segunda-feira, 10 de março de 2014

GP Extreme Endurance Triathlon 2014






E lá se vai mais um GP Extreme 2014...

Como o próprio nome diz, é totalmente Extreme. Mesmo sendo nas distâncias 1000m/100km/10km, engana. A altimetria e o sol dos 100km de bike vão minando os atletas até não sobrar mais nada.

Havia feito a primeira edição desta prova em 2011. O circuito era relativamente diferente. A natação e a corrida eram completamente diferentes. Em locais distintos, na verdade. A bike era um circuito muito similar, com apenas algumas alterações. Não sei porque os resultados desta versão 2011 não se encontram no site oficial do evento. Mas, de qualquer forma, este LINK tem.

Tinha ido bem na versão 2011. Foi meu segundo pódio no triathlon e o primeiro na categoria 35-39. Foi um excelente 2o lugar. Desde então, foi uma sequência sem fim de "segundos lugares" rsrsrs. Até no Soloman 2013 em Itirapina eu fiquei em 2o atrás do grande atleta vegano Daniel Meyer. Foram mais dois 2os lugares no Long Distance de Pirassununga, um 2o lugar no Estadual de Triathlon do RJ, um 2o lugar no Brasileiro de Duathlon. Não que estes 2os lugares nesta difícil categoria tenham-me deixado triste. Pelo contrário, vibrei muito com todas elas. Mas, sempre fica aquele gostinho de "podia ter sido primeiro". Até porque, com exceção do Long Distance de Pirassununga de 2011, onde o primeiro colocado, o Maurício Letzow, atleta daWebTreino do Paraná, simplesmente não deu a menor chance, todas as outras o lugar mais alto do pódio passou muito perto.

Era óbvio, portanto, que meu objetivo principal era pegar esta colocação em alguma prova este ano rsrsrsrs.

Incrivelmente, por uma ironia dos esportes de endurance, ela veio agora, no sábado dia 08/03/2014, justamente em uma prova totalmente atípica, com uma quebradeira por desidratação geral após o duríssimo ciclismo. Sorte? Talvez. Muitos dos nomes fortes desta categoria no cenário nacional não estavam na prova. Haviam outros fortes, no entanto. A conclusão a que chego, portanto, é que tudo é muito relativo e circunstancial neste esporte. Existe o treino, a nutrição, a preparação, a atitude, mas o que vai valer é um somatório de uma infinidade de variáves que acabam culminando no resultado final. Inclusive a sorte. Se eu quebrei, meus colegas adversários também quebraram, também sofreram. E nesta salada de variáveis, no sábado, o vento soprou ao meu favor.


Na natação, a roupa de borracha era opcional. Até os últimos minutos antes da largada, eu ainda não havia decidido se ia ou não com ela. Quando vi aquela penca de atletas na largada para um circuito diminuto de duas voltas de 500m, na hora eu percebi que ia ser uma pancadaria do começo ao fim. A roupa me protegeria mais e me faria levar mais na esportiva os "afogões" que tomamos no percurso. Foi uma decisão acertada. A maioria dos atletas largou de roupa. Tomei realmente muita porrada, mas mantive a calma e continuei fazendo força. Me senti melhor com ela realmente e, para minha surpresa, foi muito fácil tirá-la na transição. Já fui arrancando tudo ao mesmo tempo que colocava o capacete e o óculos do ciclismo, "pisando" na roupa.


Depois daquele costumeiro tumulto na saída do ciclismo, dei uma distância, calcei devidamente a sapatilha e comecei a fazer a força que eu tinha. Eu ainda estava bem enjoado devido a natação, mas nada que me impedisse de fazer força nos pedais. Como o circuito havia mudado, fui um pouco mais conservador na primeira volta. Nas outras quatro, fiz a força que deu. O sol começou a castigar muito lá pela quarta volta e a hidratação decididamente não foi suficiente. Eu estava com uma caramanhola e um aerodrink. A prova começou a distribuir uma caramanhola de água de 500ml a cada volta. O que era pouco para aquele clima e aquele relevo totalmente insano da prova. Mas, a desidratação no ciclismo é um tanto "mascarada". Um erro primário, ao meu ver agora analisando a prova. Deveria ter pego duas caramanholas, mesmo se tivesse que colocá-la por dentro do macaquinho. Um outro aprendizado, que já deveria ter aprendido inclusive na versão 2011, é o volante 53 da minha bike. Ele é completamente insuficiente para esta prova na parte da descida. Não tenho medo de descer ao máximo de velocidade possível. Sendo assim, uma coisa é certa. Ano que vem vou com um "prato" 55 para essa prova.


