terça-feira, 28 de maio de 2013

A prova mais animal da minha vida: o SOLOMAN!





Parece inacreditável, mas depois de um ano de expectativa, organização, ansiedade, ela aconteceu.

Uma prova oficial de alguma federação, com uma mega estrutura e uma mega organização? Não. Uma prova onde o que prevalecia era o que há de mais simples: a paixão pelo esporte de endurance.

Arbitragem e penalizações? Que tal a índole e caráter individual do atleta?
Vencer a qualquer custo, lícita ou ilicitamente? Que tal o sentimento de fazer parte de um evento onde o que importa é comprometimento com o grupo e com sua própria consciência?

Foi com esta mentalidade que catorze atletas viajaram e se reuniram neste último final de semana, o mesmo do Ironman Brasil, aliás, para celebrar aquilo que tem em comum. No BROA Golf Resort de Itirapina, local que promete sediar outros eventos similares. E não era uma festa apenas dos triatletas que lá estavam, mas de seus familiares, amigos e de seus staffs, que encararam tudo com uma alegria ímpar.

O sentimento de competição era mais do que secundário, quase esquecido, aliás. A fraternidade e a amizade dos atletas, muitos que se conheciam apenas virtualmente, era o que prevalecia. Limeira-SP, Atibaia-SP, Jiparaná-RO, Bauru-SP, Londrina-PR, Jaú-SP, Bombinhas-SC são as localidades de onde todos partiram.

Toda esta alegria, no entanto, tinha como pano de fundo um certo respeito e uma certa preocupação no semblante dos atletas. Tínhamos pela frente o circuito de triathlon, de 3800m de natação, 180km de bike e 42.2km de corrida mais insano que se tinha notícia. Uma natação relativamente tranquila, em águas calmas e frias, mas com uma névoa que dificultava a navegação para o primeiro e único retorno, um ciclismo com 2150m de altimetria acumulada e um vento contra de 13km/h e rajadas de 36km/h exatamente onde o relevo da estrada seria mais exigente e onde estaríamos mais cansados, isto é, na volta; uma maratona com 900m de altimetria acumulada, com asfalto, bloquete, terra e areia. Digamos que se pudéssemos criar uma escala de dificuldade de triathlons distância Ironman de 0 a 10, onde Florianópolis ficaria na casa dos 2 ou 3, certamente, sem a menor medo de errar, este ganharia um 10.

Uma coisa bacana foi a criação do SOLOMAN LIVE uma parte do blog do Soloman onde todos nossos amigos, de vários cantos do Brasil podiam acompanhar em tempo real as fotos, vídeos e postagens que todos nós colocávamos, atletas, amigos e staffs! Toda essa dinâmica pode ser acompanhada diretamente por AQUI muito antes da prova começar. 

Cheguei no resort na sexta-feira, com meus tios, minha mulher e minha mãe e logo encontro o Fernando Cesário e o Sextinha, o Fernando Alisson, também conhecido como Bigode. Uma figura, aliás rsrsrs.

Na hora de sair para dar um trote, encontro o Daniel Meyer com sua mãe e sua esposa, suas staffs. Uma família para lá de simpática. Se eu já era fã desse cara, agora fiquei mais. O restante da galera iria chegar apenas no sábado para o "simpósio" rsrsrsrs. 








No simpósio, onde foi explicado os últimos detalhes do circuito (que já haviam sido abundantemente discutidos e apresentados durante quase um ano no blog, nos emails e no grupo do Facebook), algumas fotos e a oportunidade de encontrar os atletas todos pessoalmente com seus respectivos amigos, familiares e staffs. Encontrar um cara aqui também não teve preço. O Hugo Curado, que já era "brother" virtual há algum tempo, mas tive o prazer de conhecê-lo em "carne e osso" rsrsrs. O cara veio de Jiparaná, Rondônia, para participar do Soloman. Sem palavras.

