terça-feira, 11 de junho de 2013

A revolução SOLOMAN



Para quem posta algo toda semana, até que faz tempo que não escrevo nada. Qual o motivo? O SOLOMAN!

Faz um ano já que venho escrevendo sobre ele, sobre as definições de percurso, sobre os novos amigos que vamos fazendo na jornada, sobre os treinos específicos, enfim. No entanto, depois que a prova se concretizou com o maior sucesso no último dia 26/05, a coisa tomou uma proporção gigante.

De alguma forma e por alguma razão especial, aquela prova mexeu com todos os atletas, seus staffs e com todos que ali estavam presentes. Uma sensação diferente daquela que normalmente sentimos quando terminamos uma prova tomou conta. Eu, particularmente, durante estas últimas duas semans, não conseguia falar ou pensar em outra coisa. Pelo que eu conversei com os demais, estavam todos nesta espécie de "transe", tentando ainda entender aquela sensação inédita para muitos. O Rodrigão até tatuagem do SOLOMAN fez rsrsrrsrsrs. 

O que empolgava não era apenas a dificuldade da distância ou do circuito, mas o modelo sob o qual o desafio foi proposto. O modelo "eu nado, pedalo e corro onde e quando eu quiser", onde não existia mais o binômio "cliente/prestador de serviços". O que existia era uma comunidade largando para uma prova sem nenhum vínculo com alguma instituição. Apenas a vontade de fazer o melhor que tem diante de um desafio enorme.

Podemos criar um desafio pessoal toda semana, se quisermos, com variadas distâncias. Entretanto, venhamos e convenhamos, não é todo dia que conseguimos reunir alguns amigos e largar em um desafio de 3800m de natação, 180km de bike e 42,2km de corrida, tentando fazer a melhor performance que se consegue. Exige-se uma certa logística e trabalho para que isso ocorra, ainda que mínima. Quando a coisa acontece e dá certo, é uma sensação de gratificação muito grande, não só pelo desafio concluído, mas por ter visto aquele trabalho, aquele "projeto" sendo realizado. Aquilo tudo havia nos aproximado. Parecia que éramos amigos de muito tempo.

Após a prova, começamos a postar as fotos, vídeos, começamos a melhorar o BLOG e até criamos uma FAN PAGE NO FACEBOOK.. A coisa começou a tomar uma dimensão maior do que havíamos imaginado. Muita gente começou a perguntar e tentar entender o que tinha acontecido lá em Itirapina, paralelamente ao Ironman Brasil. Os acessos ao blog e à fan page dispararam, minha caixa postal pipocava um monte de gente me perguntando. Todos entendiam que havíamos feito uma prova com distâncias de um Ironman, mas poucos entendiam o modelo que tínhamos adotado. 

Quebrar paradigmas não é fácil...

É complicado explicar algo desse tipo, uma iniciativa destas, onde não há nenhum tipo das famigeradas relações cliente/fornecedor, cidadão/governo, federado/federação, muito menos uma relação pagamento/benefício/lucro. De forma geral, as pessoas demoram a entender que existe um outro tipo de formato possível. Aliás, isso não serve apenas para uma prova de triathlon...

Uns sugeriam ganharmos dinheiro com a iniciativa, outros que deveríamos ter uma forma de comunicação com o público mais direcionada, enfim, todas características dos formatos e modelos que conhecemos, mas nenhum deles nem de perto próximo ao que o SOLOMAN realmente é: o esporte apenas pelo esporte.

Entretanto, não dava para negar, que a ideia estava se espalhando como um viral. Muitos entenderam a liberdade que aquele tipo de iniciativa representava. Tanto que um CALENDÁRIO inusitado apareceu, com outras sete provas, inclusive uma em Caiobá e outra em Aracaju, com uma facilidade absurda, que só serviu para comprovar que o SOLOMAN realmente tem tudo a ver com a liberdade e independência total. Não era mais necessário esperarmos por alguma data de alguma organização ou federação, da polícia rodoviária ou reservarmos um dinheiro para a inscrição de uma prova. Simplesmente o dia será AQUELE! "Quem está comigo?". A única certeza é que alguém ali largará, fará a maior força que conseguir, cruzará a linha de chegada, ainda que virtual, e ganhará uma camiseta e uma medalha inesquecível.

