segunda-feira, 31 de março de 2014

IGARATÁ 23K - Breve relato






Segunda prova de corrida de montanha, a primeira "oficial". Chamo assim as provas que não são "SOLOMAN", como foi a última ULTRA SOLOMAN de 53km aqui em Atibaia.


Fui sem nenhum treino específico para isso. Apenas treinando triathlon, como sempre. Confiei na hidratação fornecida pela prova, não levei mochila nem nada disso e, mais uma vez, fui com um tênis de corrida já super desgastado de treinos. Ou seja, pé no chão, literalmente. Em algumas partes do solado não tem mais nada que separa o pé da terra rsrsrs. Já aprendi de uma vez por todas que isso dá certo para correr em asfalto. Mas em estradas de terra e trilhas, cheias de pedras e brita, sem chance. Vou ter que partir para algo que realmente proteja mais os pés. Leve, sem muito solado, mas que pelo menos tenha alguma aderência, maior estabilidade e, principalmente, melhor proteção contra pedras pontiagudas.

Acordei 5:30 na casa da minha mãe, tomei meu café leve, fiz minha "correria" habitual ao banheiro e parti para Igaratá. 50km de estrada. Não havia dormido nada. Um minuto se quer. Mas já estou acostumado Não durmo antes de prova nenhuma. Não adianta.

Chegando em Igaratá, uma muvuca. Estacionei o carro e parti para a praça principal. O astral legal, típico de galera de corrida de montanha. Faltavam 20 minutos para a largada. Encontrei o Danni, meu professor de natação, o Anderson e esposa, o Cabral e uma galerinha de Atibaia. Comecei a me dirigir para a largada. Não conheço os rostos, mas, diferentemente das provas de triathlon, onde não há biotipo, na corrida há. Olhamos para uma pessoa e já dá para ter uma boa noção se são bons corredores. Olhei para uns ali com a fita de largada no peito e já pensei "ali não dá para mim". Caras que você vê de longe que são corredores. Mas o objetivo era realmente largar logo atrás deles para evitar o tráfego. Mas, é difícil. Nunca entendi porque em provas de corrida muitos que nem sabem correr direito insistem em ficar colados na fita de largada. Gente que vai dar um "tiro de 1000m" e morrer. Mas tudo bem. Era um dia feliz rsrsrsrs. 

Dada a largada, dito e feito. Pelo menos uns 50 atletas já começaram a correr igual a vaca louca e mais uns 30 ficaram ali ainda no "trotinho" enquanto eu queria passar para não perder o pelotão. A saída já era com uma descida de uns 2km, então, todo mundo corre bem rsrsrsrs. Uns passos pra lá, outros pra cá, consegui me desvincular de um grupo e partir à frente. Um grupinho de uns cinco ou seis atletas começaram a já abrir consideravelmente. Isso porque eu estava correndo forte. Dali eu já pensei "aquele é o pelotão de elite, não dá pra mim". Tinha mais alguns atletas mais espaçados um do outro à minha frente, um grupo pequeno logo à minha frente e alguns atrás de mim, praticamente juntos. Todo mundo correndo forte.

Com 3,5km eu sabia que iria chegar a maior pirambeira da prova de 4km. Ali eu sabia que muita coisa iria acontecer. Eu ainda não sabia muito bem que estratégia adotar. Eu subo bem. Melhor do que desço. No entanto, era no início da prova e, acabada a pirambeira (mais ou menos no 7,5km), ainda teria mais de 15km pela frente e com uma altimetria razoável ainda. As chances de eu me explodir eram grandes, mas, pensei "bem, meu forte é subir. Se eu deixar para poupar muito agora, não sei se depois vai ter muito mais descida e aí serei atropelado". E fui subindo forte, segurando o coração na boca do jeito que deu. Nessa subida os que estavam atrás de mim já saíram do meu raio de visão, mas eu sabia que ainda tinha muita prova e aquilo não queria dizer nada. A minha frente, um cara magro estilo queniano corredor de regata amarela (depois o conheci, o suzanense Anselmo da Silva de Melo) que acabou virando o meu "alvo". Eu estava chegando enquanto a subida não acabava. Emparelhei com ele, o que acaba se tornando aquela "amizade momentânea". Muito mais fácil correr com alguém logo a sua frente ou pouco atrás ditando o ritmo do que sozinho sem ninguém no raio de visão. Foi quando ele me disse olhando para o atleta uns 50 metros à frente "enquanto não perdermos de vista o Adriano Bastos, estamos bem". Nem sabia que era o Adriano que estava ali. Mas aquilo me deu uma injeção de ânimo. Significava que eu estava correndo bem.