O domingo, dia da prova, foi diferente do começo ao fim. Já começando pela área de transição: na varanda do salão de eventos do resort. Cada um escolhia o seu "canto" em uma parede ou pilar para ser seu "slot" rsrsrs. Sem lotação de banheiros (aliás, com papel higiênico rsrsrs), sem ficar mandando tchau para os familiares e amigos do outro lado da grade, afinal, eles eram os fotógafos, cinegrafistas, voluntários e staffs oficiais da prova rsrsrsrs. Todos tinham "credenciais" rsrsrsrs. Nessas horas era difícil de entender como atletas que iriam enfrentar tal desafio estavam ali, dando risada, contando piada e se divertindo com tudo aquilo. 






Umas 6:45 começamos a caminhar para o local da largada. Eu, para variar, morrendo de frio, um tanto preocupado, mas feliz da vida de estar ali. Uma seção de fotos e vídeos, abraços e cumprimento entre os atletas, momento de descontração antes da contagem regressiva...




...todos a postos...ao som de todos os presentes: dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um...UHUUUUUUUU! Todos pra água rsrsrsrs.

Logo no começo da natação eu já me desgarrei do primeiro grupo: André Vanni, Daniel Meyer e Fernando Cesário. Comecei nadar em outra direção mais aberta pois eu não queria fazer uma "barriga" para chegar ao ponto combinado de retorno. O que eu não contava é que mais à frente, a neblina estaria mais densa e eu parei de enxergar os pontos de referência à frente, bem como os outros atletas. Estratégia furada rsrsrs. Consegui depois de muito custo acertar o ponto de retorno, tendo que refazer a rota e nadando completamente isolado. Quando vejo um atleta que eu não reconheço que estava mais perdido do que eu rsrsrs e eu grito: "é pra lá! É pra lá!", apontando a direção. Depois descobri que era o Pedro Sgavioli em sua primeira prova nestas distâncias e com pouquíssima experiência no triathlon. Bem corajoso o menino rsrsrs.


Saí da água um tanto hipotérmico e com um tempo muito dilatado. Me abalou um pouco no começo, mas depois não me importei. Fiz a transição numa boa, fiz algo que nunca tinha feito antes que foi colocar um casaco, já que eu não queria ficar tremendo em cima da bike muito tempo. Foi a melhor decisão, já que o vento estava a favor na ida e aquele "pára-queda" a mais não iria atrapalhar tanto. Lá na frente, quando o calor já tivesse aumentado, tiraria a blusa e entregaria ao staff. 


Os staffs rsrsrs. Logo no começo do pedal, o Gerd, a Kika e meu tio Lim no carro, fiéis escudeiros, colam atrás de mim com uma caixa de som do lado de fora do carro no último volume ahuahuahuahuahua. Sensacional! 

Dali para frente, com uma natação muito ruim, muito pior do que normalmente é, o negócio era tentar desenhar na cabeça a estratégia do restante da prova. Me parecia um tanto óbvia: na ida, nos primeiros 90km de ciclismo, com o vento e a altimetria a favor, o objetivo era "fazer média", mas me preservando o suficiente para uma volta consistente, já que eu sabia que a velocidade ia despencar. Ou seja, uma gangorra. "Se eu vou me preservando muito, a volta vai ser osso de qualquer jeito e a média vai ser baixa, se eu faço uma força relativa agora, ainda que a média despenque, o que seria inevitável, no tempo total, seria algo aceitável". Foi o que eu pensei e comecei a colocar em prática.



Acabo vendo uma bike à minha frente logo nos primeiros quilômetros e não identifico. Quando chego do lado, era o Rafael Aragon, que tinha saído na minha frente da água também.





Gerd, o melhor Staff do planeta!
Os staffs estavam realmente fazendo a diferença. O som, as fotos, o incentivo. O Gerd experiente em fazer apoio e se divertindo com o negócio todo. A Kika, a cinegrafista e fotógrafa oficial rsrsrs.