Esta dinâmica das redes sociais me tomou um bom tempo. Confesso que até vontade de mexer com informática, minha antiga formação, eu retomei rsrsrsrsrs. Eu queria realmente que a FILOSOFIA do SOLOMAN fosse difundida para os quatro cantos do país. Seria uma revolução na forma de se olhar para o esporte. Um novo modelo que rompia paradigmas. E não há ninguém que goste mais de romper paradigmas pré-estabelecidos do que este que vos escreve aqui.

Não será um trabalho fácil, mas um trabalho de formiguinha feito pelos atuais SOLOMANS e pelos futuros SOLOMANS que entenderam a mensagem. Muitas das dúvidas foram respondidas e vistas como uma verdadeira libertação. A impressão que dava é que muitos estavam esperando por uma iniciativa como esta. Outras, no entanto, apareceram mais em um formato de crítica do que propriamente de questionamento. 

Não existe uma comparação entre o que é o SOLOMAN e o que é uma prova no formato convencional, a não ser pelo fato de termos alguns atletas em campo fazendo força. Em uma prova convencional, existe uma espécie de troca de responsabilidades entre o atleta e a organização. O primeiro, treina, larga, cumpre as regras (teoricamente), se hidrata e se preocupa com o equipamento, nutrição e com sua colocação na prova. O segundo monta a infraestrutura, garante que a hidratação e alguma nutrição seja disposta pelo percurso, coloca árbitros para se fazer valer as regras, produz e entrega os kits e a premiação, se responsabiliza por fechar as vias e por disponibilizar atendimento médico caso necessário. Este é o formato conhecido. No SOLOMAN, existe uma célula de auto-suficiência que é o atleta e seu staff. Não há um responsável por absolutamente nada, a não ser o atleta pelo seu treinamento e concentração e seu staff em fazer tudo direito e se divertir para completarem o percurso. "E onde estarão os postos de hidratação?", "onde posso contar com apoio médico se precisar?", "e se o atleta cortar caminho?", "mas se contabilizarmos todos os custos, vale à pena?", "E se o SOLOMAN um dia tiver 2000 pessoas largando, como serão essas coisas?" são todas preocupações que se adequam ao primeiro modelo, mas não ao SOLOMAN! Elas simplesmente não fazem sentido neste modelo. As próprias perguntas já caracterizam que a pessoa nada entendeu. Se um atleta insiste em tentar comparar ambos, com este tipo de pergunta, uma coisa é fato: este é um atleta que nunca se adequará ao modelo SOLOMAN, ou pelo menos, ainda não está preparado. Nada contra, mas simplesmente não há como pegarmos aquele algo mágico que aconteceu e tentarmos "tomar emprestado" características de outro modelo. 

Se o atleta está preocupado em ter uma ambulância na chegada, ele pode sugerir isso junto à comunidade para ratear os custos ou ele pode contratar uma e chamar de SOLOAMBULÂNCIA rsrsrsrrs. Se ele se adapta melhor com postos de hidratação, chega um dia antes e esconde uns isopores no meio das moitas pelo circuito. Se ele se preocupa com a pista fechada para poder largar, ele cria um SOLOMAN do lado da casa dele, faz amizade com o prefeito e fecha a pista (não esqueça de me chamar!!! Rsrsrsr). Se um atleta cortar caminho e for visto, a comunidade o queimará. Sem dó nem piedade, além de não ganhar nem camiseta, nem medalha. No SOLOMAN não há espaço para larápios. Por outro lado, se ele não for pego, ótimo! O cara ganhou um troféu abacaxi rsrsrsrs. Se o atleta se preocupa demasiadamente com a segurança ao pedalar na pista, bem, aí a pergunta é minha: como um triatleta treina sem ir pra uma estrada aberta toda semana? Se existe dúvida em relação a como o SOLOMAN vai comportar 2000 atletas, o que posso dizer é que esta dúvida não tem o menor nexo! Nunca 2000 atletas Solomans compartilharão a mesma linha de largada. No entanto, não duvidem que 2000 larguem ao mesmo tempo em diversos lugares do Brasil um dia.

