali. Para mim, pneu era pneu. Sabia, por questões óbvias, que poderia dar uma diferença pequena, mas jamais imaginei que pudesse ser algo tão grotesco.

A resistência de rolagem de um pneu é um coeficiente que possui a aerodinâmica, o material, a espessura e a pressão como variáveis para se saber quanto aquele pneu "roda" ou quanto ele "segura". O maior problema é que os fabricantes não divulgam estes números em seus modelos de pneus e temos que ficar caçando informações de grupos independentes que realizaram tais testes. Obviamente, nem todos os pneus ali estão. Como exemplo, temos este LINK. Os dados são muitos e a complexidade é grande na busca de um pneu, mas uma coisa eu já aprendi: mitos como encher mais o pneu para ele "rodar mais" são absurdos. As variáveis são muito mais complexas que esta.

Bem, temos que trabalhar com o que temos em mãos. Se não temos todas as informações, nos resta é compreender os muitos modelos dos fabricantes e ler muitos "reviews". Não existe nada unânime neste meio. Um pneu que para uma pessoa durou 6000km para furar, para outro furou no primeiro treino. Para uns, um pneu é "ultra-rápido" e o mesmo pneu para outro "o segura no chão". Então, temos que dar os devidos descontos. Acho que o melhor a se fazer é respeitar o que o fabricante nos dá de informação.

Uma outra decisão que tomei foi a de vender minhas rodas tubulares. O motivo não é exatamente devido à performance ou furos, mas devido à toda complexidade que temos quando falamos de pneus tubulares. Dificuldade de instalação, falta de padrão, sapatas de freios diferentes, não dá para intercambear pneus de treino e provas, o desperdício de se furar um pneu e ter que jogá-lo fora, enfim. Para os ciclistas das antigas,  puristas, aqueles que foram mecânicos de bike e não possuem uma mão, mas uma morsa, o pneu tubular pode até ser legal, sua leveza pode até compensar o trabalho. Mas para caras como eu que enxergam a bike como uma máquina de fazer força, e que toda uma dificuldade mecânica e logística é motivo para xingar todos os deuses de todas as crenças, pneu tubular, não serve. Ele me deu grandes alegrias já, mas algumas decepções, então, clincher na cabeça.

No começo, minha busca era por encontrar o pneu mais impenetrável do planeta. Descobri dois: o Continental SuperSport Plus e o Schwalbe Durano Plus. Existem outros, mas pelo que vi, estes são os dois mais qualificados neste quesito.
Schwalbe Durano PLus

Continental SuperSport Plus













No Blog do Max (http://maxkonabikes.blogspot.com.br/2013/03/adequando-equipamentos-i-pneus.html), ele elegeu o Continental SuperSport Plus com Mr.Tuff como sendo sua combinação anti-furos de treinos. Nos comentários, no entanto, o Lodd, que é um cara super experiente com estas questões de ciclismo, opta pelo Continental Ultra Gatorskin. O Ciro Violin já havia me falado deles também.

A Schwable não é muito divulgada aqui no Brasil, então, fiquei um tanto tenso para apostar. Parece que estou vendo meu pneu furando e algum idiota falando: "também, foi comprar um Xuable..." rsrsrs. Então, optei pela Continental.

Indiscutivelmente, o SuperSport Plus é para treinos. Colocá-lo para competir realmente será uma cola no chão. Ele foi feito para não furar, não para rodar rápido. Me parecia a escolha ideal, mas eu li em muitas "reviews" que ele realmente é muito bom para segurar furos, mas depois de uma quilometragem, ele começa a rasgar facilmente. O Lodd mesmo falou isso no Blog do Max, mas li isso em vários lugares. Obviamente, fiquei cabreiro. Comecei, portanto, pesquisar o Gatorskin. 

Tudo indica que ele é um pneu ultra resistente, com um bom coeficiente de rodagem. Me pareceu um pneu de treinos, mas que pode, eventualmente, ser utilizado em provas. Facilitaria MUITO a vida se a Continental tivesse disponibilizado uma ferramenta como a do concorrente para poder compará-los, mas todos os pneus "road" ficam embaixo de um menu "Race Tires", o que nos faz ter que usar o bom senso e muita paciência de pesquisa para poder nos decidir. 

