terça-feira, 25 de junho de 2013

Como treinar para um DUPLO SOLOMAN?






No dia 11/10 de 2014, teremos um evento inédito e de dificuldade extrema que foi chamado de DIA "D". Para mais informações, clique AQUI

Eu não poderia ficar de fora de algo assim. No entanto, a decisão de se participar de tal evento é apenas um lado da moeda. O outro lado, e mais importante, é responder à questão: como se treinar para um desafio desses?

No mesmo dia, haverá dois desafios simultâneos. Um ULTRA SOLOMAN, prova nos formatos do famigerado ULTRAMAN, que se divide em três dias onde nada-se e pedala-se no primeiro dia, pedala-se no segundo e corre-se no terceiro; e um DUPLO SOLOMAN, prova no formato de um DUPLO IRONMAN onde nada-se, pedala-se e corre-se na sequência, com tempo de corte de 40 horas. Eu escolhi o DUPLO!!!! Dá até frio na barriga...AHHHHHHHHHHHH!


Ambas são de dificuldade extrema, tanto pela dificuldade imposta pelas distâncias em si, como pelo relevo e condições climáticas do local. Ambas, no entanto, possuem seu charme particular. 

O Ultra promove a distância de uma prova já existente muito tradicional e que está colocada como objetivo e sonho de muitos atletas de ultra endurance brasileiros. Muitos deles simplesmente nunca partiram para ela porque só existem três campeonatos oficiais ao redor do mundo, sendo que um deles é o mundial no Havaí, e o custo para se participar de um evento como este fora do país torna a iniciativa proibitiva para a maioria dos atletas. Canadá e Reino Unido são os outros dois locais que sediam o tradicional Ultraman. Um quarto circuito está para aparecer na Florida em 2014. 
O maior desafio do Ultra, entendo eu, é como adotar uma estratégia de recuperação de um dia após o outro? Como fazer para submeter o corpo a horas de atividade física e recuperar-se para o dia seguinte? Estamos falando de 7 a 10hs de atividade em cada dia. Realmente, não é algo que seja passível de ser feito sem muito treino, dedicação e planejamento.

No caso do Duplo, o charme é outro. Temos notícia de um ou outro campeonato isolado nesta distância em alguma parte do mundo, mas nenhum dentro de um circuito oficial regulamentado por alguma federação, no entanto, seu apelo é evidente. O Ironman é considerada a prova de triathlon de longa distância mais extenuante com duração de um dia. Apesar do Duplo ter tempo de corte de 40hs, existe uma possibilidade de ser feito abaixo das 24hs. Naquele circuito, é um desafio sem precedentes e, particularmente, não é nem o meu objetivo, mas, o que importa, é que ele acaba "roubando" este lugar de destaque do Ironman. Do ponto de vista atlético, os desafios são vários: como submeter seu corpo a três esportes na sequência com duaração acima de 22hs, podendo chegar a 40hs? Do ponto de vista fisiológico, nosso corpo está em um estado metabólico diferente a cada 3hs. Em um Soloman 226 "convencional", atletas que ficam na casa entre 10 e 12hs estão, digamos, no "quarto estado". E já não é nada fácil. Como conseguir dobrar tal desafio sem interrupção de uma noite de sono? Como se alimentar em situações como esta? Além disso, parte do ciclismo e toda a dupla maratona será feita à noite, o que exige-se uma estratégia e logística diferente da convencional.

Portanto, como treinar para algo desta magnitude? É a pergunta que não quer calar em minha cabeça...

Certa vez eu publiquei um post entitulado As Verdades do Ironman onde eu, apesar de citar uma série de "verdades" de treinamento para a distância, concluo que não há verdades irrefutáveis, mas sim, melhores práticas, experiências e estudos que os atletas devem somar para chegarem às "suas verdades". Apesar desta vagueza e de ainda termos muito a aprender em treinamentos para um Ironman, existe um formato. Um atleta que deseja participar de um Ironman, encontrará uma infinidade de metodologias de treinamento, opiniões e estratégias de nutrição. Muitas delas servem mais para atrapalhar do que ajudar, mas elas estão lá. Caberá ao atleta o trabalho de analisá-las e peneirá-las. Mas e para um Duplo SOLOMAN?