Amore mio, Kika









Meu tio Lim figuraça!




Nas trocas de caramanhola, meu tio saia para me entregar rsrsrsr era legal demais. Eu não contava com ele como staff. Foi de última hora que ele falou "eu vou lá, não vou ficar aqui não, eu quero ver meu sobrinho" ahuahuhauhauha. Ele nunca tinha visto uma prova de triathlon na vida. A primeira que ele vê, é um Soloman, insano, onde tem staff e tudo. Estava fazendo história e não sabia rsrsrsrs.





Estava tudo se encaixando até que INACREDITAVELMENTE, depois de toda a minha SAGA com pneus, lá pelo km 30 ou 40, o dito cujo fura. Não era possível que aquilo estava acontecendo novamente. É claro que eu estava com staff, com rodas reservas no carro e a troca não demorou mais do que 2 ou 3 minutos, mas, somada a natação frustrante, já servia para dar aquela sensação de incredulidade. Foco, me concentrar no restante da prova e esquecer o episódio era o que me restava.





O Fernando Cesário estava sem staff, então, combinamos que durante o circuito, o ajudaríamos, já que, se tudo corresse como o programado, não estaríamos tão longe um do outro. Ele sairia na minha frente da água (não tanto na frente rsrsrsrs), eu o alcançaria na bike e abriria um pouco, isto é, manteríamos uma distância aceitável para ser administrada pelos meus staffs. Foi o que aconteceu. Lá pelo km 60, pouco antes da serrinha, alcanço o Cesário e continuo meu ritmo mais à frente.

Deste momento em diante, os staffs tinham um objetivo a mais que era fazer o meu apoio e de tempos em tempos esperar o Cesário que vinha pouco atrás. Neste momento, tinha o André Vanni, que tinha sido o primeiro a sair da água, e o Daniel Meyer à minha frente. Apenas não sabia quanto tempo de distância eles estavam.

Quase chegando ao topo da serra, um dos staffs, o  (que até agora não sei quem é porque estava de óculos e capacete rsrsrs) me avisa que o Daniel estava uns 10 minutos à minha frente, mas o André Vanni estava próximo. Ao me aproximar do retorno do 90km, vejo o Daniel do outro lado da rodovia, o cumprimento, e vejo que a distância era razoável. Ia ser quase impossível conseguir recuperá-la no ciclismo. Provavelmente até ali tínhamos mantido o mesmo tempo de diferença da natação. O André estava bem mais próximo realmente. Apenas o retorno da rodovia nos separava.

O problema era que a parte "fácil" da prova tinha acabado rsrsrs. Ao fazer o retorno, o inferno na terra chegara. O vento realmente estava algo proibitivo de brigar contra. Seria aquele jogo de dosar a força e psicológico para vencê-lo, mas dando aquele "algo a mais" para tentar ir tirando minutos preciosos do Daniel, do André e do Cesário, que estava atrás de mim, mas na hora de correr, ele poderia "azedar" a minha vida rsrsrsrs.

Muito lentamente, comecei a chegar no André. Em todas as subidas eu o enxergava ao longe e a cada subida ele estava um pouco mais próximo. Sabendo que ele era da região e que tem um pedal forte, aquilo de certa forma me dosou. Em um determinado momento, não sei bem ao certo, mas acredito que lá pelo 120km de bike, eu o alcanço.

Até este momento, eu sabia que o pior ainda estava por vir, mas estava me sentindo bem, então, continuei no meu ritmo. Era bem difícil abrir do André. A impressão que deu é que agora eu era a "cenoura" a ser perseguida rsrsrs e ele começou a se basear pelo meu pacing também. Em um determinado momento, ele me passou novamente. Ficamos um tempo nesta situação. Perguntei para meus staffs, em um momento de troca de caramanholas, a quanto tempo o Cesário estava de mim e eles disseram que era por volta de sete minutos. Sabendo que o Cesário tem uma corrida muito forte, este tempo em uma maratona seria desprezível. Eu precisava abrir mais. Comecei a apertar mais o ritmo, mas, a insanidade do circuito falou mais alto. Ali não existia mais "apertar o ritmo". Qualquer "watt" a mais contra o vento reflete minimamente na velocidade e eu sabia disso. Não tem como brigar contra a Física e a fadiga. Era como "querer mas não poder". 

