segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Duathlon não é triathlon!






Bem, lá se foi neste final de semana minha primeira experiência ao se concluir um Duathlon distância "standard". 10km de corrida/40km de ciclismo/5km de corrida.


Não era minha prova foco, fiz a inscrição no último dia, na última hora (rsrs), mas eu precisava de alguma injeção de ânimo nas veias. O que eu sabia sobre uma prova assim? que seria o coração na boca o tempo todo. Sofrimento do começo ao fim.

O que fazer então? Não estava fazendo muitos treinos específicos para este tipo de prova, mas, estava treinado, com saúde e a pergunta que me vinha na cabeça era "afinal, porque não?". Fiz um treino de muita intensidade de corrida na semana anterior que me motivou a me inscrever. Além disso, seria uma prova "barata", já que não precisaria pagar hospedagem, comida, etc. Procurei não fazer tantos treinos de intensidade ou longos alguns dias antes da prova (a não ser de natação). Não queria estar no "auge do poliemento", mas também não queria chegar lá derrubado. Aí é melhor nem ir.

Trocando em miúdos, tentar ir com o melhor que tinha para o momento.

No dia 04/08, ontem, domingo, vamos eu e minha fiel escudeira rsrsrs, minha "mulé", para Alphaville, na ACM. A transição estava montada dentro do ginásio. Legal isso, inclusive. Não choveu, no final das contas, mas e se tivesse chovido? Teria sido uma mão na roda. Coloquei a bike na T1, a logística de não se ter a natação antes é algo MUITO tranquilizante. Até demais, na verdade rsrsrs...Aquela sensação de que "estou esquecendo alguma coisa" ficava incomodando. Apesar de "três etapas", da mesma forma, eram "dois esportes", então, eliminam-se algumas coisas: vaselina, neutrox, roupa de borracha, touca, óculos, entrar na água fria para aquecer uns 10min antes da largada, enfim. Chega a ser até tranquilizante. Gostei, por exemplo, da sensação de já largar de meias rsrsrsrrs.

Assistimos parte da prova de Sprint Duathlon CUP que estava rolando (com vitória do meu chapa Leandro Ferreira, inclusive), e já começamos a nos aquecer para a largada. Não encontrei muitos conhecidos, como é de hábito em provas maiores como Pirassununga, por exemplo, mas sempre nos esbarramos com a "família" esporte. Últimas instruções da organização, me posicionei um pouco mais atrás do pelotão de elite só para ter um caminho "mais livre" à frente, pois eu sabia que eu não ia correr 10km para baixo de 34min, mas também não ia correr para 40min, então, não queria ficar "desviando", como acontece nas provas de 10km.



A estratégia não deu muito certo rsrsrs. Como já era de se esperar, todo mundo se esqueceu que eram 10km e pensaram que era tiro de 1000m rsrsrs. Todo mundo "vaca louca" disparando como se fossem bater o recorde mundial na distância. Achei meu lugar ao sol ali e tentei emplacar o meu ritmo. A idéia era conseguir estar nos 3 últimos quilômetros ainda com fôlego, não morrendo.

Logo nos primeiros 3kms já deu para perceber que a cobra ia fumar. Eu não corro mal, mas estou longe de ser corredor. Sabia que eu ia correr entre 36 e 37min. Na minha cabeça, a "multidão" iria disparar na frente e em uns 3kms eu iria passar todo mundo, sobrando uma meia dúzia de corredores na minha frente que eu não ia pegar de jeito nehum em uma prova onde o vácuo é liberado no ciclismo. Realmente passei muita gente já nesses três primeiros quilômetros, mas tinha ainda muita gente na minha frente e logo percebi que tinha entrado em uma prova de "corredores" rsrsrs. Tinha o grupo da elite principal com uns seis ou sete atletas que não ia ter como pegar pois sabiam que iriam correr 10km para 32/33min. Tinha um pelotão mais atrás da elite, dentro do meu campo visual, que de certo eram os caras que iriam correr na casa de 34/35min. Eu, completamente isolado e um outro pelotão atrás de mim, que de certo é a galera que corrieria para 38/40min. Na minha cabeça eu pensei "Ou eu estou correndo muito mal, ou realmente tem gente pra caramba nessa prova que corre 10km para baixo de 36min" rsrsrs. Outra coisa que eu pensava era "será que só tem eu que corre nessa faixa? será que todo mundo corre ou melhor ou pior que eu? não tem ninguém para correr igual para revezarmos na bike depois?" rsrsrs. Era meio desesperador. Como eu estava só na percepção de esforço, sem pacing nem nada, ainda tinha aquela "dúvida". Não conhecia quase ninguém ali então não tinha, da mesma forma, referência.