Anselmo..e eu lá atrás



Passei o Anselmo e a subida acabou, para minha tristeza rsrsrs. A dinâmica era: na subida eu o alcançava e na descida ele me alcançava. Descia muito ele. Nos poucos planos, mantínhamos. Nessa toada ficamos mais uns 3km aí ele abriu. E abriu muito. Ele passou o Adriano Bastos e pensei "agora a cobra fumou pra mim". E, nisso, começou a despontar um cara de trás. Acabei passando também o Adriano e fui fazendo a força que dava. O cara que vinha de trás me passou sem dar a menor chance, pouco tempo depois alcançou o Anselmo e ficaram duelando à minha frente. Eu os via quando tinham aquelas curvas gigantes, do outro lado da montanha. Não sei quem era esse atleta, mas de certo foi o primeiro da categoria 30-39 ou da 40-49. No km 11, mais ou menos comecei a gostar mais da prova. A altimetria não era tão pesada. Estilo "rolling hills", mas finalmente consegui encaixar técnica de corrida, que não dá para encaixar tanto nem na subida muito íngrime, nem na descida. E comecei a perceber que estava tirando a diferença do Anselmo. Olho pra trás, e mais um cara de trás se aproximando. Pensei, "ahh não" rsrsrsrs. Ele ficou a uns 50/100m de mim e simplesmente permanecemos no mesmo ritmo. Eu não abria, nem ele se aproximava. Para terem idéia, para conseguir tomar um gel que ficou entalado no meu bolso, tive quase que parar, pegar, tomá-lo, tomar a água do posto e voltar a correr...uma mistura de trote com caminhada rsrsrs. Incrivelmente ele não me passou, mas provavelmente porque me viu naquele desespero e resolveu fazer o mesmo rsrsrsrs.

Mais algumas pirambeiras à frente e consegui emparelhar com o Anselmo novamente. Trocamos mais algumas palavras de incentivo um ao outro e pensei "bom, acho que estamos entre os 10 primeiros. A não ser que algum cara da frente quebre feio, não vou pegar de jeito nenhum, outra surpresa vinda de trás seria improvável, portanto, era eu, o "cara de amarelo" (Anselmo), o "cara de branco" a 50 metros de mim e o Bastos que poderia, de repente, resolver voltar a correr como ele corre em provas de rua."

Tem que ser do jeito difícil. Com a altimetria descendente agora, o jogo virou a favor do Anselmo. Começou a descer feito louco e meu objetivo era tentar acompanhar. Consegui! Foi muito difícil, mas consegui! Comecei a desencanar de preservar joelho e tudo mais e fazer força pra baixo, o que é muito difícil. Mas, eu tinha um trunfo na manga. Eu sabia que os últimos 3km de corrida seriam com altimetria ascendente novamente. A chegada da prova era em subida. Então, na minha cabeça era "só não posso deixar o Anselmo abrir na descida nem no plano, na subida, ele não vai segurar porque vou dar o limite". E foi exatamente o que aconteceu. Quando começou a subir, emparelhei e abri. Olho pra trás e quem estava lá? O "de branco" rsrsrs. Minha nossa. Faltavam 2 sofridos quilômetros e o cara subia bem. Não tinha como simplesmente relaxar. Tava com o coração na boca e ele ali. Ficamos nesse "pega" até o fim. Faltando uns 400m, eu com o coração na boca, mas sentindo que ainda tinha gás, pensei "agora ele não me pega mais". Chegando na cidade, uma galera aplaudindo, incentivando. Muito legal. A cidade realmente entrou no clima.