Passei novamente o André e desta vez consegui abrir mais. Já não o via mais no meu campo de visão quando olhava para trás nas "cordilheiras" que ficavam. Não tinha a menor ideia de onde o Daniel poderia estar, mas naquele momento, minha preocupação era outra. Eu estava já com cãimbras, com uma sensação de desconforto muito grande, com a força acabando. Sofrendo muito realmente e faltavam quase 30km para completar o circuito. Naquela ridícula e perturbadora média, seria mais de uma hora de puro sofrimento. O circuito estava me matando, me quebrando em pedaços. Na minha cabeça só ficava "vou sofrer, mas não saio desse ritmo, vou sofrer mas não saio desse ritmo". A luta contra o vento e a altimetria que parecia não ter fim era algo fora do comum, mesmo nos meus dias mais duros de treino. A cabeça iria mandar dali para frente.


"Como correr uma maratona com 900m de altimetria quando eu colocasse o pé no chão naquelas circunstâncias?" era a pergunta que não calava em minha mente. Mas eu não podia simplesmente aliviar. Eu precisava urgentemente mudar de esporte. Eu precisava largar a bike e sair correndo para ver se aquele sentimento acabava.

Quando chego na portaria do resort, já vejo o Daniel saindo para correr em direção à portaria do campo de golf. Fiz as contas e dali para frente eu vi que o cara estava um monstro. Ele realmente estava muitos minutos na minha frente e as únicas chances que eu tinha de alcançá-lo seria se ele quebrasse, o que eu sabia que seria muito difícil pela experiência que ele tem em múltiplas ultramaratonas (e eu nem queria isso também), ou se eu tivesse uma corrida brilhante, o que também seria difícil, pois eu estava podre e o que estava por vir não seria uma "pista com tapete vermelho" rsrsrsrs. Vamos ao plano "C" rsrsrs, fazer o melhor que dá!

Ao chegar na transição, os familiares e amigos todos incentivando, ajudando...uma vibração muito legal. O cansaço e a dor na lombar não me deixavam demonstrar tanto, mas eu estava feliz demais. Saí para correr com o seguinte pensamento "vou tentar segurar um pacing médio um pouco mais abaixo de 5'/km, já que eu fiz um treino aqui de 27km com 4'30/pacing com certo conforto". Esta, decididamente, foi a pior de TODAS as estratégias que eu já adotei em uma prova rsrsrsrs. Vem a primeira subida, o pacing sobe, a primeira descida dentro do condomínio e o pacing cai para 4'45 com certo conforto, mas sentindo novamente alguns princípios de cãimbras nos adutores e nos posteriores. 

A primeira subida de terra "osso" dentro do resort eu subi correndo, mas já me sentindo bem cansado. Na minha cabeça, era aquela sensação que sempre temos ao lagar a bike de que não vamos aguentar, mas, depois de alguns minutos, "tudo se encaixa". Saí do resort, entrei na portaria que levava ao campo de golf e começou a subida mais insana da prova de 2,5km, ao lado do aeródromo e do zoológico. Na metade dela, pedi um gatorade ao meu staff, o Gerd, que estava de Montain Bike ao meu lado o tempo todo, e dei uma caminhada para conseguir tomar o gatorade e ver se aquela sensação passava. Neste momento já avisto o Daniel, descendo. Isto é, ele estava de 3 a 4 kms na minha frente. Fiz a descida para o campo de golf, voltei e comecei a subir. Encontro o André descendo, uns 2,5 kms atrás de mim e o Cesário logo atrás a uns 3km. Começo a descer a pirambeira do aeródromo pensando "agora é hora de recuperar um pouco o pacing". Tentei fazer isso, mas realmente, a dificuldade do circuito e o desgaste acumulado da bike, estavam me vencendo. Ao sair pela portaria do campo de golf em direção à estradinha, tive que começar a andar na primeira subida. Eu não gosto de andar em provas, a não ser que seja algo planejado em algum ponto crítico, mas ali, o que não era crítico? Rsrsrsrs. Não era uma questão de pensar "vou andar naquela subida e depois eu recupero o pacing", como podemos fazer na subida das Canasvieiras no Jurerê, por exemplo. Ali, decidir "andar nas piores subidas" significaria andar metade da prova rsrsrsrs.


