sexta-feira, 24 de julho de 2015

Cris Froome: um novo fenômeno?







Esses dias, saiu uma publicação na Sports Scientists analisando a ultraperformance de Cris Froome na subida dos Pirineus em uma das etapas do Tour de France, da qual ele foi vitorioso. O texto é muito bom e pode ser lido na íntegra AQUI.

O texto é sobre uma possível controvérsia da física. Um ciclista gerando menos watt/kg pode subir mais rápido (e bem mais rápido) do que um com mais watt/kg?

Bom, de acordo com uma série de números apresentados, a resposta é "sim". No entanto, para um bom entendedor de física, sabemos que NÃO. O que está errado então?

Vamos deixar claro, antes de mais nada, que o ciclismo é um esporte com uma infinidade de variáveis físicas: potência nos pedais, massa, eficiência de drive chain, arrasto de pneus, arrasto aerodinâmico, enfim. Qualquer lubrificação a mais ou a menos, um capacete menos ou mais aerodinâmico, um pneu mais ou menos quadrado, ou mais ou menos cheio, mais ou menos peso sendo transportado, pode fazer uma grande diferença, principalmente quando estamos falando desse nível: os melhores do mundo.

Ainda assim, faz mais de vinte anos que os analistas de ciclismo podem lançar mão de medidores de potência (ao contrário da crença de alguns que é um equipamento novo) e existe já uma quantidade razoável de dados coletados nestes anos todos, de diferentes ciclistas, que são sempre muito úteis para comparações estatísticas.

O fato é que, de acordo com os números apresentados pelo time SKY, de Cris Froome, ele subiu os Pirineus a 5,78watt/kg, enquanto outros ciclistas, neste Tour e em outros Tours, fizeram mais watt/kg e subiram mais lentos. Assim como outros que fizeram pouco menos (5% menos), mas subiram muito mais lentos (10% menos).

Estamos falando de equipamentos de ponta, equipes e atletas altamente qualificados, melhores mecânicos existentes. Então, estou desconsiderando possíveis "erros de lubrificação" ou "equipamento inferior" ou "pneus velhos" como fatores importantes. A coisa fica um tanto bizarra, portanto. O valor de 5,78watt/kg deixa o atleta no pelotão da frente nos Pirineus de um Tour de France (de acordo com dados históricos), mas decididamente não o faz "sprintar" muito à frente dos demais. Pelo menos é o que o universo de dados nos mostra. Como Cris Froome fez isso então?

O autor do texto da Sports Scientists, tomou um caminho analítico diferente do que eu vou tomar aqui. Segundo as próprias palavras dele, está sendo um tanto "inocente" para analisar. Deu algumas alteradas nos dados repassados pela Equipe SKY. Ele deu um desconto nos 6% de perda que supostamente uma coroa Oval O.Symmetric inflaria o leitor do medidor de potência, passando para 4%, e não pegaria o peso de 67,5kg, mas sim, 66kg, que foi o peso que Cris Froome estava uma mês antes em outro evento. Refazendo as contas, ele chegou a 6,02watt/kg. Segundo ele, esse sim mais próximo de um valor que faria ele desgarrar dos outros ciclistas.

Mas, na hora que eu vi que supostamente uma coroa oval "mente" para o medidor de potência, inflando os dados apresentados na tela, sem o ciclista estar efetivamente naquela potência, minha cabeça deu um giro. Como assim?

Não sou engenheiro destes produtos, tentei procurar os desenhos de arquitetura dos mesmos para tentar entender como os sensores de torque (strain gauges) são posicionados dentro da aranha no movimento central ou mesmo como funcionam os ímãs e/ou acelerômetros que contam as rotações por minuto. Não consegui, infelizmente. Mas, usei três artifícios para desenvolver o raciocínio: o primeiro, é o meu próprio conhecimento de Física, que neste aspecto, me permito e permito a qualquer um colocar em xeque a qualquer momento. Outro foi o posicionamento de engenheiros da SRM. E outro, o posicionamento da equipe de engenheiros da Power2Max, o meu medidor de potência.

Como é sabido, Potência é um produto da Força (Torque) pela velocidade angular do pedal (Cadência). Estou desconsiderando as unidades de medida para tornar o raciocínio mais fácil.

Um medidor de potência nada mais é que um medidor de torque durante uma rotação, uma revolução completa dos pedais. De acordo com o número de rotações, ele simplesmente faz a multiplicação e envia esse valor a cada segundo para algum dispositivo via ANT+. Este último apenas mostra e armazena o que está acontecendo.