Eu nem estou preocupado ainda com a questão nutrição. Esta provavelmente me atormentará no ano que vem durante os treinos. Em um formato de treinamento "convencioal" de Ironman, independentemente da metodologia e "verdade" que ele segue, temos toda semana os tais "longos". Sempre dedicamos um dia da semana para "o longo" da corrida e outro dia da semana para o "longo" de bike. Com mais raridade dedicamos um dia ao longo de natação, por razões óbvias da distância. As grandes diferenças que existem entre as metodologias de treino são em sua maioria, nos outros cinco dias. Estes dois dias, no entanto, são os "sagrados". Estes treinos são altamente destruidores dos pontos de vista hormonal e psicológico. Exageros aqui e ao invés de evoluirmos semana a semana, temos o efeito oposto, isto é, acúmulo de fadiga. Por isso os treinos de intensidade são necessários. A intensidade na dose errada é igualmente destruidora, mas, estímulos colocados de forma inteligente na semana contribuem para que o atleta desenvolva outras habilidades que não apenas o endurance e, de quebra, o "poupam" do desgaste, físico e mental, dos treinos extremamente longos. Difetentemente dos esportes individuais, no triathlon precisamos ter os treinos mais longos e de intensidade dos três esportes, porém, temos um corpo e uma cabeça só. Então, tudo precisa ser muito equilibrado para não termos um estresse acima do esperado.

Em um treinamento convencional não profissional de Ironman, normalmente treinamos entre 12 e 25 horas por semana. Depende muito de atleta para atleta, de nível atlético, das ambições, da rotina, dos afazeres pessoais, etc. Particularmente, eu já cheguei a segurar 25 horas de treino semanais durante algumas semanas, contando aqui o tempo que gastei em musculação e funcionais (cerca de 4hs) e posso afirmar: com meus 37 anos, este é o meu limite. Falar em treinar 30 ou 35 horas na semana é algo que fica até bonito no discurso, mas dentro das minhas condições de percepção fisiológicas, algo completamente inviável. Inclusive, eu percebo que evoluo muito mais quando faço treinos fortes bem fortes, porém curtos, e treinos longos, mais longos e moderados, do que simplesmente "colocar horas" de treino na semana. Eu fico mais disposto, fico sem olheiras, com libido, sem ficar doente e sem me lesionar, enfim, os sinais fisiológicos são bem mais positivos. E este é um cenário onde eu não chego a bater 25hs na semana, mas algo na casa de 18hs/20hs.

Esta é uma análise empírica dos meus últimos anos treinando triathlon que simplesmente me permitem concluir: treinar para um Duplo SOLOMAN, portanto, NÃO É apenas somar horas e mais horas de treino na minha rotina. A "metodologia" que eu preciso encontrar deve ser algo mais inteligente do que isso. Eu quero treinar para uma prova dessas, mas eu tenho o desafio de ter que me manter saudável neste período. Portanto, não consigo pensar em algo melhor do que criar uma metodologia onde eu foque o volume de um determinado esporte específico em cada semana. Criar uma "semana da natação", "semana da bike" e "semana da corrida", de forma a não esquecer os outros dois esportes quando estou dentro da semana de um esporte específico. Isto só será possível se eu conseguir equilibrar volume e intensidade entre os três esportes dentro de cada semana destas especificamente.

A outra questão é o tamanho do ciclo. Entre dia 05/01/2014 e dia 11/10/2014 terei exatas 40 semanas. Incrivelmente, terei um SOLOMAN 226 exatamente no dia 25/05/2014, ou seja, 20 semanas após, exatamente na metade do período. E quero ir bem nesta prova. Terei portanto, um período de polimento e um período de recuperação pós prova onde volume terá que ser extremamente controlado, para não dizer mínimo. Calculo aí aproximadamente de 4 a 5 semanas apenas neste processo, o que me servirá até para dar um sossego na mente.