Do km 12 aproximadamente, para frente, eu percebi que jamais conseguiria terminar aquela prova se eu ficasse preocupado com pacings e tempos. Eu teria que me preocupar com a pura e simples sobrevivência pelas próximas horas, bem como com os assuntos que eu e o Gerd, em sua MTB, teríamos que ter ao longo do percurso rsrsrs. O plano "D" foi utilizado. Não concluir essa prova, depois de tanto esforço de meses para concretizá-la, não seria uma opção. Além do mais, tinha mais 13 malucos ali no campo tão estrupiados quanto eu rsrsrs. Percebi isso quando cheguei no retorno da estradinha, fiz a volta, o André e o Cesário estavam um pouco mais atrás. Acho que eu até tinha aumentado a distância. Isto é, eu estava quebrado, mas eles estavam tanto quanto eu! O Daniel? Eu não tinha a menor idéia rsrsrs.

Foi aí que assumi. Será impossível continuar com alguma estratégia qualquer aqui. Será "correr/trotar/andar" até o final. E foi isso que eu fiz. Encontro a Kika e a Lúcia, de carro, para apoiar os atletas e escuto: "Vamo Li! Não anda não!". Minha linda, minha mente te escutou, pena que eu minhas pernas não tinham ouvido rsrsrsrs.
E permanecemos assim, eu e meu fiel escudeiro, o Gerd, por quase toda a maratona

Dali para frente, foi um festival de quebradeira generalizada na galera. O Rodrigo, que conhecia bem o circuito, foi bem conservador no pedal e deixou as pernas para correr. Ele tirou uma diferença monstruosa de mim. Estava correndo a um pacing de mais de 1min/km mais rápido. Correu muito bem realmente, mas ainda assim, deu uma quebrada forte no final. Sendo assim, com exceção do Daniel, TODOS quebraram na prova. O "não quebrar" do Daniel, depois fiquei sabendo, foi fazer uma maratona na casa dos 5'30 de pacing, o que foi um FEITO naquelas condições. 

Quando entrei no resort novamente para completar as últimas três voltas, o Cesário passa dentro de um carro. Havia desistido. Fiquei muito triste por ele, mas respeitei sua decisão. Cada um sabe de seu "inferno" inconsciente. Os meus, com todas as críticas que recebo à respeito disso, são os pneus furados. Ele, certamente tem os dele assim como qualquer atleta. Uma coisa é fato. Ele pode não ter pego a medalha nem camiseta de "Finisher" dessa prova, mas, assim como todos ali, fez história. 

Na última volta pelo condomínio, já de noite, ainda no esquema "trota/anda", fiquei feliz. Era a primeira vez que eu chegava à noite de uma prova estilo Ironman. Estava ali com uma sensação de missão cumprida e ZERO sensação de frustração. O circuito havia vencido a batalha, mas o espírito do triathlon dentro de mim venceu a guerra. Eu estava renovado, com outros horizontes no esporte. Ali eu percebi o que eu queria do esporte de endurance. 