Quando estava chegando na transição, percebi que havia alguns atletas profissionais já correndo (eles largaram 30min antes) e poucos amadores. Iria ser muito difícil, para não dizer impossível, buscá-los em apenas 10km, mas se eu conseguisse chegar em um deles, ou mesmo, segurar a posição, certamente estaria bem colocado na prova. 

Durante a etapa de ciclismo, vi muitos, mas muitos atletas quebrados. Pedalando devagar, caídos no chão, inclusive profissionais. O negócio lá é muito duro mesmo.

Quando coloquei os pés no chão para correr, estava relativamente bem até. Saí da transição, passei pela minha mãe, pela Kika e por alguns amigos. Não deu dois minutos e uma dor descomunal que nunca havia sentido no estômago simplesmente me impossibilitou de respirar ou correr. Tomei dois copos dágua, percebi que não tinha ninguém atrás de mim tão próximo porque tinha feito um ciclismo forte, tive que tomar algumas decisões: parar e ficar vomitando por ali? continuar ainda que andando e ver no que dá? andar e tentar correr quando a dor deixar? Optei pela terceira. A dor era insuportável e mesmo assim eu continuei correndo e andando em alguns momentos onde ela era demasiada. Cheguei no retorno e tomei mais dois copos dágua. Na descida a dor aliviava eu apertava um pouco. Na subida era simplesmente impossível manter um ritmo devido à dor. Quando virei para sair para a segunda volta de 5km, tomei mais água, andei mais um pouco e a dor começou a melhorar. Consegui aumentar o ritmo e consegui correr os últimos 5km inteiros. Mal, mas pelo menos correndo.


Quando cheguei, desabei. Era uma mistura de tela preta, dor, sede e alegria de ter concluído. Naquele momento, eu não queria saber de tempo, classificação, pódio, nada disso. Eu agradecia por ter conseguido passar a linha de chegada depois de ter pensado em desistir várias vezes. O que eu tive foi uma cãimbra abdominal/estomacal por desidratação. Já tinha ouvido falar disso, mas não sabia que ela podia me afetar rsrsrs. Meu abdômem está doendo até agora, dois dias após a prova! Exatamente como acontece como uma cãimbra comum.

O resultado da prova saiu horas depois. Tempo suficiente para me recuperar, encontrar os amigos todos e conhecer novas pessoas. Naquela hora já dava para perceber que eu estaria no pódio. Poucos amadores chegaram na minha frente. Se não me engano, seis deles. A maioria da categoria 30-34. Então, não era difícil fazer a conta rsrsrs. Eu estava um tanto triste porque até aquele momento a prova tinha sido um pouco decepcionante para mim. Nunca havia corrido tão mal. Eu estava treinado para correr. Treinei bastante. Sabia do que era capaz ali. Mas, não tinha sido o dia e aquilo me deixava um tanto depressivo.

Foi quando chamaram meu nome no primeiro lugar da categoria. Foi uma surpresa. Vibrei. Não propriamente por causa da prova em si, mas por todos os outros segundos lugares que já estavam fazendo história na minha trajetória. No final, tudo valeu à pena, principalmente pelo aprendizado enorme.

Não poderia deixar de agradecer minha mulher, a Kika, que está sempre ao meu lado nestes momentos, minha mãe, que também estava lá me dando aquela força. Meu chapa Marcos Faria pelas infindáveis trocas de experiências e pelas inúmeras parcerias de treinos e gargalhadas aos montes. Ao Ciro Violin pelas eternas trocas de idéias que transcendem muitas vezes o triathlon. À Maria Cláudia Ribeiro pela torcida, incentivo e a galeria de fotos durante a prova! 



Como não poderia deixar de ser, o Santa Pimenta, o melhor restaurante de Atibaia, eterno apoiador e parceiro. O que seria de mim sem ele? Valeu Santa! Valeu Marcelo!

Agradecimento à 2XU Brasil e ao Dr. Carlos Roberto Mó também pelo apoio de sempre!

À todos os meus amigos e familiares que sinceramente torcem e vibram com minhas conquistas!

FORÇA VEGANA!