O miolo do movimento central, a pedalada em si, é CIRCULAR. Sempre, INDEPENDENTEMENTE do formato da coroa. Se tirarmos a corrente, a coroa e colocarmos uma cola ali, alguns silver tapes rsrs para segurar o pedivela, o medidor de potência vai medir o torque da mesma forma. É o torque MÉDIO de uma revolução. Trocando em miúdos, se eu colocar uma coroa triangular ou no formato de coração rsrs, apesar da pedalada começar a deixar de ser natural e ser mais truncada no que se refere à aplicação de força, ainda assim, ela será perfeitamente redonda e o medidor de potência mostrará o torque que está sendo posto nos seus sensores DE FORMA REDONDA. Na minha visão de física, o formato da coroa pouco importa. Se ela gera mais potência REAL ou não, isso é uma guerra santa que nem a Rotor, com as Q-Rings, nem a O.Symmetric, conseguiram mostrar ainda. Mas isso é muito diferente de dizer que eles "enganam" o medidor de potência inflando os dados. Sinceramente, acho que alguém, em algum momento, confundiu estas duas questões tão diferentes.

O segundo artifício é da SRM. Nas palavras dela própria: "We have had an increasing number of customers use Q-rings with their SRM Power Meter. There is no difference in wattage accuracy between using a regular chain ring or an elliptical chain ring. The important thing is that the SRM power meter is calibrated with a regular round chain ring to determine the slope of the power meter, which is exclusive to that power meter. Once this is determined, any type of chain ring can be used and wattage accuracy is maintained. Think of it in these terms, the elliptical chain ring only adds more leverage, which in turn can allow for more torque per pedal revolution. This is no more different than changing the crank arm length, which has no effect on the accuracy of the power meter. Torque is torque; and if you can spin the same cadence with the Q-rings, then in theory you will produce more power. We have found from reports of our customers using the q-rings that their cadence tends to drop about 5-10 rpm at a given power output over using regular round chain rings."

Resumindo, torque é torque.

Em outros fóruns que eu entrei, um dos participantes entrou em contato com a SRM e um dos engenheiros respondeu que é IMPOSSÍVEL que o SRM seja "enganado" pelo formato da coroa.

No terceiro artifício, entrei em contato com a equipe de suporte da Power2max e, da mesma forma que a SRM, me responderam que isto não acontece.

De onde veio isso então? Não sei, se alguém conseguir encontrar de onde veio esta informação de que o formato da coroa "engana" um medidor de potência baseado em crank, me avise.

Bom, chegamos a um ponto interessante. Se este valor de 6% apresentado pela SKY como sendo a "perda" gerada pelo simples fato de usar uma coroa oval não existir, temos uma situação onde Cris Froome subiu os Pirineus a 414W médios e 67,5kg. Isto é, 6,13watt/kg. Vamos supor que o autor do artigo na Sports Scientists estivesse correto e Cris Froome estivesse não com 67,5kg, mas com 66kg. Estamos falando de 6,27watt/kg.

Dá uma boa Teoria de Conspiração, não?

Com 6,13watt/kg (vamos desconsiderar os tais 6,27), Cris Froome certamente seria considerado um fenômeno e certamente seria o número que faria com que ele abrisse 1'30, 2', 3', 4' minutos dos demais. Certamente levantaria uma enrome questão sobre doping que, certamente, a SKY não tem interesse nenhum em entrar.

Temos, portanto, alguma hipóteses e exercícios mentais:

- Os medidores de potência baseados em Crank realmente são enganados por coroas ovais e os números apresentados pela SKY, apesar de muito estranhos em relação aos outros ciclistas, seriam os corretos a serem analisados. Seria uma coincidência enrome (e absurda) a de que todos os demais ciclistas, analisados neste Tour e em outros, estavam com pneus errados, correntes sem lubrificar, estavam transportando um pesinho de 5kg no bolso de trás da camisa e esqueceram de triar rsrs...MENOS o Froome.

- Os medidores de potência não são enganados por formato algum de coroas (muito mais sensato, ao meu ver) e os números de watt/kg de Cris Froome foram subestimados ao serem apresentados pelo time SKY.

- Estes valores foram subestimados por pura inocência nos cálculos, partindo de uma premissa física errada disseminada sabe-se lá como pela Internet.

- Estes valores foram subestimados propositalmente, criando uma nova premissa física que nem os fabricantes endossam, para mascarar um valor de watt/kg que certamente levantaria suspeitas. Sem contar, a possibilidade de estarem mentindo em relação ao real peso atual de Cris Froome.

Bom, eu adoro a verdade, mas também sou fã de algumas Teorias de Conspiração rsrs. E você?


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Novo apoiador: RAKKAU






Olá,

Tenho o prazer de anunciar mais um apoiador na minha jornada triatlética: a RAKKAU.

É uma empresa nova de nutrição esportiva e de bem estar, sustentável e orgânica. Ou seja, tudo que eu precisava.

O portfólio de produtos ainda é pequeno, contando com duas proteínas isoladas (Rice Protein e Pea Protein), um pré-treino baseado em minerais importantes e uma biomassa à base de banana-verde orgânica.

Tudo livre de alergênicos, sem glúten, sem lactose, não transgênico, baixo teor de sódio, totalmente vegetal, sem sofrimento animal e sustentável.

Ao longo de meus treinos e competições usarei os produtos da marca e frequentemente postarei as experiências.

Tenho certeza que a empresa tem tudo para dar certo e espero contribuir para o crescimento deste tipo de iniciativa, já que diferentemente de outros países, no Brasil, ainda é baixa.


Mais informações no site:

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