A chegada foi realmente algo sensacional. Eu, meu SUPER staff, o Gerd, ainda de sapatilha rsrsrs e minha linda, a Kika, correndo (eu achava que estava correndo, pelo menos rsrsrs) ao encontro da galera que estava esperando e o melhor! Segurando uma "fita de chegada" feita de câmaras de bicicletas improvisada por algum gênio ali que até agora não sei quem foi ahuahuahua. Exatas 11:30hs após a largada das 7hs da manhã. Meu maior tempo fazendo alguma atividade física até então.






Minha mãe, pai e tios ali, me aguardando, sem preço. Fotos, filmes, abraços e agradecimentos. Vejo o Daniel com aquela medalha linda no peito e eu queria a minha. Ela significava muito pra mim. Muito mais do que uma simples distância percorrida.




Eu era fã do Daniel pelo que ele representa no esporte vegano no Brasil e estar ali naquele momento com ele, foi realmente muito bacana.

Neste meio tempo, o André chegou. Também comemoramos bastante e começamos a falar sobre a insanidade que tinha sido aquilo que havíamos feito rsrsrsrs.

Fiquei ali um tempo, mas realmente, o frio começou a bater e a fome mais ainda. Completamente derrubado, fui para o quarto tomar um banho e para o restaurante comer. Tudo a passos lentos porque eu realmente estava com muita dificuldade de andar rápido. Ao mesmo tempo, eu queria voltar ali para acompanhar TODOS que chegavam! Infelizmente, alguns eu não consegui. Comi uma pizza e meia no restaurante rsrsrrsrs (sem queijo, claro!) e voltei com a Kika para linha de chegada. O Daniel e sua família não estavam hospedados no resort e, mesmo assim, ficaram lá até o último chegar! Esta família respira o esporte de endurance! A Lúcia, mulher do meu staff, viu a chegada, distribuiu medalhas, entregou camisetas de "finisher" a quase todos os atletas! Nem eu sabia que ela curtia tanto assim estes eventos. Acho que o casal de staffs que eu escolhi foi à dedo. Casal sensacional! 

Eu e a Kika acompanhamos a chegada do Sextinha, do Curado, do Fernando Quirino e do Vallim. Já haviam cruzado a linha o Pedro (impressionantemente, com toda a inexperiência dele, uma excelente prova. Sensacional Guri!), o Rodrigo Massoni que fez uma corrida forte para aquela situação, o Benê e o Rafael Aragon. Infelizmente, perdemos a chegada deles. 

Ahhh o Vallim...o mito...o cara que era o responsável por tudo aquilo estar acontecendo...o cara que fez o primeiro Soloman no Havaí em 1997. O cara eleito o mais figura. O Soloman pop star!!!!!!!! Rsrrsrsrs. Eu não iria embora dali sem ver a sua chegada de forma alguma. Eis que pouco depois das 23:35hs, ele chega! Tive que segurar aquela linha de chegada feita de câmaras de pneu rsrsrsrrs.




Vitórias e derrotas são circunstanciais, mas conseguir reunir catorze atletas, de vários cantos, com aquele espírito de fraternidade, com seus respectivos amigos e famílias, em um momento como aquele, era a vitória absoluta do triathlon e do esporte em geral. Eu fiz parte daquilo! Eu fiz parte daquilo! Me senti como se realmente estivesse fazendo história. Certamente, este Soloman foi apenas uma parte, a continuação de uma história cujo fim está longe de terminar.

Fiz novos amigos, personifiquei amigos antes virtuais. Uma prova dessas nos une para sempre. Este espírito ali encontrado, certamente nunca terei em outra prova de triathlon. Esta é a única certeza que eu tenho.

Daniel Meyer, um prazer enorme em conhecer você e sua família! FORÇA VEGANA!