No início, eu estava pensando em fazer um treinamento covencional para um SOLOMAN 226 até maio e apenas após a recuperação da prova, começar os treinos mais específicos do Duplo SOLOMAN. Mas, eu não acredito que eu consiga em 16/18 semanas adquirir os lastros aeróbico e psicológico necessários para tal feito em tão pouco tempo. Além disso, como comentei antes, como eu iria fazer para colocar semanas de 30, 35, 40 ou 45hs de treinamento? Impossível para esta carcaça aqui. Um outro formato que cheguei a pensar era de aumentar os volumes da natação e da bike já desde janeiro, pois são os esportes menos destruidores, e deixar para aumentar os volumes da corrida apenas no mês de julho. No entanto, eu teria poucas semanas para adquirir esta experiência. Não tenho no currículo ultramaratonas, não tenho a menor idéia do que é correr mais do que 42km e não tenho idéia do que é sair para um "treino" de 50/60km de corrida. Nestas circunstâncias, entendo que este número diminuto de semanas é um tempo demasiadamente curto para isso, ainda tendo que concorrer com outros dois esportes.

Sendo assim, não me resta outra alternativa a não ser começar os treinos do Duplo SOLOMAN já em janeiro e utilizar o Soloman 226 como uma prova foco no meio do caminho, mesmo correndo o risco de chegar cansado para ela. O polimento vai ter que ser muito bem feito.

Depois de quebrar bastante a cabeça, cheguei às seguintes regras:

- Farei um período de 40 semanas
- Farei semanas de esportes específicos para conseguir me adaptar com os altos volumes
- Ainda não me decidi se encaixarei semanas regenerativas inteiras, uma boa prática em treinamentos convencionais de Ironman. Estou quebrando a cabeça com isso. O maior problema que eu enxergo nisso é deixar um tempo muito grande entre uma semana de volume específico para um esporte para a próxima do mesmo esporte. De forma geral, fisiologicamente, a perda de endurance é relativamente rápida. 
- Os dias OFFs não serão planilhados. Vão respeitar o meu estado físico e psicológico do momento.
- Darei preferência a treinos fortes bem curtos e deixar os grandes volumes para treinos pontuais e específicos para não me destruir hormonalmente e psicologicamente.
- Nas semanas de NATAÇÃO, adotarei a seguinte estratégia: 
  • Natação: volume alto semanal, zero intensidade.
  • Bike: intensidade igual ao treinamento de um IM, volume pouco mais alto.
  • Corrida: volume e intensidade iguais ao treinamento de um IM
  • Volume máximo de natação nestas semanas: 26.000m (5x semanais)
  • Volume máximo de bike nestas semanas: 330km (3x semanais)
  • Volume máximo de corrida nestas semanas: 70km (5x semanais)
  • Volume máximo em um dia de treino de natação: 8.000m
- Nas semanas de BIKE, adotarei a seguinte estratégia:
  • Natação: volume moderado semanal, intensidade igual ao treinamento de IM
  • Bike: volume alto semanal, zero intensidade
  • Corrida: volume baixo semanal, intensidade igual treinamento de IM
  • Volume máximo de natação nestas semanas: 16.500m (4x semanais)
  • Volume máximo de bike nestas semanas: 570km (4x semanais)
  • Volume máximo de corrida nestas semanas: 46km (5x semanais)
  • Volume máximo em um dia de treino de bike: 330km

- Nas semanas de CORRIDA, adotarei a seguinte estratégia:
  • Natação: volume moderado semanal, intensidade igual ao treinamento de IM
  • Bike: Intensidade igual ao treinamento de IM, volume moderado/baixo
  • Corrida: volume alto semanal, zero intensidade
  • Volume máximo de natação nestas semanas: 14.400m (4x semanais)
  • Volume máximo de bike nestas semanas: 200km (3x semanais)
  • Volume máximo de corrida nestas semanas: 134km (5x semanais)
  • Volume máximo em um dia de treino de corrida: 60km
- Atingirei o pico de volume de natação na semana 31, o pico de bike na semana 29 e o pico de corrida na semana 30, mas permanecerei durante 9 semanas nesta sequência, intercalando os esportes e, portanto, com 3 semanas de pico para cada esporte.

- Farei um acréscimo de 5% a cada semana no volume específico daquele determinado esporte, até atingir os picos após a semana 29.

Consigo resumir bem o que desenvolvi acima nesta planilha abaixo:


Este é um primeiro rascunho que eu tenho. Ainda vou conversar com muita gente, amadurecer tudo isso, mas como é algo completamente novo para mim, compartilhar talvez seja o melhor negócio.