A chegada foi muito legal, cheguei a ficar até um tanto emocionado por ter sido minha primeira prova "oficial" de montanha. O "de branco" chegou 15 segundos atrás. Era o Lino Júnior. O conheci e acabamos trocando bastante idéia depois da prova. Ficamos juntos ali até a hora da premiação, encontramos a Vivi, que por coincidência também conhecia o Lino. Ficamos ali os três conversando e com aquela gostosa sensação de missão cumprida. A opinião foi unânime: o nível dos atletas na prova estava mais alto do que o esperado. Tanto no masculino, como no feminino. A Vivi, que tinha tudo para ganhar a prova, assim como já ganhou outras, ficou em 4o geral. Eu e o Lino ficamos em 9o e 10o geral, respectivamente. Adriano Bastos chegou logo atrás e depois o Anselmo.



A prova foi dura, para variar estou todo doído. Muita força. Fiquei feliz demais com o resultado de 9o geral e 2o na difícil categoria 30-39 anos. Sim, na corrida de montanha, algumas provas dividem as categorias de 10 em 10 anos, não de 5 em 5, como no triathlon.

Naqueles momentos que se passam logo depois que cruzamos a linha de chegada, fiz questão de saber quem eram os caras que chegaram na minha frente. Marcelo Avelar, José Viginio, Tiago Sampaio, Oraldo Romualdo da Silva, entre outros. Só entre estes aí, estamos falando de campeão da Brasil 135, São Silvestre para 50min, meia maratona para 1h09, 2o colocado solo na Bertioga-Maresias, atual campeão brasileiro de corrida de montanha, enfim, não eram "meninos", eram corredores dos melhores! Portanto, foi um honroso 9o geral com poucos minutos atrás destes feras! Fiquei muito feliz mesmo com o resultado.

Segue o resultado oficial da prova:
http://www.igarata23k.com.br/wp-content/themes/Landis/resultados/300314/2014_03_30_IGARATA23K__geral_mf.txt

A prova foi bem organizada, só elogios, foi a primeira edição e tem tudo para se tornar uma prova calendário para os amantes da corrida e da montanha. Este que vos escreve, inclusive.

Tenho que agradecer imensamente, para variar, o Santa Pimenta, meu principal apoiador e melhor restaurante de Atibaia. Sem dúvida, faz a diferença. Valeu Marcelo!

Agradecer também a minha mulher, fiel escudeira, a Kika, que infelizmente não pode estar presente desta vez, mas tenho certeza que nossas mentes e corações estavam na mesma sintonia na hora da prova. À minha mãe que vibrou bastante com a "vitória" e me presenteou com espetacular almoço vegano rsrsrs. Engordei uns 3kg só ali rsrsrs. Agradecer aos demais familiares e amigos que sempre sinceramente torcem por mim.

Força Vegana!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Esse fim de semana tem IGARATÁ 23K






Neste domingo, dia 30/03, tem a corrida de montanha Igaratá 23k. (http://www.igarata23k.com.br/)


Fiz a inscrição nesta prova de forma despretensiosa, mas não adianta. Vai chegando perto de uma prova, eu vou ficando ansioso. 

Vai ser minha segunda prova de corrida de montanha. A primeira foi no fim de semana retrasado, a Ultramaratona de Montanha SOLOMAN de 53km insanos aqui pelas Pedras do Coração e Pedra Grande na região de Atibaia. Para mais detalhes CLIQUE AQUI. Cinco dias depois eu ainda estava com o quadríceps dolorido e meu pé ainda em frangalhos. Consequência de se fazer a prova com um tênis de corrida de rua super baixo e liso. Ainda estou aprendendo a "me virar" nesse lance de montanha.

Na semana passada, portanto, nadei muito, pedalei, não muito, mas forte. Voltei a correr só na sexta. No final de semana eu já estava inteiro. Vou treinar triathlon (não corrida) forte até na quinta-feira e depois vou dar uma relaxada para enfrentar a prova. É aquele negócio. É uma prova que não é foco, mas não quero também chegar lá cansado e morrer nas pirambeiras de Igaratá.

Infelizmente, vou ter que ir ainda com o mesmo tênis. Até tenho outro, mas é ainda mais "de pista" do que este. Dá-lhe vaselina nos pés e vamos embora.

O que está mais me empolgando é o circuito. Parece ser um lugar pra lá de bonito. 

Vamo que vamo para mais essa!


segunda-feira, 17 de março de 2014

Ultramaratona de Montanha SOLOMAN - Concluída





Aqui no site do SOLOMAN está contando um pouquinho da Ultra de Montanha realizada neste último domingo dia 16/03: http://www.soloman.com.br/2014/03/a-ultramaratona-de-montanha-soloman-foi.html

Mas, preciso dar a minha visão pessoal da prova aqui no meu Blog. 