O que é necessário ser compreendido é que o MODELO É OUTRO! Este futuro atleta não será apenas um IRONman, mas um SOLOman, ou seja, um Ironman autosuficiente em parceria com seu staff. O modelo adotado pelo famoso ULTRAMAN é o que mais se assemelha ao adotado pelo SOLOMAN, mas ainda assim, existem diferenças.

É neste meio que estou agora. Tentando passar a mensagem, tentando fazer com que outros abracem a iniciativa em outras partes do país, curtindo o momento junto aos outros Solomans que estão tão empolgados quanto eu, tentando analisar quem são as pessoas que estão se aproximando do SOLOMAN. Quanto a esta última questão, ainda temos muitas dúvidas. Sim, muitas! Pessoas que querem usar o SOLOMAN de treinão para uma outra prova interessam ao SOLOMAN? NÃO! Pessoas que querem que o SOLOMAN tenha um pódio, classificações, chips de controle, etc interessam ao SOLOMAN? NÃO! Pessoas que acham que o SOLOMAN criou uma panela segregacionista preocupam ou interessam ao SOLOMAN? NÃO! Pessoas que se inscrevem na prova com o espírito de ter "algo em troca" de alguma organização interessam ao SOLOMAN? NÃO! Pessoas que se inscrevem no SOLOMAN apenas para garantir uma vaga caso não consiga largar na outra prova "X" interessam ao SOLOMAN? NÃO!

Não é fácil dizer todos estes "nãos". Ao mesmo tempo que queremos formar uma comunidade aberta, precisamos evitar a intoxicação de gente que não tem nada a ver. Este "nada a ver" é arbitrário, aberto a muitas interpretações. E é por isso que estamos constantemente conversando, compartilhando e, até mesmo, nos questionando e aprendendo. Só não queremos que este tipo de modelo morra porque alguns tentaram adaptá-lo à "realidade" existente. Alguns PRÉ-REQUISITOS, portanto, para a inscrição se fizeram necessários por razões óbvias. Nós realmente esperamos que cresçam em conjunto o SOLOMAN, seu modelo e seu espírito, não mais uma nova prova chamada SOLOMAN.

O SOLOMAN é uma alternativa comunista do Ironman? rsrsrsr NÃO! Empresários que apoiam o esporte que queiram contribuir para o SOLOMAN são bem vindos? SIM! Desde que não vejam uma forma de lucrar com a prova e fiquem apenas no campo da exposição de sua marca.

Para os que querem entender mais sobre o SOLOMAN, não há uma equipe de "atendimento ao consumidor" pronta e sorridente para "te atender" porque você "é importante" rsrsrsrrsrs, se é que entendem o meu sarcasmo. Portanto, a melhor forma é você se empenhar em ler e entender tudo que há no blog e interagir com todos através da fan page do Facebook. Muitos dos que pedi para que fizessem isso simplesmente sumiram. Acharam que era apenas clicar em um link onde digitaria o número do cartão de crédito e pronto! 

Estas são as formas de comunicação do SOLOMAN: http://www.soloman.com.br/2013/06/formas-de-comunicacao-do-soloman.html

O "Ulisses" não é o "organizador" do SOLOMAN. Nem o Marcelo Vallim, nem o Fernando Quirino, nem o Rodrigo Massoni nem ninguém que contribuiu para que a última prova acontecesse. O "Ulisses" é um cara igual a você que quer se alinhar em uma linha de largada de triathlon com pessoas comprometidas. Entendeu tudo? É o que faltava em sua vida? É o espírito do esporte que estava perdido e o reencontrou? É de você que o SOLOMAN precisa!

Como se tornar um SOLOMAN? Vá assistir uma prova em Itirapina, passe pela experiência de ser um staff, seja um entusiasta da iniciativa. É muito longe e a logística e custos são inviáveis para você? CRIE O SEU PRÓPRIO SOLOMAN! Estaremos aqui para ajudar no que for preciso, compartilhando ideias, o blog e a fan page.





Nenhum comentário:

Postar um comentário