Vamos em frente. Ainda este ano tenho um SOLOMAN 113 e um 226 pela frente, o que já não vai ser fácil!

SOLOMAN!


sexta-feira, 21 de junho de 2013

Alexandre Manzan! Seja bem-vindo à comunidade!






No dia 01/09, no SOLOMAN 113 ITIRAPINA, já temos a pré-confirmação de presença de um dos maiores triatletas brasileiros na largada!

  • Vice-campeão Mundial de Triathlon ITU
  • Tri-campeão Panamericano de Triathlon
  • Campeão Sulamericano de Triathlon
  • Bi-campeão Mundial de Duathlon
  • Hexa-campeão do circuito Xterra
  • Tricampeão do Long Distance de Pirassununga
  • Campeão do Troféu Brasil de Triathlon
  • Campeão em dupla da Ultra Cruce de Los Andes

Entre muitas outras conquistas e resultados expressivos.

Sua presença ainda não é 100% confirmada. Ele está longe das provas "de asfalto" e nos pediu para que pudesse confirmar um pouco mais à frente, quando se sentisse mais treinado. No entanto, estamos otmistas já que ele é "a cara" deste tipo de prova.

Deixe seu recado lá na página do SOLOMAN no Facebook
http://www.facebook.com/photo.php?fbid=169928123185879&set=a.164729410372417.1073741829.164592750386083&type=1&theater


Seja bem-vindo à comunidade, ALEXANDRE MANZAN!!!!!!!!!!!


quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Santa Pimenta me causando surpresas






Estava eu saindo da natação e indo muscular hoje, descendo a escada da Academia Lucena aqui em Atibaia, quando me deparo com esta cena:


Ulisses e Joãzinho em cartazes gigantes nas janelas da academia. Confesso que tomei um susto rsrsrs. Do tipo "conheço aquele cara".

Não tenho o que falar do Santa Pimenta. Além de ser o melhor restaurante da cidade, um apoiador com "A" maiúsculo ao esporte. Vocês são sensacionais!

Obrigado à Academia Lucena também pela divulgação!!!






A proliferação SOLOMAN






Com este último anúncio do SOLOMAN 117 JUIZ DE FORA, já são quatro localidades onde termos Solomans! Em Itirapinina, que já está virando um mito, em Caiobá, em Aracaju, em 2014, e em Juiz de Fora, nova integrante do movimento.

Ainda não apareceu nenhum SOLOMAN 226 em outra localidade sem ser Itirapina. Em Caiobá e em Aracaju, teremos um formato 113, isto é 1.9km/90km/21km, e em Juiz de Fora um formato 117, isto é, 1.9km/90km/25km.

O calendário mais detalhado e completo encontra-se em http://www.soloman.com.br/p/calendario.html

Para o formato 226, ou seja, 3.8km/180km/42km, é necessário um pouco mais de critério para se definir o circuito e, além disso, exige-se uma preparação maior para o evento, tanto para quem está correndo atrás dos detalhes nos bastidores, quanto para o atleta que está treinando. Portanto, é natural que ele demore mais a acontecer. Mas, a idéia é que distâncias 226 comecem a pipocar da mesma forma!

Estou, nos bastidores, cuidando desta "integração" digital entre estes Solomans, tentanto centralizar o máximo de informações no Blog www.soloman.com.br e na FAN PAGE www.facebook.com/solomantri. Apesar do SOLOMAN não ter a idéia de uma centralização ou admininstração, estou entendendo que isto está colaborando para não só a disseminação da idéia em si, como auxiliando os "organizadores" locais que não tem tanta intimidade com estas ferramentas. Estou realmente querendo ver tudo isso bombar e não vai ser por falta de estratégia de comunicação que isso não vai acontecer! O Marlus que está por trás do SOLOMAN CAIOBÁ, por exemplo, está com um blog próprio. Ele é blogueiro e fica mais fácil para ele. Apenas compartilhamos os links e "menus" entre nossos blogs para facilitar a vida de quem procura informação. Se já é difícil passar a mensagem de forma centralizada, imaginem cada um criando a sua mídia? Vai realmente ficar complicado.