Estou demolido e feliz ao mesmo tempo. Nunca havia feito se quer uma maratona de rua completa, a não ser de três Ironmans que eu fiz. Muito menos uma Ultra. Muito menos uma Ultra de montanha. Tudo bem que esta não era daquelas Ultras de mais de 100km, mas dentro destes 53km tinham dificuldades para ninguém botar defeito. Apesar de eu não ter experiência com este tipo de prova, a galera que lá estava tem e, segundo relatos, o lance foi sinistro mesmo. Ela não tinha "single tracks" nem descidas técnicas, mas a altimetria de 2140 metros, as pedras que colocaram nas ruas de terra para evitar erosão das chuvas que arrebentavam com os pés para quem estava com tênis com solados mais finos e o calor, simplesmente a fizeram a "graça" da prova rsrsrs.

Por volta de 8:30 da manhã, encontrando todo mundo. Legal encontrar fisicamente (não virtualmente) uma galera da Força Vegana que não falhou. Novas amizades também, pessoas que se apresentaram para fazer a prova e vieram para o desafio. Bem legal isso.

Nove horas, a largada. Com direito a contagem regressiva e tudo, 19 atletas largaram rsrsrs. Sabia que tinha caras que corriam bem, como o Marcos Faria, o Cesar Momesso e o Murilo Oliveri e sabia que tinham caras bem mais experientes do que eu neste tipo de prova como o Anderson Ribeiro e o pessoal da Força Vegana que tá super habituado nessa pegada. Fora que tinha outras pessoas que eu não conhecia. Na verdade, meu objetivo era um só: "Vou me testar ao máximo. Quero me testar para ver até onde eu vou fazendo a maior força que consigo." Era isso que tinha em mente.



Estava treinando apenas corridas curtas e tinha feito "longos" ridiculamente curtos esse ano de 16, 18 e 19km. Nem 20km eu bati. E a maioria deles em esteira. Eu sou um cara que não consegue fazer muita quilometragem semanal de corrida. Ela me destrói. Então, foi um tanto proposital isso. Queria saber se eu conseguiria manter meu endurance de corrida também com a bike e a natação, sem ter que fazer ultra rodagens de corrida. No entanto, estava partindo para o desconhecido. Desencanei e assumi a liderança logo no começo. Tipo "não quero nem saber. Vamo que vamo e se tiver que quebrar, eu ando até o fim".

No começo, o pessoal da Força Vegana, principalmente o Rafa e o Diego, estavam comigo. Nas primeiras subidas eu me descolei do grupo, mas ouvia passadas atrás de mim ainda. Olhei pra trás, e era o Cesinha. Eu e ele corremos juntos por quase metade da prova. Ora ele alguns metros à minha frente, ora eu.

Perguntei sobre o Marquinhos e ele falou "Cara, ele está sossegado, acho que vai ficar de boa lá atrás". Eu disse: "Ahã, o Marquinhos? Competitivo do jeito que ele é, vai ficar ali atrás? ahahah vai achando isso que daqui a pouco o viado tá passando a gente aqui". Ele riu.

Depois de passar a magnífica Pedra do Coração e descer o morro até a Cachoeira do Barrocão, parei para comprar água na barraquinha. Falei "Cesinha, você não vai comprar água? Se quiser, pode ir indo cara, eu vou me reabastecer aqui". Ele foi subir a pirambeira da Pedra do Coração novamente. Eu demorei 4 minutos para abastecer a mochila de hidratação e comecei a subir. Deu uns dois minutos, quem passa correndo pela descida??? Marquinhos....rsrsrs...e gritando "Faca na Caveiraaa" ahahah. Eu fiz um cálculo e pensei. "Bem, já corri 20km, faltam 33km e ele está mais ou menos a 6 minutos atrás". Fui "caçar" o Cesinha. Nisso, encontrei o resto do pessoal descendo. 

