terça-feira, 2 de abril de 2013

O final de semana SOLOMAN




O final de semana do treinão foi sensacional.

Chegamos eu, a Kika, o Marquinhos e a Antonella na sexta à noite no hotel "casebre" do Rodrigo Massoni em Jaú. rsrsrsrsr. O Marquinhos não vai fazer o Soloman, mas no final de semana ele aderiu ao espírito rsrsrs. Mesmo super bem instalado no hotel bacaníssmo, dormi zero. Problemas que existem entre mim e meu cérebro rsrsrs.

Dia seguinte, era nos encontrarmos com o Helton e o Tarek para resolvermos as últimas pendências com a infra e logística da prova. Mais detalhes sobre isso publiquei no BLOG DO SOLOMAN e no grupo SOLOMAN do Facebook. Eu fui com o Rodrigo de carro enquanto os três preguiçosos ficaram dormindo, já que eles não tinham nada a ver com a organização do Soloman em si rsrsrs. Mais do que justo.

Nesta hora já estávamos ali eu, Fernando Quirino, Rodrigo Massoni, Tarek, Helton. Depois chegaram o Spanha e a Maria do Carmo, gerente do Resort. A Karol e a Michele estavam vindo pedalando de Limeira. Se não me engano são 90kms até o Resort com um circuito bem difícil também pela Washington Luiz. Os caras estavam fazendo apoio para elas, mas as abandonaram na estrada para chegar na reunião. Rsrrsrsrs. Tem que ser Sologirl para aguentar isso rsrsrs.

Nisso, chegam os preguiças Marquinhos, Antonella e Kika rsrsrrss.

Ninguém muito a fim de nadar, mas todo mundo a fim de correr, rsrsrs, partimos para uma natação. Como era feriado, não dava para sair da zona demarcada devido à embarcações e jetskis. Então ficamos em uma espécide "piscinão" de 200m ali dando umas voltas. Acho que nadei uns 20min rsrsrs. Eu ia nadar mais, mas depois que vi o filho do Tarek de 16 anos, o Thamer, nadando solto a 1'10 de cadência, resolvi me trocar para correr para não passar vergonha rsrsrsr.



Neste meio tempo a Karol e a Michele chegaram e nadaram também. Enfim, um momento lúdico. Nos aprontamos para a corrida eu, Spanha, Marquinhos, Tarek, Quirino, Rodrigo. Seriam 27km exatamente pelo circuito inicial do Soloman, mas com um calor razoável, o que provavelmente não acontecerá no Soloman. Nunca havíamos corrido neste exato trajeto, então seria uma novidade para todo mundo. O circuito está descrito exatamente AQUI, até onde está a bolinha verde. O Tarek ainda tinha um objetivo a mais aí. Ver o percurso e analisar como poderia sinalizar melhor para os atletas do Soloman e não haver confusão.

Conseguimos a liberação para entrar na fazenda com o Helton e nos entregaram  pulseira amarela fluorescente para poder passar a portaria. No dia do Soloman isto não será necessário. Os porteiros já estarão avisados que alguns ETs fantasiados de Batman passarão por ali rsrsrsrs. E lá saímos nós para correr. Como cada um tem um ritmo, cada um queria fazer um tipo de treino, o bloco se dividiu. Mas, se não fosse assim, não seria Soloman, mas Groupman rsrsrrsrs. Eu e o Rodrigo havíamos deixado umas águas e gatorades estrategicamente posicionados pelo circuito quando chegamos de carro, mas a Michele e o Thamer resolveram sair de carro e fazer apoio! Foi bem bacana, aliás. Sem eles, acho que só eu e o Rodrigo teríamos terminado o circuito rsrsrsrs. O animal do Marquinhos esqueceu o cinturão de hidratação a achou que o treino ia ter tendinha de Gatorade rsrsrs. O Spanha achava que conseguiria fazer tudo sem tomar nem uma gota de água e o Quirino sei lá o que achou rsrsrrsrsrs. Ninguém sabia onde eu e o Rodrigo havíamos deixado as águas, mas ninguém se importou em perguntar. Simplesmente, saíram correndo como se 27km ali fossem mamão com açúcar e com aquele pensamento de "lá na frente eu vejo o que eu faço" rsrsrs. O Tarek ia correr menos, então ainda vá lá. rsrsrs. Prevenção zero a galera rsrsrsrs. Daí para frente, só consigo dar minhas impressões pessoais.