Se os próximos eventos, ainda este ano, forem um sucesso, não consigo nem imaginar onde isso tudo pode chegar! O céu é o limite, na verdade.

E aí? qual será o próximo? E qual será o próximo 226?

Aos audaciosos, recomendo fortemente o dia 25/05/2014 por razões óbvias.

SOLOMAN!



terça-feira, 11 de junho de 2013

A revolução SOLOMAN



Para quem posta algo toda semana, até que faz tempo que não escrevo nada. Qual o motivo? O SOLOMAN!

Faz um ano já que venho escrevendo sobre ele, sobre as definições de percurso, sobre os novos amigos que vamos fazendo na jornada, sobre os treinos específicos, enfim. No entanto, depois que a prova se concretizou com o maior sucesso no último dia 26/05, a coisa tomou uma proporção gigante.

De alguma forma e por alguma razão especial, aquela prova mexeu com todos os atletas, seus staffs e com todos que ali estavam presentes. Uma sensação diferente daquela que normalmente sentimos quando terminamos uma prova tomou conta. Eu, particularmente, durante estas últimas duas semans, não conseguia falar ou pensar em outra coisa. Pelo que eu conversei com os demais, estavam todos nesta espécie de "transe", tentando ainda entender aquela sensação inédita para muitos. O Rodrigão até tatuagem do SOLOMAN fez rsrsrrsrsrs. 

O que empolgava não era apenas a dificuldade da distância ou do circuito, mas o modelo sob o qual o desafio foi proposto. O modelo "eu nado, pedalo e corro onde e quando eu quiser", onde não existia mais o binômio "cliente/prestador de serviços". O que existia era uma comunidade largando para uma prova sem nenhum vínculo com alguma instituição. Apenas a vontade de fazer o melhor que tem diante de um desafio enorme.

Podemos criar um desafio pessoal toda semana, se quisermos, com variadas distâncias. Entretanto, venhamos e convenhamos, não é todo dia que conseguimos reunir alguns amigos e largar em um desafio de 3800m de natação, 180km de bike e 42,2km de corrida, tentando fazer a melhor performance que se consegue. Exige-se uma certa logística e trabalho para que isso ocorra, ainda que mínima. Quando a coisa acontece e dá certo, é uma sensação de gratificação muito grande, não só pelo desafio concluído, mas por ter visto aquele trabalho, aquele "projeto" sendo realizado. Aquilo tudo havia nos aproximado. Parecia que éramos amigos de muito tempo.

Após a prova, começamos a postar as fotos, vídeos, começamos a melhorar o BLOG e até criamos uma FAN PAGE NO FACEBOOK.. A coisa começou a tomar uma dimensão maior do que havíamos imaginado. Muita gente começou a perguntar e tentar entender o que tinha acontecido lá em Itirapina, paralelamente ao Ironman Brasil. Os acessos ao blog e à fan page dispararam, minha caixa postal pipocava um monte de gente me perguntando. Todos entendiam que havíamos feito uma prova com distâncias de um Ironman, mas poucos entendiam o modelo que tínhamos adotado. 

Quebrar paradigmas não é fácil...

É complicado explicar algo desse tipo, uma iniciativa destas, onde não há nenhum tipo das famigeradas relações cliente/fornecedor, cidadão/governo, federado/federação, muito menos uma relação pagamento/benefício/lucro. De forma geral, as pessoas demoram a entender que existe um outro tipo de formato possível. Aliás, isso não serve apenas para uma prova de triathlon...

Uns sugeriam ganharmos dinheiro com a iniciativa, outros que deveríamos ter uma forma de comunicação com o público mais direcionada, enfim, todas características dos formatos e modelos que conhecemos, mas nenhum deles nem de perto próximo ao que o SOLOMAN realmente é: o esporte apenas pelo esporte.

Entretanto, não dava para negar, que a ideia estava se espalhando como um viral. Muitos entenderam a liberdade que aquele tipo de iniciativa representava. Tanto que um CALENDÁRIO inusitado apareceu, com outras sete provas, inclusive uma em Caiobá e outra em Aracaju, com uma facilidade absurda, que só serviu para comprovar que o SOLOMAN realmente tem tudo a ver com a liberdade e independência total. Não era mais necessário esperarmos por alguma data de alguma organização ou federação, da polícia rodoviária ou reservarmos um dinheiro para a inscrição de uma prova. Simplesmente o dia será AQUELE! "Quem está comigo?". A única certeza é que alguém ali largará, fará a maior força que conseguir, cruzará a linha de chegada, ainda que virtual, e ganhará uma camiseta e uma medalha inesquecível.