Ainda na estrada da Pedra do Coração, em alguma subida ali, colei no Cesinha de novo e ficamos juntos ainda um bom tempo. Viramos à direita em direção à Pedra Grande. A parte sinistra mesmo ainda estava por vir, apesar de já estarmos cansados. Na primeira pirambeira que apareceu, a musculatura do meu tornozelo começou a dar cãimbra. Eu estava me hidratando absurdamente bem, essa era uma das minhas metas a serem testadas inclusive. Bebendo realmente muito mais do que normalmente bebo. Mas, acho que ainda estava faltando algum eletrólito. Eu estava com seis cápsulas de sódio, portássio e outros minerais. Falei para o Cesinha "cara, vou tomar um treco desse aqui senão vou caimbrar". Ele já me solta "tem sobrando aí?" rsrsrs aquilo me mostrou que eu não era o único já meio detonado rsrs. Dei a cápsula pra ele e continuamos. Dali pra frente, eu abri. A altimetria era demais e aparentemente eu estava ganhando tempo subindo. Mesmo andando em várias subidas estilo "parede", eu andava forte. Muito forte. Não chegava a ser uma corrida, nem uma caminhada. Uma andada firme, que fazia o batimento ficar alto. Sentia que era uma velocidade boa para o tipo de terreno. Cheguei a tirar o tênis porque havia algo me incomodando, rsrsrs, era uma bolha gigantesca no mindinho. Desencanei e continuei. Fui com esses tênis de corrida, com solado baixinho, e já com vários buracos na parte do "midfoot" rsrsrs. Quando chegava a parte de pedras pontudas, parecia que estava correndo sobre brasa.

Foi nessa pegada que eu fui subindo a Pedra Grande. Ali, queria muito ver um cara subir correndo forte, depois de ter corrido já 30km...queria muito ver e filmar uma coisa assim. Eu admito, não consigo. Caminhar era necessário. Enchi mais uma vez a mochila na nascente ali na subida da pedra. Água maravilhosa e geladinha, aliás. Perdi mais uns três minutos ali. Foi quando chegou um motoqueiro e me disse: "Você é o cara que está na prova?" eu respondi que sim e ele me disse "a mulherada está ali na Pedra e vim pegar água pra elas que elas estão sem". Não acreditei, pois a Kika, Eliete, Bárbara e a Carol haviam subido a pedra pela trilha as 9hs da manhã, quando largamos, o que elas estavam fazendo lá 12:30? Fiquei feliz pra caramba. Dá uma ânimo. Quando cheguei lá, puta recepção rsrsrs




Eu estava adrenalisado. Queria cumprimentar a Kika, bater uma foto e sair o mais rápido possível porque eu sabia que o Cesinha e o Marquinhos estavam vindo. Nessas horas, é incrível, como percebemos que somos competitivos. E parece que é mais legal ainda competir com os amigos rsrsrsrs. Na verdade, eu acho que existe aquele lance interno de admiração pelo outro atleta-amigo e na mente a coisa que fica mais latente é: "Vamos ver se eu consigo ganhar dele, se eu conseguir, vou ficar feliz demais, afinal, ele é referência". Não digo que é uma competição pura. Mas uma mistura de competitividade e respeito.

Saindo da Pedra, agora o caminho era mais "alegre". Tinha ainda muitas subidas, mas a altimetria era, agora, a nosso favor. Faltavam 20km ainda, mas desta vez com mais descendência, o que dá um ânimo. Os problema, na verdade, seriam outros dois. Como eu estaria depois da quarta hora de corrida? Nunca tinha feito isso. Como estaria a musculatura da minha perna com taaaanta descida? Será que eu não ia chegar no km 48, por exemplo e ser obrigado a andar por que minha musculatura e articulações tinham explodido? Não sabia dizer. Tive que confiar que minha musculatura era forte o suficiente.

Logo no começo da descida, vejo o Cesinha andando (em um lugar óbvio de se andar) e o Marquinhos correndo ultrapassando. Eu pensei "esse viado só pode estar fazendo jogo psicológico, não é possível" rsrsrs. Falei "vai até a pedra que a mulherada está lá". Daí por diante, a corrida foi tensa. Eu não tinha mais o Cesinha como referência e na minha cabeça eu estava quebrando e o Marquinhos crescendo. Eu sei que ele desce bem e os próximos quilômetros eram descendo. Apesar de eu estar uns sete ou oito minutos na frente, naquele trajeto este era um tempo despresível se eu quebrasse totalmente.