Estou acostumado a sair da água com respiração ofegante, entrar na T1, pegar a bike com as pernas novas e já sentar o caneco desde o primeiro km de ciclismo. Mas, chegar à T1 depois de nadar alguns minutos (com qualquer intensidade que seja), é uma coisa. Chegar na T1 depois de ter corrido 10km forte pra caramba, é outra história. Estava meio descordenado. Até para subir na bike na área de montagem não foi igual. As pernas já estavam um pouco trêmulas. Bem, mas assim seria para todo mundo.

Seriam 4 voltas de 10km de ciclismo onde eu teria uma missão: tentar pegar os primeiros amadores (que de certo estariam em um pelotão) e ver com qual carcaça eu chegaria nos cinco últimos quilômetros de corrida. Já no primeiro retorno, eu vejo o pelotão da elite do outro lado da pista e, algum tempo depois, o tal pelotão que eu tinha que tentar encostar. A distância era ampla. Não sei bem precisar em minutos ou quilômetros, mas sei que se eu quisesse me poupar em alguma "roda", eu teria que fazer muita força. Foi o que tentei fazer.

O vento estava implacável. Muito forte. O circuito, apesar de ser fácil do ponto de vista de altimetria, estava longe de ser veloz. Aliás, era bem lento. Primeiro porque tinham dois retornos por volta. Segundo porque era uma buraqueira e asfalto mal feito sem tamanho. Mas era muita mesmo. Tive meu clipe solto em um buraco, tive que sair do clipe muitas vezes devido às lombadas às trepidações do asfalto. Para quem estava completamente sozinho, em uma prova com vácuo liberado, e com um vento de 15km/h, estas condições de pistas serviam ainda mais para jogar meus planos no vinagre.

Depois de duas das quatro voltas, no entanto, eu comecei a perceber que eu estava me aproximando do pelotão! Isto é, ainda estava conseguindo pedalar forte, mesmo naquelas circunstâncias. Me deu uma motivada a mais. Obviamente, atrás de mim também vinham algumas ameaças. Tinha outro pelotão formado que estava andando forte também. Eles não chegavam, mas eu também não conseguia abrir. Tinha um outro atleta que estava 1min atrás de mim, que também estava sozinho, que eu também não conseguia abrir. Trocando em miúdos, eu estava entre dois pelotões, sozinho, isolado, com mais um atleta isolado pouco atrás de mim, que eu não sabia se era da minha categoria, e eu não tinha idéia o que ainda poderia acontecer.

Eu ultrapassei vários atletas na etapa de ciclismo o que realmente me espantou. Em provas de triathlon isso é bem comum pra mim porque saio da natação, um esporte que não sou lá essas coisas. Mas em uma prova de duathlon, para mim foi um espanto. Aquilo me mostrou como tem gente que realmente treina corrida forte nesse tipo de prova. 

Quase chegando à T2, eu estava muito próximo do tal pelotão. Nem tudo estava perdido. Fiz uma transição rápida e saí correndo bem, mas durou pouco. Era sabido que estes últimos 5km iriam ser os mais sofridos e realmente foram. Muito, mas muito sofrido mesmo. Eu não tinha idéia de pacing, mas eu tinha certeza que eu não estava no pacing que eu normalmente estaria depois de um pedal de 40km e uma corrida de 5km. Era nítido que o acúmulo vindo dos primeiros 10km e da força que eu fiz na bike com a cara no vento estavam me minando. Mas, incrivelmente eu passava ainda alguns atletas e eu percebia que eu estava chegando em outros! Acho que esse negócio de correr "explodido" estes últimos 5km deve ser bem comum em duathlons então rsrsrsrsr. Eu não era o único rsrsrs.

No final, cheguei com o coração na boca, como era de se esperar, e logo ali, conversando com os outros atletas eu percebi que tinha pego 2o lugar na categoria. Nada mal para uma prova nestas circunstâncias. Fiquei satisfeito, mas com um gostinho de "poderia ter sido melhor".

Este "melhor", em provas como esta, só virá na hora que houver especificidade. Se eu quiser correr 10km para 34/35min, se é que isto ainda será possível nesta vida, terei que fazer treinos diferentes de intensidade do que eu estou acostumado a fazer. A realidade para se treinar para provas como o SOLOMAN e um duathlon como este são completamente antagônicas. É claro que existem as similaridades, muitos treinos parecidos, mas a especificidade é muito diferente. Ano que vem ainda tenho um DUPLO SOLOMAN. Um desafio sem precedentes para mim (e no Brasil, pelo que eu saiba) e acredito que não terei muito espaço para treinar velocidade neste nível. Acredito que há um momento onde precisamos escolher: ou nos tornamos máquinas de ultra endurance ou nos tornamos ultra rápidos. Em alguns momentos estes dois mundos convergem, mas existe um ponto onde realmente precisa haver a ruptura. Quem sabe em 2015 me tornar ultra rápido não se torna o meu desafio?

FORÇA VEGANA!