Esta dinâmica das redes sociais me tomou um bom tempo. Confesso que até vontade de mexer com informática, minha antiga formação, eu retomei rsrsrsrsrs. Eu queria realmente que a FILOSOFIA do SOLOMAN fosse difundida para os quatro cantos do país. Seria uma revolução na forma de se olhar para o esporte. Um novo modelo que rompia paradigmas. E não há ninguém que goste mais de romper paradigmas pré-estabelecidos do que este que vos escreve aqui.

Não será um trabalho fácil, mas um trabalho de formiguinha feito pelos atuais SOLOMANS e pelos futuros SOLOMANS que entenderam a mensagem. Muitas das dúvidas foram respondidas e vistas como uma verdadeira libertação. A impressão que dava é que muitos estavam esperando por uma iniciativa como esta. Outras, no entanto, apareceram mais em um formato de crítica do que propriamente de questionamento. 

Não existe uma comparação entre o que é o SOLOMAN e o que é uma prova no formato convencional, a não ser pelo fato de termos alguns atletas em campo fazendo força. Em uma prova convencional, existe uma espécie de troca de responsabilidades entre o atleta e a organização. O primeiro, treina, larga, cumpre as regras (teoricamente), se hidrata e se preocupa com o equipamento, nutrição e com sua colocação na prova. O segundo monta a infraestrutura, garante que a hidratação e alguma nutrição seja disposta pelo percurso, coloca árbitros para se fazer valer as regras, produz e entrega os kits e a premiação, se responsabiliza por fechar as vias e por disponibilizar atendimento médico caso necessário. Este é o formato conhecido. No SOLOMAN, existe uma célula de auto-suficiência que é o atleta e seu staff. Não há um responsável por absolutamente nada, a não ser o atleta pelo seu treinamento e concentração e seu staff em fazer tudo direito e se divertir para completarem o percurso. "E onde estarão os postos de hidratação?", "onde posso contar com apoio médico se precisar?", "e se o atleta cortar caminho?", "mas se contabilizarmos todos os custos, vale à pena?", "E se o SOLOMAN um dia tiver 2000 pessoas largando, como serão essas coisas?" são todas preocupações que se adequam ao primeiro modelo, mas não ao SOLOMAN! Elas simplesmente não fazem sentido neste modelo. As próprias perguntas já caracterizam que a pessoa nada entendeu. Se um atleta insiste em tentar comparar ambos, com este tipo de pergunta, uma coisa é fato: este é um atleta que nunca se adequará ao modelo SOLOMAN, ou pelo menos, ainda não está preparado. Nada contra, mas simplesmente não há como pegarmos aquele algo mágico que aconteceu e tentarmos "tomar emprestado" características de outro modelo. 

Se o atleta está preocupado em ter uma ambulância na chegada, ele pode sugerir isso junto à comunidade para ratear os custos ou ele pode contratar uma e chamar de SOLOAMBULÂNCIA rsrsrsrrs. Se ele se adapta melhor com postos de hidratação, chega um dia antes e esconde uns isopores no meio das moitas pelo circuito. Se ele se preocupa com a pista fechada para poder largar, ele cria um SOLOMAN do lado da casa dele, faz amizade com o prefeito e fecha a pista (não esqueça de me chamar!!! Rsrsrsr). Se um atleta cortar caminho e for visto, a comunidade o queimará. Sem dó nem piedade, além de não ganhar nem camiseta, nem medalha. No SOLOMAN não há espaço para larápios. Por outro lado, se ele não for pego, ótimo! O cara ganhou um troféu abacaxi rsrsrsrs. Se o atleta se preocupa demasiadamente com a segurança ao pedalar na pista, bem, aí a pergunta é minha: como um triatleta treina sem ir pra uma estrada aberta toda semana? Se existe dúvida em relação a como o SOLOMAN vai comportar 2000 atletas, o que posso dizer é que esta dúvida não tem o menor nexo! Nunca 2000 atletas Solomans compartilharão a mesma linha de largada. No entanto, não duvidem que 2000 larguem ao mesmo tempo em diversos lugares do Brasil um dia.