O Gatorskin possui um "irmão mais forte" que é o Continental GatorHardShell. A diferença é que ele possui uma dupla camada de proteção de uma tecnologia chamada PolyXBreaker antifuros de poliéster enquanto o Gatorskin possui apenas uma. Isto faz com que o GatorHardShell seja uma excelente opção para treinos e, ainda assim, caso minha escolha de pneus de prova seja infeliz, ainda posso "apelar" para ele, ainda que me tire alguns preciosos minutinhos na bike, o que não poderia acontecer com o SuperSport Plus, muito menos com rodas tubulares.

Gatorskin
GatorHardShell


Ainda na questão pneus de treino, Mr.Tuff será mandatório. Estava lendo, no entanto, uma outra fita de proteção de Kevlar chamada Panaracer Flataway. Ela me parece ser mais resistente do que o Mr.Tuff, mas li alguns "reviews" que ela molha em situações de chuva e, em outros casos, depois que acontece um furo, a própria fita fica com uma saliência que pode causar outros furos. Obviamente, li "reviews" que falam que depois que instalaram a fita, nunca mais tiveram furos nos últimos dois anos. Um sonho de qualquer ciclista de estrada. Ainda não me decidi subre isso.

Bem, os sonhados pneus de prova.

Agora é hora de unir o útil ao agradável. Um pneu rápido, que me economize alguns watts de sangue, suor e lágrimas, mas que possuam uma confiabilidade anti-furos máxima.

A Continental tem uma infinidade de modelos e ela não facilita nossa vida decidir. Somos obrigados a ler especificações do pneu, entender um pouco das tecnologias empregadas e apelarmos para "reviews". Sendo assim, existe um grupo de pneus ultra-rápidos, mas que possuem pouca proteção anti-furos. Estes, eu já até descartei. Talvez um dia se eu resolver treinar para provas de Triathlon Olímpico. Sobraram os famigerados modelos:

- Continental GP Attack & Force (link para o modelo)
- Continental GP 4000S (link para o modelo)
- Continental GP 4000 (link para o modelo)
- Continental GP 4-Season (link para o modelo)

Acima, na sequência, temos os pneus mais rápidos para os mais lentos. Mas, obviamente, nesta escolha de "gangorra", tudo que é melhor em um sentido, é pior em outro. E aqui, a minha preocupação são os furos. Como compará-los, portanto?

O que torna pneus da continental rápidos e melhor indicados para competição é um componente chamado BlackChili (http://www.conti-online.com/generator/www/de/en/continental/bicycle/general/innovation/blackchili_en.html). Este é um polímero que é adicionado à borracha que, segundo o fabricante, atinge "26% less rolling resistance, a 30 % higher friction value (grip) and a 5 % increase in mileage". Me parecem números expressivos, mas algo me diz que isso foi escrito pela área de marketing da empresa, não pela área de engenharia. Então, tudo dá para se desconfiar. Prefiro acreditar que pneus com esta tecnologia são "um pouco mais rápidos".

Dos modelos acima, o GP Attack & Force e o GP4000S são os que possuem tal material. Ambos possuem uma tecnologia anti-furos chamada "Vectran Breaker". Segundo o fabricante: "This semicristalline material is harder then aramid, has five times higher tensile strenght than steel and in addition, is also lighter than comparable nylon thread." (http://www.conti-online.com/generator/www/de/en/continental/bicycle/general/innovation/Vectran_en.html)
A diferença entre o GP Attack & Force para os outros é que eles são disponíveis especificamente para rodas dianteira e traseira, isto é, o Attack é na dianteira e o Force é na traseira. O primeiro é mais fino (22) e o segundo mais grosso (24) para melhorar a questão aerodinâmica.

Eu uso atualmente, para treinos, os GP Force apenas. Eles realmente são bons, mas estão longe de serem anti-furos. Uso estes pneus por pura falta de informação. Me falaram que eram bons e duráveis, e eu comprei. Estou fazendo um trabalho de pesquisa mais descente agora.