Fiz o que deu e de cinco em cinco minutos eu olhava para trás esprando ver um macaquinho amarelo se aproximando. Eu ia passar um rodo rsrsrsrs. Incrivelmente, no entanto, até o km44 eu estava bem inteiro e conseguindo correr bem. Se a ultra tivesse acabado ali, eu me daria por satisfeito. Como que eu tinha conseguido fazer aquilo com tão pouco treino longo de corrida? O fato é que dali pra frente, a "cobra fumou". Andando em TODAS as subidas, correndo nos planos e descidas foi a estratégia que dava pra fazer. Até aí, sem novidades. O problema era que eu caminhava agora em TODAS as subidas mesmo. TODAS. Até aquelas menos íngrimes. Andava forte, mas andava, não corria. E na hora de correr, não conseguia emplacar um pacing descente. Eu estava travando. E olhando o tempo todo pra trás para ver se alguém chegava. Teve uma hora, faltando 5km para o fim que eu olhei para trás e dava para ver um bom pedaço do circuito até o horizonte e não vi ninguém. Foi ali que eu percebi que seria muito difícil aparecer um "the flash" que me passasse rsrsrs. Eu imaginei naquele momento que o Marquinhos também não tem muita expriência nesse tipo de circuito e de certo estava tão quebrado quanto eu. A mesma coisa o Cesinha. Então pensei. "Se eu continuar correndo pra frente, em qualquer que seja o pacing, por mais ridículo que seja, vai ser impossível alguém me pegar agora". E realmente foi o que aconteceu. Quando pisei no asfalto, faltando 2km, foi um alívio. Não aguentava mais correr em terra e pedras. Meu pé estava em frangalhos. Quando avistei a padaria do Pouso Livre de Atibaia, foi uma sensação similar a de se fazer o primeiro Ironman. Gritei. gritei muito. Vibrei. A galera que estava por ali não entendeu nada, afinal, era um SOLOMAN. Não tinha pórtico, infra, locutor nem nada. FODA-SE! Gritei. No relógio, marcavam 5h44m, o atual recorde do circuito.

No Soloman, não costumamos falar classificações, posições, pódios, nem nada disso. Mas, este foi um resultado expressivo pra mim e vou falar, pelo menos aqui no meu blog. Foi um desafio pessoal e tanto para simplesmente cair no limbo de esquecimento. Espero que esta ultra vire uma prova calendário para outros amantes do esporte de endurance e quero que estes atletas tenham um desafio a ser batido: 5h44min. Assim como temos as 10h28 do ultra atleta vegano Daniel Meyer no SOLOMAN 226 de 2013.

Quando olho pra dentro da padoca, vejo o Pedro Lutti e o Murilo Oliveri. Fui lá falar com eles. Quis entender o que aconteceu, achei que tivessem desistido. E eles olhando para mim com cara de "o que esse porra tá fazendo aqui gritando, vibrando chegando?" rsrsrsr. Eles, infelizmente erraram o caminho. Na entrada da Pedra do Coração, na volta, eram para ter ido para a Pedra Grande, mas, viraram a esquerda e voltarm. Só que ali, realmente é bem confuso para quem não conhece. Eles correram 40km. Eles tinham achado que quem havia chegado na frente deles tinha ido embora rsrsrs. Quando eles me viram chegando, não entenderam nada rsrsrs. Ficaram um tanto frustrados porque a idéia realmente não era aquela. Era ter realmente feito o circuito completo. Vão ter outras oportunidades, galera, relaxem rsrsrs.

Pouco tempo depois chegam Cesinha e Marquinhos. O resto da galera foi chegando e nós ali, quebrados, detonados dentro da padoca tomando suco de laranja com coca-cola (aliás, é o único momento que eu tomo esse produto ridículo rsrsrs).

Gostaria de agardecer o restaurante Santa Pimenta pela iniciativa de apoiar esta Ultramaratona. Atibaia é uma cidade excelente para se praticar tais modalidades, mas, incrivelmente, ninguém tem essa visão por aqui. Então, quando aparece um restaurante como o Santa Pimenta, temos que prestigiar.

Mais um desafio completado e a parte que me deixa mais feliz. Foi o primeiro evento deste tipo em Atibaia.
Fomos os pioneiros! Quem mais se habilita?



segunda-feira, 10 de março de 2014

GP Extreme Endurance Triathlon 2014






E lá se vai mais um GP Extreme 2014...