O que é necessário ser compreendido é que o MODELO É OUTRO! Este futuro atleta não será apenas um IRONman, mas um SOLOman, ou seja, um Ironman autosuficiente em parceria com seu staff. O modelo adotado pelo famoso ULTRAMAN é o que mais se assemelha ao adotado pelo SOLOMAN, mas ainda assim, existem diferenças.

É neste meio que estou agora. Tentando passar a mensagem, tentando fazer com que outros abracem a iniciativa em outras partes do país, curtindo o momento junto aos outros Solomans que estão tão empolgados quanto eu, tentando analisar quem são as pessoas que estão se aproximando do SOLOMAN. Quanto a esta última questão, ainda temos muitas dúvidas. Sim, muitas! Pessoas que querem usar o SOLOMAN de treinão para uma outra prova interessam ao SOLOMAN? NÃO! Pessoas que querem que o SOLOMAN tenha um pódio, classificações, chips de controle, etc interessam ao SOLOMAN? NÃO! Pessoas que acham que o SOLOMAN criou uma panela segregacionista preocupam ou interessam ao SOLOMAN? NÃO! Pessoas que se inscrevem na prova com o espírito de ter "algo em troca" de alguma organização interessam ao SOLOMAN? NÃO! Pessoas que se inscrevem no SOLOMAN apenas para garantir uma vaga caso não consiga largar na outra prova "X" interessam ao SOLOMAN? NÃO!

Não é fácil dizer todos estes "nãos". Ao mesmo tempo que queremos formar uma comunidade aberta, precisamos evitar a intoxicação de gente que não tem nada a ver. Este "nada a ver" é arbitrário, aberto a muitas interpretações. E é por isso que estamos constantemente conversando, compartilhando e, até mesmo, nos questionando e aprendendo. Só não queremos que este tipo de modelo morra porque alguns tentaram adaptá-lo à "realidade" existente. Alguns PRÉ-REQUISITOS, portanto, para a inscrição se fizeram necessários por razões óbvias. Nós realmente esperamos que cresçam em conjunto o SOLOMAN, seu modelo e seu espírito, não mais uma nova prova chamada SOLOMAN.

O SOLOMAN é uma alternativa comunista do Ironman? rsrsrsr NÃO! Empresários que apoiam o esporte que queiram contribuir para o SOLOMAN são bem vindos? SIM! Desde que não vejam uma forma de lucrar com a prova e fiquem apenas no campo da exposição de sua marca.

Para os que querem entender mais sobre o SOLOMAN, não há uma equipe de "atendimento ao consumidor" pronta e sorridente para "te atender" porque você "é importante" rsrsrsrrsrs, se é que entendem o meu sarcasmo. Portanto, a melhor forma é você se empenhar em ler e entender tudo que há no blog e interagir com todos através da fan page do Facebook. Muitos dos que pedi para que fizessem isso simplesmente sumiram. Acharam que era apenas clicar em um link onde digitaria o número do cartão de crédito e pronto! 

Estas são as formas de comunicação do SOLOMAN: http://www.soloman.com.br/2013/06/formas-de-comunicacao-do-soloman.html

O "Ulisses" não é o "organizador" do SOLOMAN. Nem o Marcelo Vallim, nem o Fernando Quirino, nem o Rodrigo Massoni nem ninguém que contribuiu para que a última prova acontecesse. O "Ulisses" é um cara igual a você que quer se alinhar em uma linha de largada de triathlon com pessoas comprometidas. Entendeu tudo? É o que faltava em sua vida? É o espírito do esporte que estava perdido e o reencontrou? É de você que o SOLOMAN precisa!

Como se tornar um SOLOMAN? Vá assistir uma prova em Itirapina, passe pela experiência de ser um staff, seja um entusiasta da iniciativa. É muito longe e a logística e custos são inviáveis para você? CRIE O SEU PRÓPRIO SOLOMAN! Estaremos aqui para ajudar no que for preciso, compartilhando ideias, o blog e a fan page.