Até a entrada do condomínio, pegamos a primeira subida que já serviu para parar de falar e aumentar o batimento cardíaco rsrsrs. Estávamos todos um pouco juntos. Começamos a nos separar mais quando entramos na fazenda. Meudeudocéu. A subida é infernal. (é o trecho AMARELO do gráfico). A impressão que tive é que ela não ia acabar nunca. Aí, lá no topo, já avisto a placa que indica para a entrada do campo de golf à esquerda. Chão de terra/areia já um pequeno pedaço. Dali para frente eu sabia que era descida e alívio. O pacing aumenta muito. Chega-se até a porteira. Na volta, o oposto, sobe-se a rua do campo de golf e desce-se a rampona. Mas aí, todo santo ajuda o pacing.


Foto da placa que indica para o Campo de Golf
Foto do topo da subida dentro da fazenda



Saindo da fazenda, a estradinha. Seriam 14km, ida e volta, só nela. Este trecho era a minha maior preocupação porque não tem acostamento e correr na areia e mato seria algo muito difícil, já não bastasse a altimetria Temos que correr na pista mesmo, em cima daquela faixa branca CONTRA o fluxo de carros. Só que tem muito pouco fluxo, para nossa felicidade, então é aquela "negociação" com os motoristas que vem. Sinalizo para todos fazendo joinha, eles vão um pouco mais para lá rsrsrsr. Quando é um caminhão, entro por uma fração de segundo na terra e volto pra pista, mas foi muito, mas muito mais tranquilo do que eu achava que seria neste aspecto. Fiquei bem aliviado. Agora, o circuito em si é foda. Um sobe desce animal e uma sequência de falsos planos. A ida é pior que a volta. O retorno se dá a 400m antes de chegarmos à rodovia principal, a Nilo Romano. A referência é a última placa de "60km/h" que existe do lado direito. No dia da prova, vamos ter que colocar algo ali. Um cone, uma placa ou qualquer coisa. A volta, é um pouco mais "embalada" porque os falsos planos são à nosso favor. Mas, tem muitas subidas chatas e lentas também. O asfalto que corremos, no entanto, é muito bom, então, problemas como torcer o pé o diminuir o pacing porque o chão é irregular não existem. Este é o trecho MARROM do gráfico.

Marquinhos

Tarek

Spanha

obs: não coloquei mais fotos porque o Tarek não me mandou rsrsrs....

Na última subida, ainda na estradinha, é praticamente trotar. O aclive não é tão longo, mas é muito íngrime. Como já estava indo pro fim, resolvi subir um pouco mais forte. Acabando o morro, acho que já era km 25,5, mais ou menos, ali foi o primeiro momento que senti o "peso" do circuito. Continuei em direção à portaria do condomínio com um bom pacing e uma boa mecânica ainda, mas a sensação havia mudado um pouco. Ali, já passava pela minha cabeça: "Acho que no Soloman, é a partir daqui que a cobra vai fumar". Não fiz um ritmo forte de prova de corrida, mas fiz um ritmo suficiente para entrar em desconfortável nas subidas e confortável nas descidas. Um ritmo desgastante para 27km. Sem dúvidas, um pacing bem mais forte do que faria no Soloman. E foi proposital. Queria sentir exatamente onde eu não iria me sentir mais tão bem. E foi exatamente neste ponto. Isto me leva a crer que se eu tentar manter um pacing mais forte no Soloman, até este ponto, provavelmente conseguirei, mas dali para frente, vou desabar. Então, terei que ser mais conservador.