Já usei no passado também o GP 4000. Pelo que pude notar, a única diferença dele para seu irmão GP 4000S é a tecnologia de rolagem BlackChilli, isto é, ambos possuem a mesma durabilidade e resistência a furos, mas o GP 4000S é mais rápido e adere melhor ao solo. Faz tempo que usei este pneu, mas me lembro que de anti-furos eles também não tinham nada. Sinceramente, acho que eu já deveria ter feito este trabalho a muito tempo. Acho que ando utilizando pneus de prova em treinos há muito tempo.

Bem, sobrou o GP-4 Season. Pelo que percebi, ele ganhou este nome porque é feito para ciclistas em todas as estações do ano. Atletas que moram em países muito frios sofrem demais quando um pneu fura. Imaginem parar em uma estrada a -10oC para trocar um pneu. Vi em muitas "reviews" que estes pneus são muito bem indicados por este tipo de atleta. Qual a diferença dele para seus "irmãos 4000"? Não possuem a tecnologia BlackChili, portanto, são mais lentos, mas em compensação possuem dupla camada do Vectran Breaker e possuem uma outra tecnologia chamada DuraSkin, que é uma armação que protege as laterais do pneu contra eventuais rasgos. (http://www.conti-online.com/generator/www/de/en/continental/bicycle/general/innovation/duraskin_en.html)

Bem, seria ótimo saber o "quanto" este pneu é mais lento do que seus irmãos, mas a única informação que encontrei foi aquela da descrição do BlackChili, isto é, 26% mais resistência de rolagem. Me parece um número bem expressivo. Tudo seria resolvido se eles colocassem o tal "BlackChili" neste pneu. Acabou o problema do Ulisses. Mas tem que ser do jeito mais difícil rsrsrs.

Parando para analisar tudo, existe portanto uma pergunta que não quer calar. Qual a diferença, portanto, da "família" GP, da "família" Gator? Uma é o componente BlackChili. Mas o 4000 e o 4-Season não possuem. Uma família possui a proteção da tecnologia Vectran e a outra possui a proteção da tenologia PolyXBreaker. Não encontrei em nenhum lugar algo que me fale qual é a melhor tecnologia para se coibir furos.

Vou ter que apelar para outras informações. 
- A família GP possui 330 TPIs
- A família Gator possui 180 TPIs

Para esmagar todas as minhas crenças, pneus com menos TPIs são indicados para melhor durabilidade e mais anti-furos, enquanto pneus com mais TPIs são indicados para performance, pois possuem melhor estabilidade. Este é um outro MITO do mercado. Esta questão da trama. Quanto menos TPIs, mais grossa é a "corda" da trama. Consegui esta informação aqui. Todo mundo acredita exatamente no oposto, isto é, quanto maior a trama, mais seguro contra furos é. 

Peso:
GatorHardShell 700x23: 330g
GatorSkin: 280g

GP Attack & Force: 190g/210g
GP 4000 700x23: 205g
GP 4000S 700x23: 215g
GP 4-Season 700x23: 230g 

Aqui, portanto, fica mais nítido entender que a família GP é a mais "rápida" enquanto a família "Gator" é a mais durável e resistente. Portanto, a decisão para pneus de prova fica entre o GP 4000S e o GP 4-Season, dependendo de quanto eu quero me proteger dos furos em detrimento à performance. Sinceramente, dado o histórico, prefiro menor risco à furos e treino mais para suprir alguns poucos watts que possivelmente perderei. Vou de Continental 4-Season.

Para mim, esta informação "marqueteira" não importa muito, mas este é o pneu que menos furou na prova Paris-Roubaix. O fato dele ter sido o que menos furou pode ser uma casualidade, mas o que me agrada é saber que ciclistas deste nível em uma prova com este gabarito utilizam este pneu. Já passa mais credibilidade.

Alinhado a tudo isso, ainda terei Mr.Tuff, uma boa câmara e selante. Quanto à este último, acredito que mereça um post à parte.

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