Os agradecimentos, que não poderiam deixar de acontecer e mais do que merecidos:
- Para minha lindeza, pela eterno companheirismo, mesmo nestas coisas de "malucos".
- Para a minha mãe, pela torcida durante a prova e pelo suporte eterno no dia a dia.
- Pelo meu pai e minha avó que estavam lá presentes torcendo.
- Para meus tios que foram assitir a minha primeira prova de triathlon e logo de cara foram em um Soloman rsrsrsrs. Um especial para meu tio, que entrou no espírito da prova e fez uma grande diferença
- Para o super, ultra, mega, master casal de staffs, Gerd e Lúcia. Não tenho o que falar destes dois. A não ser ainda esta semana, levar os melhores vinhos e cervejas que eu encontrar e nos embebedarmos juntos rsrsrsrs.
- O meu mais do que apoio, o Santa Pimenta. Eles já deixaram de ser um "apoio" a muito tempo. Viraram simplesmente irmãos. Sem eles, a minha vida por aqui seria muito mais complicada e eventos como este talvez existiriam sem mim.

Durante o tempo que esperávamos todos a chegar, o pessoal estava antenado ao que acontecia em paralelo lá em Florianópolis, no Ironman Brasil, comentando sobre os amigos e os tempos dos atletas todos. Em conversa com amigos e já fuçando nas redes sociais após a prova e no dia seguinte, novamente o óbvio: SÓ VAQUEIRO NA ILHA DA MAGIA!!!!

Aquela ilha é realmente a "Ilha da Magia", mas nos últimos anos, todo último final de semana de maio, a "mágica" da ilha, é aquela que tem um monte de "triatleta" pedindo para o gênio da lâmpada: "SIM-SALABIM, QUERO TRANSFORMAR MEU CICLISMO TICO-TICO EM UMA CBR1000!! PIR-LIM-PIM-PIM!!!!"

Eu tinha acabado de participar de uma experiência única no esporte, onde a última coisa pela qual eu me preocupava era com as regras. Simplesmente porque não havia necessidade. Alguém leu que fizemos algum pódio no Soloman? Isto pouco importava, na verdade. Era o espírito de fraternidade que movia todos ali. Em paralelo, mas a algumas centenas de quilômetros dali, dezenas e dezenas de sangue-sugas se degladiando para ver quem consegue ser o mais espertinho, o mais malandro, o mais safo, para ganhar um troféu abacaxi.

É por esta razão que eu declaro: "Enquanto houver SOLOMAN, nunca mais Ironman Brasil!"

Vida longa ao SOLOMAN!!!!!!!!!!!!!


3 comentários:

  1. Cheguei aqui por um link de facebook e li o relato eletrizada. O final é bonito pra caramba porque mostra bem o espírito da coisa toda: estar lá, completar, fazer parte. Que pódio que nada. Parabéns!!!

    ResponderExcluir
  2. WOW...nossa demais! O triathlon que eu conheci quando adolescente! Aquele que eu treinava pelo simples prazer de juntar 3 esportes maravilhosos em 1. Eu quero ser uma SOLOWOMAN, ou SOLOGIRL, como quiserem denominar...eu quero completar uma distancia de Ironman e que seja na cia de pessoas que vibram na mesma sintonia...de companheirismo e espirito esportivo! Sem podio, sem frufru, exaultacao de superioridade ou fodicidade (se e' que essa palavra existe). Eu nao quero tatuar um IM no meu corpo eu quero tatuar na minha alma uma lembranca maravilhosa de um feito esportivo com pessoas que realmente se importam, estejam envolvidos na mesma vibe e entendam o verdadeiro "espirito da coisa"! Um WoooHoooo para os SOLOMANs atuais e os futuros!!

    ResponderExcluir
  3. Caro Ulisses, inicialmente Parabéns pelo emocionante relato.
    É sábido que tudo que começa a ficar grande tende a perder a originalidade, a essência e como corredor e grande admirador do mundo do esporte endurance penso da mesma forma VIDA LONGA AO SOLOMAN...quem sabe no próximo se aceitarem pessoas para fazer "apenas" o perna da corrida eu já estou dentro. Abraço.

    ResponderExcluir