Como o próprio nome diz, é totalmente Extreme. Mesmo sendo nas distâncias 1000m/100km/10km, engana. A altimetria e o sol dos 100km de bike vão minando os atletas até não sobrar mais nada.

Havia feito a primeira edição desta prova em 2011. O circuito era relativamente diferente. A natação e a corrida eram completamente diferentes. Em locais distintos, na verdade. A bike era um circuito muito similar, com apenas algumas alterações. Não sei porque os resultados desta versão 2011 não se encontram no site oficial do evento. Mas, de qualquer forma, este LINK tem.

Tinha ido bem na versão 2011. Foi meu segundo pódio no triathlon e o primeiro na categoria 35-39. Foi um excelente 2o lugar. Desde então, foi uma sequência sem fim de "segundos lugares" rsrsrs. Até no Soloman 2013 em Itirapina eu fiquei em 2o atrás do grande atleta vegano Daniel Meyer. Foram mais dois 2os lugares no Long Distance de Pirassununga, um 2o lugar no Estadual de Triathlon do RJ, um 2o lugar no Brasileiro de Duathlon. Não que estes 2os lugares nesta difícil categoria tenham-me deixado triste. Pelo contrário, vibrei muito com todas elas. Mas, sempre fica aquele gostinho de "podia ter sido primeiro". Até porque, com exceção do Long Distance de Pirassununga de 2011, onde o primeiro colocado, o Maurício Letzow, atleta daWebTreino do Paraná, simplesmente não deu a menor chance, todas as outras o lugar mais alto do pódio passou muito perto.

Era óbvio, portanto, que meu objetivo principal era pegar esta colocação em alguma prova este ano rsrsrsrs.

Incrivelmente, por uma ironia dos esportes de endurance, ela veio agora, no sábado dia 08/03/2014, justamente em uma prova totalmente atípica, com uma quebradeira por desidratação geral após o duríssimo ciclismo. Sorte? Talvez. Muitos dos nomes fortes desta categoria no cenário nacional não estavam na prova. Haviam outros fortes, no entanto. A conclusão a que chego, portanto, é que tudo é muito relativo e circunstancial neste esporte. Existe o treino, a nutrição, a preparação, a atitude, mas o que vai valer é um somatório de uma infinidade de variáves que acabam culminando no resultado final. Inclusive a sorte. Se eu quebrei, meus colegas adversários também quebraram, também sofreram. E nesta salada de variáveis, no sábado, o vento soprou ao meu favor.


Na natação, a roupa de borracha era opcional. Até os últimos minutos antes da largada, eu ainda não havia decidido se ia ou não com ela. Quando vi aquela penca de atletas na largada para um circuito diminuto de duas voltas de 500m, na hora eu percebi que ia ser uma pancadaria do começo ao fim. A roupa me protegeria mais e me faria levar mais na esportiva os "afogões" que tomamos no percurso. Foi uma decisão acertada. A maioria dos atletas largou de roupa. Tomei realmente muita porrada, mas mantive a calma e continuei fazendo força. Me senti melhor com ela realmente e, para minha surpresa, foi muito fácil tirá-la na transição. Já fui arrancando tudo ao mesmo tempo que colocava o capacete e o óculos do ciclismo, "pisando" na roupa.


Depois daquele costumeiro tumulto na saída do ciclismo, dei uma distância, calcei devidamente a sapatilha e comecei a fazer a força que eu tinha. Eu ainda estava bem enjoado devido a natação, mas nada que me impedisse de fazer força nos pedais. Como o circuito havia mudado, fui um pouco mais conservador na primeira volta. Nas outras quatro, fiz a força que deu. O sol começou a castigar muito lá pela quarta volta e a hidratação decididamente não foi suficiente. Eu estava com uma caramanhola e um aerodrink. A prova começou a distribuir uma caramanhola de água de 500ml a cada volta. O que era pouco para aquele clima e aquele relevo totalmente insano da prova. Mas, a desidratação no ciclismo é um tanto "mascarada". Um erro primário, ao meu ver agora analisando a prova. Deveria ter pego duas caramanholas, mesmo se tivesse que colocá-la por dentro do macaquinho. Um outro aprendizado, que já deveria ter aprendido inclusive na versão 2011, é o volante 53 da minha bike. Ele é completamente insuficiente para esta prova na parte da descida. Não tenho medo de descer ao máximo de velocidade possível. Sendo assim, uma coisa é certa. Ano que vem vou com um "prato" 55 para essa prova.