Entrando no condomínio novamente (trecho LARANJA do gráfico), e faltando 1,2km de corrida, a certeza de que o buraco vai ser bem lá embaixo. É uma subida não tão íngrime, mas infinita. Ali, a única coisa que eu pensava era "minha nossa senhora, imagina ter que fazer mais 15km, 3 voltas passando por aqui no Soloman". Ali, tive a certeza de que não dá para se empolgar nestes primeiros 27km. Normalmente, subimos mais conservador e descemos mais com o "carro na banguela" para recuperar mais o pacing. Mas neste trecho, depois que acaba a subida, vem uma descida curva que já vai desembocar na transição. Ali, não dá para soltar tanto o freio de mão assim porque as pernas já estão um tanto bambas. Isto porque eu só tinha corrido! Imagina com 180km antes rsrsrs. Então, vai ser bem osso manter algum pacing dentro do condomínio.

Cheguei cansado, mas não destruído, o que me deixou feliz. Mas, sinceramente, duvido que haja alguma maratona de Ironman com estas características por aí. Tem que chegar preparado pra esta prova. No final, média de 139bpm de frequência cardíaca, o que ainda está dentro da minha zona "moderada", ou ZONA 2, mas mais alto do que costumo treinar normalmente estas distâncias. Acredito que será mais ou menos a frequência que estarei da metade para o fim da maratona do Soloman. Apenas por curiosidade, foram 557m de altimetria acumulada.

Na hora que nos encontramos todos na beira da represa com as respectivas mulheres, dava para ver a cara da galera pensativa rsrsrs. O circuito foi osso pra todo mundo. Acho que todos deram uma quebrada exatamente depois da subida que me deu uma quebrada também, lá na estradinha ainda. Essa foi a impressão que eu tive. Acho que dá para ser considerado um momento crítico da prova. Dá até para se pensar se não valerá à pena subir andando aquilo lá.

No dia seguinte, tinha 160km de bike na Devil's Road rsrsrs. Era para vir mais gente, mas domingo de páscoa, sabem como é. A galera foi declinando. No final, sobramos eu, o Marquinhos, o Rodrigo e o Pedro  Sgavioli. Eu ainda não o conhecia. O cara tinha acabado de fazer um brevet de 300km no final de semana anterior e estava lá para esta pedreira. Guerreiro o menino rsrsrsrs. 

Saída do Hotel do Rodrigo em Jaú às 7:30. Tempo hábil para voltarmos antes que as mulheres achem que estamos "demorando muito" rsrsrsrs.

O objetivo aqui era realmente um pedal leve e longo. A razão era bem simples: a idéia era chegar no final do pedal ainda com forças nas pernas, sem aquela quebradeira da última vez. Eu ainda estava um pouco traumatizado rsrsrsrs. E pelo jeito, ninguém estava muito a fim de fazer força, apenas passar várias horas na estrada trocando idéia e fazendo um condicionamento aeróbico. Perfeito.

Eu, Marquinhos e Pedro - Rodrigo batendo a foto
O Rodrigo já havia nos falado que teria que pedalar menos porque tinha que estar com a família. Então, no km35 ele voltou. Pedalou 70. Os três mosqueteiros continuaram. Mais uns 20km pra frente abre uma bolha no pneu dianteiro do Pedro. Daquelas que precisa-se rezar para não explodir. Muito complicado continuar por mais 110km daquele jeito. Ele resolveu voltar, dei uma fita de silver tape enrolada pra ele caso precisasse em algum momento. Ele voltou e eu e o Marquinhos continuamos. 

A altimetria do percurso é insana. Sentido Jaú-Itirapina (fizemos o oposto do que será no Soloman) é bem pior, mas não significa que o sentido inverso é fácil. Então, fiquei ao máximo tentando fazer o batimento cardíaco não passar de 125bpm nas subidas, o que ainda é ritmo moderado para mim. Só que desta vez, não fui com cadência baixa. Fui mais conservador e mantive aquela cadência entre 80/90 RPMs. Decisão sábia esta para este circuito. A média horária estava ridiculamente baixa, mas não estávamos nos importando. Não nos preocupávamos em descer forte. O objetivo não era fazer média. Mesmo com ritmo ultra conservador, nas subidas, só para que a bike suba, precisa-se colocar algo de força.

Ao fazer o retorno 82km depois, exatamente onde é o retorno do BROA Resort, eu estava completamente inteiro. Fizemos o retorno e, ritmo de cruzeiro novemente, mas um pouco mais rápido, já que a altimetria era um pouco mais favorável. Trocando idéia o circuito inteiro. No km 112 de bike, mais ou menos, paramos para comprar água e continuamos e, como não poderia deixar de ser, um pneu furado pro campeão aqui rsrsrsrs. Aliás, mal podia acreditar que eu tinha pedalado aquilo tudo sem furar pneu! Era meu dia de sorte! rsrsrsrs. Trocamos, tentei voltar para o posto para encher na bomba, usando aqueles bicos adaptadores, mas eles não tinham bomba! Portanto, fica de alerta aos futuros Solomans! A estrada é ótima, mas a infra dela de postos é muito precária! Seu staff precisa ser seu anjo da guarda!

Lá vamos nós para os últimos 50km com direito à serrinha e a um pneu com umas 70lb de calibragem. Sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce. Depois do km 130 mais ou menos, mesmo em um ritmo pra lá de leve, a perna começa a assar nas subidas. E era exatamente aquela sensação que eu queria encontrar. Na serrinha, mesmo no ritmo mais leve possível, batimento cardíaco batendo a 140bpm, o que para mim, é ritmo de contra-relógio. Tudo bem que eu já estava com muitas horas de pedal. Mas estava difícil subir. Sensação de esforço forte! Depois da serrinha até Jaú o circuito não alivia. Tem ainda 20km de muito sobe e desce. 

Nos últimos 10km, estava me sentindo bem, estava longe de estar quebrado, mas, minha perna assava, mas nada insuportável. Perguntei para o Marquinhos e a dele também assava, o que é um sinal de que o problema não era eu, mas uma característica do circuito mesmo. Em TODAS as subidas eu coloquei volantinho. TODAS. Muito raro de acontecer isso pra mim. É muito raro eu utilizar volantinho. Só quando há uma subida que exige mesmo. No pedal que eu havia feito meses antes lá de 135km eu fui com cadência de 70/75rpm, sempre no volantão, com exceção da serrinha. Fazia bastante força nas subidas "para treinar". Paguei um preço alto no km110 e fiquei 20km completamente quebrado sem conseguir se quer ficar em pé na bike. Desta vez, passei longe daquela sensação. Aos adeptos da baixa cadência, como eu, PAGO PARA VER, alguém fazer este circuito com cadência média abaixo de 75rpm permanecendo inteiro após 4h de pedal.

164km e 6h18 pedalados e 1981m de altimetria acumulada, enfim chegamos com ridículos 26km/h de média rsrsrsrs. Sensação de estarmos inteiros, ambos, mas um cansaço normal após um treino desses, o que é completamente natrual. O Maquinhos ainda me solta um "pago pra ver no Soloman alguém fazer 33km/h de média aí". Eu balancei a cabeça e pensei. Não soube responder na hora, respeitei o circuito. Sinceramente, acho que ele tem razão. Não acredito que seja impossível chegar o mais perto possível de 35km/h de média nesse circuito, mas, certamente o cara vai chegar depois da meia noite na maratona insana que vem à seguir. Odeio ter que admitir isso, mas neste Soloman, o pedal vai ter que ser conservador. Realmente uma espécie de "transição para a corrida". Até para andar naquela maratona o cara vai ter que estar treinado rsrsrsrsr.

Não é para amedrontar nenhum Soloman este relato aqui. Muito pelo contrário! É para dar uma perfeita visão do que vão encontrar. Não subestimem esta prova! Ela está no limiar entre uma prova e um teste de sobrevivência rsrsrsrs. Venham com o instinto de realizarem uma boa prova, dentro do que é possível. Seus staffs serão seus anjos da guarda e maiores incentivadores. Eles precisam conhecer o circuito melhor do que vocês! 

Acreditem, este final de semana de 26/05 será algo que não esquecerão jamais em suas vidas.

SOLOMAN!

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