Quando estava chegando na transição, percebi que havia alguns atletas profissionais já correndo (eles largaram 30min antes) e poucos amadores. Iria ser muito difícil, para não dizer impossível, buscá-los em apenas 10km, mas se eu conseguisse chegar em um deles, ou mesmo, segurar a posição, certamente estaria bem colocado na prova. 

Durante a etapa de ciclismo, vi muitos, mas muitos atletas quebrados. Pedalando devagar, caídos no chão, inclusive profissionais. O negócio lá é muito duro mesmo.

Quando coloquei os pés no chão para correr, estava relativamente bem até. Saí da transição, passei pela minha mãe, pela Kika e por alguns amigos. Não deu dois minutos e uma dor descomunal que nunca havia sentido no estômago simplesmente me impossibilitou de respirar ou correr. Tomei dois copos dágua, percebi que não tinha ninguém atrás de mim tão próximo porque tinha feito um ciclismo forte, tive que tomar algumas decisões: parar e ficar vomitando por ali? continuar ainda que andando e ver no que dá? andar e tentar correr quando a dor deixar? Optei pela terceira. A dor era insuportável e mesmo assim eu continuei correndo e andando em alguns momentos onde ela era demasiada. Cheguei no retorno e tomei mais dois copos dágua. Na descida a dor aliviava eu apertava um pouco. Na subida era simplesmente impossível manter um ritmo devido à dor. Quando virei para sair para a segunda volta de 5km, tomei mais água, andei mais um pouco e a dor começou a melhorar. Consegui aumentar o ritmo e consegui correr os últimos 5km inteiros. Mal, mas pelo menos correndo.


Quando cheguei, desabei. Era uma mistura de tela preta, dor, sede e alegria de ter concluído. Naquele momento, eu não queria saber de tempo, classificação, pódio, nada disso. Eu agradecia por ter conseguido passar a linha de chegada depois de ter pensado em desistir várias vezes. O que eu tive foi uma cãimbra abdominal/estomacal por desidratação. Já tinha ouvido falar disso, mas não sabia que ela podia me afetar rsrsrs. Meu abdômem está doendo até agora, dois dias após a prova! Exatamente como acontece como uma cãimbra comum.

O resultado da prova saiu horas depois. Tempo suficiente para me recuperar, encontrar os amigos todos e conhecer novas pessoas. Naquela hora já dava para perceber que eu estaria no pódio. Poucos amadores chegaram na minha frente. Se não me engano, seis deles. A maioria da categoria 30-34. Então, não era difícil fazer a conta rsrsrs. Eu estava um tanto triste porque até aquele momento a prova tinha sido um pouco decepcionante para mim. Nunca havia corrido tão mal. Eu estava treinado para correr. Treinei bastante. Sabia do que era capaz ali. Mas, não tinha sido o dia e aquilo me deixava um tanto depressivo.

Foi quando chamaram meu nome no primeiro lugar da categoria. Foi uma surpresa. Vibrei. Não propriamente por causa da prova em si, mas por todos os outros segundos lugares que já estavam fazendo história na minha trajetória. No final, tudo valeu à pena, principalmente pelo aprendizado enorme.

Não poderia deixar de agradecer minha mulher, a Kika, que está sempre ao meu lado nestes momentos, minha mãe, que também estava lá me dando aquela força. Meu chapa Marcos Faria pelas infindáveis trocas de experiências e pelas inúmeras parcerias de treinos e gargalhadas aos montes. Ao Ciro Violin pelas eternas trocas de idéias que transcendem muitas vezes o triathlon. À Maria Cláudia Ribeiro pela torcida, incentivo e a galeria de fotos durante a prova! 



Como não poderia deixar de ser, o Santa Pimenta, o melhor restaurante de Atibaia, eterno apoiador e parceiro. O que seria de mim sem ele? Valeu Santa! Valeu Marcelo!

Agradecimento à 2XU Brasil e ao Dr. Carlos Roberto Mó também pelo apoio de sempre!

À todos os meus amigos e familiares que sinceramente torcem e vibram com minhas conquistas!

FORÇA VEGANA!